Atlas/Bloomberg: Flávio Bolsonaro lidera rejeição após áudio com Vorcaro
Pesquisa também mostra que 51,7% veem evidências de envolvimento de Flávio Bolsonaro com caso Master após áudio
O senador Flávio Bolsonaro (PL) passou a ser o pré-candidato a presidente numericamente mais rejeitado após a divulgação do áudio em que ele pede dinheiro para o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, de acordo com pesquisa Atlas/Bloomberg divulgada nesta terça-feira (19).
O porcentual de entrevistados que disseram não votar nele de jeito nenhum saiu de 49,8% em abril para 52% em maio. Lula, que até então liderava o ranking, oscilou de 51% para 50,6%.
O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) é rejeitado por 49,1% e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL), cotada para substituir o enteado na corrida presidencial, por 45,6%.
Em seguida, estão os pré-candidatos Romeu Zema (Novo), com 42,2% e Ronaldo Caiado (PSD), com 38%. Renan Santos (Missão) tem a menor rejeição, numericamente: 37,8%.
A maior parte dos eleitores, 47,4%, disse que o cenário que lhes causa mais medo é a possibilidade da eleição de Flávio Bolsonaro; 40,5% responderam que é a reeleição de Lula e 11% afirmam que ambos os resultados lhes preocupam igualmente.

Há um mês, havia empate técnico no limite da margem de erro: 47 3% diziam temer a reeleição do petista e 45,4% a eleição do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro. Outros 7,2% temiam ambos os resultados.
A pesquisa foi realizada entre os dias 13 e 18 de maio – ou seja as entrevistas começaram no mesmo dia em que o site The Intercept divulgou o áudio com Flávio pedindo dinheiro a Vorcaro para financiar o filme sobre o pai dele.
A margem de erro é de 1 ponto porcentual para mais ou para menos. Foram aplicados questionários pela internet a 5.032 brasileiros com 16 anos ou mais. Eles foram selecionados pela metodologia de recrutamento digital aleatório utilizada pelo instituto. O levantamento foi registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o protocolo BR-06939/2026.
Flávio Bolsonaro diz que pesquisa tem ‘precedente manipulativo grave’
Flávio Bolsonaro divulgou um comunicado em que confirma que sua equipe jurídica protocolou um pedido de liminar no TSE para suspender a divulgação da pesquisa eleitoral realizada pelo instituto AtlasIntel. A defesa do pré-candidato alega que a metodologia do instituto compromete a integridade dos resultados.
“A sequência das perguntas, a forma de apresentação dos temas e o uso de associações entre o pré-candidato, Daniel Vorcaro e o Banco Master contaminam e induzem as respostas dos entrevistados comprometendo a integridade dos resultados”, diz a nota.
A defesa de Flávio Bolsonaro aponta que o questionário utiliza estímulos que associam o nome do pré-candidato ao empresário Daniel Vorcaro e ao Banco Master, influenciando o entrevistado antes das perguntas sobre imagem, rejeição e viabilidade eleitoral.
Para os advogados, o levantamento deixou de observar a isenção necessária, configurando o que chamaram de “precedente manipulativo grave”.
“Pesquisas eleitorais devem seguir critérios técnicos rigorosos, com transparência, equilíbrio e imparcialidade, para não serem utilizadas como instrumento de direcionamento da opinião pública”, defende a coordenação jurídica da pré-campanha.
Além da suspensão imediata da divulgação por meio da liminar, a representação pede que o tribunal apure a possível prática de crime eleitoral. A defesa argumenta que, diante da gravidade dos vícios metodológicos apontados, o risco é a divulgação de uma pesquisa considerada fraudulenta.
51,7% veem evidências de envolvimento de Flávio Bolsonaro com caso Master após áudio
A pesquisa também mostra que 51,7% dos eleitores brasileiros que tomaram conhecimento dos áudios e mensagens trocadas entre Flávio e o banqueiro Daniel Vorcaro consideram que existem evidências de envolvimento do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) com o escândalo do Banco Master.
