Voto e Cidadania: Candidatos ao Governo de Minas respondem como pretendem melhorar a segurança em Juiz de Fora
Após mostrar gargalos da segurança pública em Juiz de Fora, Tribuna de Minas ouviu os 11 postulantes ao governo estadual sobre propostas para a área.
A distância entre Juiz de Fora e Belo Horizonte é de cerca de 275 quilômetros, mas decisões tomadas na capital mineira chegam diretamente às ruas, delegacias e unidades prisionais do município. É a partir dessa relação que a Tribuna de Minas ouviu os 11 candidatos ao Governo de Minas sobre os caminhos que propõem para a segurança pública em Juiz de Fora, dos investimentos e da estrutura das forças de segurança até as políticas de prevenção e de combate ao feminicídio. As respostas fazem parte desta matéria, que integra a edição 2026 do Voto e Cidadania.
Falta de efetivo, sobrecarga das forças de segurança, limitações na estrutura de atendimento às mulheres vítimas de violência e superlotação do sistema prisional estão entre os gargalos que passam, em maior ou menor medida, por decisões do Governo de Minas, no segundo estado que mais registrou feminicídios no país em 2025. Na edição do último domingo (30/8), a Tribuna ouviu agentes das forças de segurança, especialistas e analisou dados oficiais para mostrar como esses problemas se manifestam em Juiz de Fora. Agora, o Voto e Cidadania leva o diagnóstico aos candidatos ao Palácio Tiradentes e pergunta quais medidas pretendem adotar para enfrentá-lo caso sejam eleitos.
As respostas são publicadas conforme encaminhadas pelas assessorias, sem edição de conteúdo pela Tribuna. Houve apenas corte nos casos em que o limite de caracteres informado previamente a todas as campanhas foi ultrapassado.
A ordem de apresentação dos candidatos, tanto na imagem quanto nesta reportagem, segue o critério alfabético.
Confira as respostas.
Alexandre Kalil (PDT)

“Juiz de Fora, polo da Zona da Mata, assim como Minas Gerais precisa de um governo mais humano! Minha prioridade será recompor o efetivo conforme a necessidade, valorizar e capacitar os policiais e garantir viaturas, combustível, equipamentos e delegacias em condições de funcionar. Temos que direcionar investimentos aos bairros e horários de maior risco, integrando PM, Polícia Civil e Guarda Municipal, com inteligência para combater o crime organizado e combater homicídios. A prevenção terá ações de educação, esporte e qualificação para jovens nos territórios mais vulneráveis, em parceria com as Prefeituras. Contra o feminicídio, fortaleceremos o atendimento às mulheres, com delegacias 24 horas, resposta imediata às ameaças e acompanhamento das medidas protetivas. Foi o que fiz na Prefeitura de Belo Horizonte, com mais treinamento e estrutura pra Guarda Municipal. Minas Gerais conta hoje somente com cerca de 70 Delegacias Especializadas em Atendimento à Mulher. Isso é um absurdo!! Polícia, saúde, assistência social e Justiça também precisam atuar em rede, com acolhimento e apoio às vítimas. Não basta agir depois do crime: O Estado precisa chegar antes e proteger a mulher.”
Ben Mendes (Missão)

“Já nos primeiros dias de governo criaremos um Gabinete de Crise, com uma integração entre Polícias Militar e Civil, para expulsar as facções criminosas do território de Juiz de Fora, valendo-se de inteligência policial e ostensividade. Quanto às medidas de prevenção, temos como plano que após a retomada dos territórios, o Poder Público estará continuamente nessa localidade para garantir a segurança e outros direitos básicos como saúde, educação, saneamento. No combate ao feminicídio, trabalharemos conjuntamente aos centros de saúde, escolas e igrejas com medidas a identificar e prevenir situações de violência contra a mulher, além de tratar com o mais absoluto rigor o eventual agressor.”
Cleitinho Azevedo (Republicanos)

