Corrida eleitoral para o Governo de Minas Gerais segue aberta a menos de três meses das eleições; entenda
PT perdeu tempo insistindo em Rodrigo Pacheco e Marília Campos recusa governo, enquanto PL ainda aguarda definição de Cleitinho
A menos de três meses do primeiro turno das eleições gerais de 2026, previsto para ocorrer no dia 4 de outubro, o cenário para o Governo de Minas Gerais segue indefinido. Enquanto partidos ainda negociam candidaturas e alianças, o cientista político e professor da Faculdade de Comunicação da Universidade Federal de Juiz de Fora, Paulo Roberto Figueira Leal, avalia que a demora na consolidação dos principais nomes para a disputa é um movimento incomum para um dos estados mais estratégicos do país e pode influenciar diretamente a dinâmica da campanha eleitoral.
Para uma candidatura ser confirmada, ela precisa ser referendada durante a convenção partidária do próprio partido. O período para que esses encontros ocorram inicia no próximo dia 20 e termina em 5 de agosto, segundo o calendário do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que define as convenções como “reuniões de filiados a um partido político para julgamento de assuntos de interesse do grupo ou para escolha de candidatos e formação de coligações (união de dois ou mais partidos a fim de disputarem eleições)”.
A menos de duas semanas para o início do período de convenções, no entanto, as principais forças que, a essa altura, aparecem à frente de todas as pesquisas de intenção de voto à disputa presidencial – o pré-candidato à reeleição, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), e o senador e pré-candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL-RJ) – ainda não têm um palanque para a disputa do governo mineiro. Para o cientista político, a situação pode ser classificada como “inusitada” ou mesmo “assombrosa”.
Paulo Roberto justifica o apontamento relembrando que “Minas é o segundo maior colégio eleitoral do país, um estado muitíssimo relevante, inclusive como preditor dos resultados nacionais, à medida em que Minas tem uma enorme diversidade regional”. “Ela é uma espécie de microcosmo do país, e os resultados de eleições presidenciais em Minas antecipam e coincidem fortemente com as tendências nacionais ao longo de um ciclo de décadas de eleições em que essa correspondência se manifesta”, complementa o professor e pesquisador. Portanto, já era de se esperar que as principais forças nacionais já estivessem tendo resultados com a construção de candidaturas, não em fase de discussão.
Situação atual
À Tribuna de Minas, o PT enviou uma nota afirmando que “segue dialogando com os partidos do campo democrático para construir uma candidatura forte, voltada para atender as demandas do povo mineiro”.
“Nossa construção política passa pela nossa federação partidária e pelo diálogo com os demais partidos aliados”, segue. “As possibilidades estão sendo debatidas com responsabilidade e nossas decisões serão conjuntas, seja na definição por uma candidatura própria ao governo do estado ou apoio a outro nome do campo democrático”, lê-se no texto enviado pelo Partido dos Trabalhadores.
O partido ainda ressalta que não tem uma data estipulada para essa decisão, mas muda o tom da última semana, em que afirmou que teria, sim, uma candidatura própria.
Visando ampliar o diálogo com o eleitorado de centro e centro-direita, o PT apostou até os últimos momentos numa eventual pré-candidatura do senador Rodrigo Pacheco (PSB) ao governo mineiro. No entanto, o parlamentar, que está nos últimos meses no respectivo mandato no Congresso Nacional, informou em maio que não tem intenção de seguir na atuação política-eleitoral e vai encerrar a trajetória política. Por isso, o Partido dos Trabalhadores acabou ficando espremido pelos prazos, segundo Paulo Roberto.
“Ao (Pacheco) recusar (ser o palanque do partido de Lula em Minas), isso obrigou o PT a discutir muito celeremente alternativas. Se estabeleceu uma conversa com a Alexandre Kalil (PDT), ela não prosperou – segundo as informações que circulam nos bastidores – em função de divergências quanto ao acesso aos recursos do fundo partidário”, narra o professor.
O nome da ex-prefeita de Contagem, Marília Campos (PT), chegou a ser cogitada, recentemente, como possível nome petista à corrida eleitoral pela administração estadual. No entanto, Marília, não abre mão da respectiva pré-candidatura ao Senado, onde está muito bem posicionada A crise interna no partido existe, porque a candidata que se esperava, Marília Campos (PT), não abre mão do pleito ao Senado, onde está bem posicionada.
“Já se falou (também) do nome de Sandra Goulart, ex-reitora da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), mas também está no horizonte a conversa com partidos do campo aliado ao governo federal. Neste momento, por exemplo, um dos nomes possíveis como candidato do PSB é o ex-procurador Jarbas Soares Júnior”, lembra o cientista político.
Conforme publicado pela Tribuna de Minas, Marília é uma das lideranças progressistas que defende uma “frente ampla” na eleição deste ano. A afirmação foi reforçada a partir de entrevista do pré-candidato ao Governo de Minas Gerais, e também cogitado como palanque de Lula no estado, Gabriel Azevedo (MDB). Em registro recentemente publicado nas mídias sociais, e ao lado de Jarbas e de Gabriel, Marília defendeu a articulação de diferentes partidos. “Este encontro mostra que há espaço para reunir diferentes forças políticas em torno de um projeto comum de governabilidade, desenvolvimento e fortalecimento da democracia, em sintonia com o governo do presidente Lula”, escreveu.

Paralelamente à defesa de uma frente ampla em Minas Gerais, em sintonia com a estratégia nacional da legenda, o PSB vive um debate interno.
Em nota enviada à Tribuna de Minas, o partido divulga que conta com três pré-candidaturas: a do ex-senador Clésio Andrade e a do empresário Josué Gomes, além do nome de Jarbas. “Os três mantêm seus projetos políticos, enquanto a definição sobre a candidatura que representará a legenda será conduzida pelas instâncias partidárias, sob coordenação da direção nacional e estadual”, lê-se no comunicado.
Ex-presidente da Associação Mineira de Municípios (AMM), Julvan Lacerda também fazia parte da lista de pré-candidatos do PSB ao governo de Minas Gerais. Entretanto, no início do mês, ele anunciou a retirada do próprio nome da disputa e anunciou apoio a Jarbas. Nos últimos dias, um grupo de pré-candidatos a deputado federal pelo PSB também encaminhou um manifesto ao presidente nacional do partido, João Campos, e ao presidente estadual, Otacílio Neto, defendendo uma candidatura própria ao Governo.
“A essa altura, o PT pode estar em uma aliança com o PSB, ou com o MDB, ou não estar em aliança com ninguém e lançar candidatura própria. Isso a pouquíssimos meses do pleito. Portanto, é um sinal de que as apostas que o partido fez, até muito tardiamente, estão cobrando agora um preço”, analisa o professor da Faculdade de Comunicação da UFJF.
No campo político-ideológico oposto, Paulo Roberto Figueira Leal também destaque que, a essa altura, também não há ainda uma certeza se o Partido Liberal indicará um vice à pré-candidatura de Cleitinho Azevedo (Republicanos) se ele realmente for candidato ao Governo de Minas Gerais, ou se renderá uma candidatura própria. Há poucas semanas, foi ventilada a possibilidade de Cleitinho ser um dos nomes cotados para vice de Flávio Bolsonaro.
O próprio Cleitinho ainda não determinou qual será seu rumo na disputa eleitoral deste ano. Do Partido Liberal, são comentados os seguintes nomes: do ex-prefeito de Betim, Vittorio Medioli, e do presidente licenciado da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), Flávio Roscoe.
Em diferentes dias, a Tribuna de Minas solicitou ao PL uma nota sobre a questão, mas não obteve retorno. O espaço segue aberto.








