Vice-prefeito de Muriaé entra na disputa pelo Senado e antecipa propostas para Minas
Manoel Carvalho falou à Tribuna sobre a composição da chapa do MDB, mudanças no STF e prioridades em eventual mandato
Manoel Carvalho Filho (MDB), vice-prefeito de Muriaé, foi apresentado pelo Partido Movimento Democrático Brasileiro como candidato ao Senado por Minas Gerais nas Eleições 2026. Zootecnista e produtor rural, ele já exerceu dois mandatos como vereador no município e também passou pela Secretaria Municipal de Agricultura e Meio Ambiente antes de chegar à vice-prefeitura.
A candidatura ao Senado ocorre durante o segundo ano de Manoel como vice-prefeito de Muriaé. Ele permanece no cargo durante a campanha e disputa uma das duas vagas destinadas a Minas Gerais no Senado, em uma eleição que renovará dois dos três representantes do estado na Casa.
“Vice fica como se fosse um jogador reserva”
Em entrevista à Tribuna, Manoel Carvalho disse que a primeira pessoa que procurou após receber o convite oficial para disputar o Senado foi o prefeito de Muriaé, Marcos Guarino. Os dois foram eleitos para comandar o município no mandato de 2025 a 2028. Segundo ele, a possibilidade da candidatura já vinha sendo discutida, mas a conversa com o chefe do Executivo municipal aconteceu quando o chamado do partido foi formalizado.
“Eu, como vice-prefeito, não tinha, não tive a oportunidade de assumir em momento algum. Estava livre para aceitar o desafio”, afirmou.
Manoel disse que Guarino recebeu a decisão sem resistência e, segundo seu relato, chegou a incentivá-lo a entrar na disputa. Questionado pela Tribuna sobre a eventual saída do cargo de vice-prefeito caso fosse eleito senador, Manoel afirmou que, até o momento, não chegou a assumir a chefia do Executivo municipal e disse que isso pesou na decisão de aceitar o convite para a disputa.
“Eu, como vice-prefeito, não tinha, não tive a oportunidade de assumir em momento algum. Estava livre para aceitar o desafio”, afirmou.
Na sequência, ao falar sobre a função que exerce atualmente, Manoel comparou o cargo de vice-prefeito ao de um reserva em uma equipe.
“O vice é um cargo em que a pessoa não exerce a função de Executivo. Ele fica como se fosse um jogador reserva”, declarou.

Escolha da chapa do MDB
A chapa majoritária do MDB em Minas Gerais tem Gabriel Azevedo como candidato ao Governo do Estado e Maria Helena Lopes como vice. Para o Senado, o partido lançou Manoel Carvalho e Arcanjo Pimenta, que substituiu o empresário Paulo Roberto, inicialmente anunciado para a disputa. Manoel terá como primeiro suplente Kelvin Faria, de Caxambu, no Sul de Minas, e como segunda suplente Ivanise Castro, vereadora de Dionísio, no Vale do Rio Doce.
Ao comentar a formação da chapa, Manoel afirmou que a escolha dos nomes levou em consideração tanto a distribuição regional quanto a presença de diferentes grupos na composição.
“Fizemos uma chapa pegando vários sotaques, contemplando candidaturas de mulheres, beneficiando o feminismo, e também o Arcanjo, que é da comunidade negra, do movimento da negritude, movimento afro. […] O principal motivo da escolha desses nomes é realmente a representatividade do Estado”, afirmou.
Apesar de destacar a presença de mulheres e de uma liderança do movimento negro ao explicar a busca por representatividade, Manoel não apresentou, quando questionado pela Tribuna, propostas específicas direcionadas a esses grupos. O candidato respondeu que o conjunto de 15 projetos da campanha será divulgado no próximo domingo (16), no entanto, antecipou propostas relacionadas a outros temas.
Propostas antecipadas pelo candidato
Manoel adiantou à Tribuna alguns dos temas que pretende levar para a campanha. Um deles envolve mudanças no Supremo Tribunal Federal (STF). Segundo o candidato, a ideia é estabelecer mandato de 12 anos para os ministros da Corte, tomando como referência o modelo adotado pelo Tribunal Constitucional Federal da Alemanha.
Manoel também disse que pretende discutir mudanças no processo de escolha dos ministros, mencionando uma lista tríplice de indicações, consulta popular e alterações na sabatina dos nomes.
“Com uma lista tríplice de indicações, fazendo uma consulta popular, envolvendo aí uma sabatina mais, vamos dizer assim, mais violenta”, declarou.
Outra proposta citada por Manoel diz respeito aos mandatos de cargos do Executivo. Segundo ele, a intenção é apresentar uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) inspirada no modelo norte-americano para limitar a dois o número de mandatos que uma mesma pessoa poderia exercer no mesmo cargo, ainda que não fossem consecutivos. A mudança, conforme explicou, alcançaria prefeitos, governadores e presidentes da República.
O candidato também afirmou que pretende tratar durante a campanha de temas relacionados ao Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (Propag), além de questões envolvendo endividamento, receitas e benefícios fiscais. Os detalhes dessas propostas, segundo Manoel, serão apresentados junto ao restante do programa.
Prioridades em eventual mandato no Senado
Questionado pela Tribuna sobre quais seriam as principais prioridades dele e do partido caso fosse eleito, Manoel afirmou que pretende atuar a partir de demandas que envolvam Minas Gerais de forma ampla.
“O senador é eleito para defender os interesses, criar leis do Estado como um todo”, afirmou.
Na sequência, porém, Manoel destacou que pretende dar atenção especial aos pequenos e médios municípios mineiros. Para justificar esse foco, relacionou a proposta à própria trajetória no interior e à atuação no setor rural.
Segundo o candidato, a intenção é levar essas demandas ao Senado sem deixar de considerar os interesses das cidades maiores. “Eu quero especialmente representar esses pequenos e os grandes municípios e esse estado maravilhoso que é Minas Gerais”.
* Estagiário sob supervisão d editor