“O combate ao feminicídio não pode começar quando a violência acontece. Precisamos agir antes, dando à mulher condições para romper o ciclo de violência. Vamos ampliar as delegacias especializadas, fortalecer a Patrulha de Proteção à Mulher e o monitoramento eletrônico dos agressores. Queremos ir além, ampliando casas-abrigo, oferecendo apoio psicológico e jurídico, além de criar emprego e qualificação para garantir independência financeira. Muitas mulheres permanecem com um agressor por medo de sair de casa e não sustentar os filhos. Por isso, vamos ampliar o acesso à moradia, priorizando essas mulheres em programas habitacionais. Vamos recompor efetivos, aproveitando concursos em vigor e realizando novos quando necessário. Vamos valorizar os profissionais e investir em inteligência, tecnologia e policiamento especialmente em áreas vulneráveis à ação de facções como a Zona da Mata. Segurança se faz com polícia forte, mas também com assistência social, educação, moradia e oportunidade.”
Flávio Roscoe (PL)

“Juiz de Fora precisa ter estrutura compatível com seu papel de cidade-polo. A região tem uma posição estratégica, próxima ao Rio de Janeiro e conectada a importantes corredores rodoviários – então o objetivo será dificultar a circulação dos criminosos antes que entrem em Minas. Nossa proposta ‘Cinturão de Minas’ prevê vigilância permanente nas entradas do estado, com leitura automática de placas, videomonitoramento, cruzamento de dados em tempo real e trabalho integrado entre as nossas polícias, com as forças federais e com os estados vizinhos. Para isso, é fundamental valorizar o efetivo das nossas forças de segurança, que já é uma das melhores do país, melhorando suas condições de trabalho. No enfrentamento ao feminicídio, vamos implantar o monitoramento eletrônico dos agressores e integrar delegacias, Judiciário e sistema prisional para identificar sinais de risco. Combater o feminicídio é agir antes que a violência vire uma tragédia e fiscalizar o agressor é responsabilidade do Estado, não da vítima.”
Gabriel Azevedo (MDB)

“Juiz de Fora é polo da Zona da Mata e precisa de uma segurança pública dimensionada para essa função regional. Vamos recompor efetivos, melhorar estrutura e tecnologia das Polícias Civil e Militar e criar um Centro Integrado de Inteligência Criminal, conectando também a Polícia Penal e a cooperação federal. A prioridade é inteligência: integrar dados, investigar o dinheiro do crime e antecipar organizações criminosas. A Operação Retorsão, realizada neste ano contra uma facção ligada a homicídios na cidade, mostra por que integração e investigação qualificada são essenciais. No combate ao feminicídio, nossa meta é ‘Feminicídio Zero’: avaliação de risco desde o primeiro atendimento, delegacias especializadas fortalecidas, monitoramento das medidas protetivas, tornozeleira para agressores de maior risco e rede regional de acolhimento. Juiz de Fora registrou feminicídios recentes em 2026. O Estado precisa chegar antes do agressor: proteção perto da mulher e agressor longe dela.”
Henrique Áreas (PCO)

“Em primeiro lugar, defendemos a dissolução de todas as polícias e a substituição por uma organização armada eleita democraticamente pela própria população nos bairros. O problema da segurança não será resolvido com mais repressão, mas dando condições que a população tenha acesso a bens básicos de saúde, educação e moradia. Quanto ao feminicídio, o PCO acredita que toda violência contra a mulher deve ser combatida, em primeiro lugar, pela própria mulher. A violência contra a mulher não será resolvida com mais repressão, como defende todos os partidos. O aparato repressivo é o mais violento contra as famílias e contra as mulheres. Para resolver esse problema, é preciso medidas concretas, como por exemplo, melhorar a iluminação nas ruas e medidas nesse sentido, mas acima de tudo, dar condições para que as mulheres se defendam. Que as mulheres possam formar comitês de autodefesa e sejam responsáveis por sua própria segurança. Nesse sentido, a mulher precisa aprender técnicas e autodefesa, o que poderia ser feito em escolas públicas.”
Indira Xavier (UP)

“O atual modelo de segurança fracassou. E a responsabilidade pelo fracasso não está na falta de equipamentos, mas no modelo de polícia militarizada. A polícia militar é treinada para enfrentar o inimigo e não para proteger o cidadão. A desmilitarização é um processo que passa por nova formação e maneiras de atuar. Foco na prevenção e na inteligência para neutralizar o crime organizado, como já existe em outros países. O combate à violência contra as mulheres é uma das politicas prioritárias para nossa candidatura e passa pela ampla garantia e acesso aos direitos. Por isso, junto de campanhas de combate à misoginia, é fundamental a garantia de moradia digna às mulheres, bem como o fim da escala 6×1, aumento de 100% de salário mínimo e a existência de creches para as crianças. Além disso, a garantia de DEAMs em todos os municípios e aumento das Casas abrigo pelo estado, inclusive nos interiores.”
Mateus Simões (PSD)

