Operação mira quadrilha que usava túnel para furtar petróleo e prende suspeitos na Zona da Mata

Grupo criminoso, com atuação no Rio de Janeiro e em Minas Gerais, já era alvo de investigações desde 2017 por esquemas de perfuração de dutos da Transpetro 


Por Tribuna

02/07/2025 às 13h48- Atualizada 02/07/2025 às 15h14

Uma operação do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) e da Polícia Civil, batizada de “Operação Infractio”, foi deflagrada nesta quarta-feira (2) para desarticular uma organização criminosa especializada no furto qualificado de petróleo bruto da Transpetro. A ação cumpre três mandados de prisão preventiva e 20 de busca e apreensão contra os líderes e integrantes do grupo em Além Paraíba, distante cerca de 120 quilômetros de Juiz de Fora. Até o momento, dois suspeitos foram capturados.

A quadrilha, que atuava nos estados do Rio de Janeiro e Minas Gerais, utilizava um túnel para acessar um oleoduto e, com sua ação, gerava grave risco de contaminação para o Rio Paraíba do Sul. Os mandados, expedidos pelo Juízo da 1ª Vara Criminal Especializada em Organização Criminosa, são cumpridos em diversos endereços nos dois estados e miram os líderes do grupo, que, segundo as investigações, possuem histórico de atuação reiterada em esquemas de furto de combustíveis.

As investigações revelaram o modus operandi da quadrilha: um túnel com aproximadamente sete metros de extensão foi escavado para criar um acesso clandestino ao duto Orbel II da Transpetro, na região de Abarracamento, em Rio das Flores, no Sul fluminense. A apuração do caso iniciou em agosto de 2024, a partir de tentativa de subtração de petróleo bruto no local.

Além do prejuízo financeiro, a denúncia oferecida pelo MPRJ à Justiça destaca o grave risco ambiental da atividade. A perfuração clandestina ocorreu nas proximidades do Rio Paraíba do Sul. Um eventual vazamento poderia contaminar o curso d’água, afetando o abastecimento de diversos municípios em três estados da federação e causando um desastre ecológico de grandes proporções.

Histórico da atuação criminosa 

A primeira investigação envolvendo os principais denunciados remonta ao ano de 2017, no contexto da Operação Ratoeira. Essa operação teve início a partir da prisão em flagrante de dois motoristas que transportavam petróleo furtado em caminhões, o que levou à identificação da organização criminosa especializada na perfuração clandestina de oleodutos da Transpetro. Desde então, os principais integrantes do grupo passaram a ser investigados em outras operações: Sete Capitães I, II e III e Exagogí, todas relacionadas à mesma prática delituosa.

Conforme a Polícia Civil, o inquérito revelou que a organização criminosa utilizava veículos alugados por terceiros, contas bancárias de interpostas pessoas e comunicações criptografadas, com o objetivo de dificultar a identificação dos verdadeiros responsáveis. Há registros de que os investigados já tinham sido alvos de outras cinco operações anteriores.

Os líderes do grupo foram alvos também da Operação Ouro Negro, deflagrada quando foram identificadas ligações diretas com um contraventor. Além deles, outros integrantes da organização criminosa estão na mira desta ação. Eles foram identificados ao longo das investigações e atuavam de forma estruturada no suporte logístico à prática dos crimes, especialmente no pagamento de despesas e ocultação da identidade dos mandantes.