Para outros 33,3%, as conversas mostram uma tentativa legítima de Flávio em conseguir investimentos para bancar o filme “Dark Horse”, que homenageia o pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Essa é a tese da defesa do senador, que diz ter conhecido Vorcaro quando não havia suspeitas sobre as fraudes bilionárias do Master e que a relação era estritamente profissional.
Já 12,1% dos eleitores afirmam que as conversas mostram que Flávio tinha proximidade com Vorcaro, mas que não há comprovação de ilegalidades cometidas pelo senador. Outros 2,9% não sabem ou não quiseram responder.
Caso tem amplo conhecimento entre eleitores
O levantamento mostra que a ampla maioria dos brasileiros está ciente dos diálogos. Os que disseram que ficaram sabendo sobre os vazamentos são 95,6%, enquanto 4,4% desconhecem o tema. Entre os que tomaram conhecimento do tema, 93,9% ouviram o áudio em que Flávio cobra de Vorcaro milhões que o banqueiro estava por pagar.
Os que afirmam que não foram surpreendidos pelo áudio são 65,2%. Os que disseram ter sido pouco surpreendidos são 20,5%, enquanto 14,3% declararam ter sido muito surpreendidos.
Para 45,1% dos eleitores, a candidatura de Flávio à Presidência da República foi muito enfraquecida com a divulgação das conversas com Vorcaro. Para 19%, ela foi pouco enfraquecida. Outros 15% dizem que não afetou a pré-campanha e 13,4% avaliam que ela foi fortalecida. Outros 7,3% não souberam ou não quiseram responder.
Questionados sobre o impacto das conversas nas intenções de voto à Presidência, 47,1% dizem que já não votariam em Flávio antes das revelações. Outros 21% dizem que isso não afeta a disposição ao escolher ele nas urnas. Já 13,7% declararam estar muito mais dispostos ao voto no senador. Outros 5,1% disseram estar mais dispostos.
Já entre os que disseram que isso impacta negativamente, 9,4% dizem que estão muito menos dispostos a votar em Flávio, e 3,6% menos dispostos.
Um em cada dez eleitores de Bolsonaro querem que Flávio desista
Sobre a permanência da candidatura de Flávio, 84,2% dos eleitores que escolheram Jair Bolsonaro na última eleição disseram que o filho do ex-presidente deve manter a candidatura. Outros 12,6% acham melhor que ele desista e declare apoio a outro nome de oposição ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Outros 3% não souberam ou não quiseram responder.
Sobre a revelação do áudio e dos diálogos de Flávio e Vorcaro, 54,9% dos entrevistados que ficaram sabendo do caso disseram que ela foi uma investigação legítima sobre possíveis irregularidades de Flávio. Outros 33% a classificam como uma tentativa de prejudicar o pré-candidato à Presidência politicamente. Há 9,7% que concordam com as duas afirmações e 2 5% não souberam, ou não quiseram responder.
Associações com o Master
O levantamento da Atlas/Bloomberg mostra que 43,3% dos entrevistados consideram que os aliados de Bolsonaro são os que estão mais envolvidos no escândalo do Banco Master. Os que acham que são, na verdade, os políticos próximos de Lula são 32,8%. Outros 16,1% acham que os dois grupos estão igualmente implicados no esquema. Para 7,1%, são os representantes do Centrão e 0,7% não soube ou não quis responder.
Reviravolta
Os resultados desta pesquisa mostram uma reviravolta sobre a percepção do Master diante do eleitorado após a revelação dos diálogos de Flávio e Vorcaro. Em março, os que achavam que os aliados de Lula eram os mais envolvidos eram 39,5%. Já os que creditavam isso aos políticos próximos de Bolsonaro eram 28,3%, ou seja, o crescimento foi de 15 pontos porcentuais em dois meses. Os que avaliam que são políticos do centrão os mais envolvidos passaram de 12,9% para 7,1% entre março e maio.
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