“Minas Gerais é o quinto estado mais seguro do país e o primeiro da região Sudeste. Registramos, desde 2019, queda de 62,6% nas ocorrências de crimes violentos. Isso porque tivemos tolerância zero à criminalidade organizada. No meu governo, o criminoso não tem vida fácil. Não vamos permitir que facções que aterrorizam São Paulo e Rio de Janeiro se estabeleça em Minas. Por isso, minha proposta é o controle permanente por nossas forças policiais de territórios que as facções tentam ocupar. Vamos implantar também o programa Escudo Mineiro, serviço de reconhecimento facial para identificar e prender os procurados pela Justiça em todas as estradas que chegam e saem do estado. No combate ao feminicídio, vamos ampliar a rede de atendimento especializado, tanto da PM, que aumentou de 25 para 134 municípios a presença de Patrulhas de Prevenção, quanto às delegacias e redes de apoio. E vamos trabalhar pela autonomia financeira desta mulher, inserindo-a no mercado de trabalho, de forma que possam se libertar de relacionamentos abusivos.”
Patrus Ananias (PT)

“Juiz de Fora tem hoje a menor taxa de crimes violentos entre as grandes cidades de Minas – e parte desse mérito é da Guarda Municipal, que trabalha perto da comunidade. Mas há dois problemas que não podemos aceitar. Em Ubá, o crime organizado avançou e os homicídios cresceram. E em Juiz de Fora, são quase 10 denúncias de violência contra a mulher por dia. Segurança se faz com pulso firme e com inteligência: vamos integrar todas as forças de segurança e sufocar as finanças do crime organizado. Entre as propostas está a consolidação de um Sistema Único de Segurança Pública no Estado, com atuação integrada, planejamento conjunto e compartilhamento de informações entre os diversos órgãos ligados ao setor. Vamos levar a rede de proteção às mulheres para o interior, com a Casa da Mulher Brasileira e a Patrulha Maria da Penha. Nenhuma mulher pode ter medo de andar pelas ruas e nenhuma mulher pode ter medo de estar dentro da própria casa. Em Minas, quem precisa mandar é a lei e o povo mineiro.”
Rafael Duda (PSTU)

“A segurança em Juiz de Fora e Minas Gerais exige romper com a criminalização da pobreza. Os trabalhadores e a juventude negra sofrem um duplo fardo: convivem com o crime e são alvos da violência do Estado. A prioridade é desmilitarizar a polícia e descriminalizar as drogas, asfixiando o narcotráfico na raiz. Na Zona da Mata, o combate às milícias e facções será feito com inteligência. Vamos confiscar o patrimônio do crime organizado e desarticular suas conexões financeiras e políticas, barrando as operações militares que vitimam inocentes nas periferias. Além disso, a prevenção real exige combater diretamente o trabalho precarizado que desestrutura as famílias trabalhadoras, superando as condições de vida indignas para devolver a perspectiva de futuro à nossa juventude. Contra o avanço do feminicídio, garantiremos delegacias da mulher 24h e casas-abrigo. Essa rede terá verba do Estado, mas será controlada pelas trabalhadoras. Exigimos punição aos agressores, proteção às vítimas e campanhas nas escolas e no trabalho.”
Túlio Lopes (PCB)

“Nosso Governo dos(as) Trabalhadores(as) desenvolverá uma nova política de segurança pública, com: formação humanitária, popular, antirracista, anti-homofóbica e antimachista dos profissionais; valorização e melhoria das condições de trabalho, com recomposição salarial, aumento do efetivo, infraestrutura, inteligência e fortalecimento da polícia comunitária; reestruturação dos presídios e criação de uma Central Telefônica Única para segurança e socorro; combate à criminalização dos movimentos populares e da pobreza; e avanço na unificação das Polícias Militar e Civil. No enfrentamento ao feminicídio, construiremos uma política permanente de combate à violência contra as mulheres, fortalecendo a Patrulha Maria da Penha e as Delegacias da Mulher, ampliando acolhimento e assistência psicológica, jurídica e financeira, garantindo tornozeleiras eletrônicas quando determinadas pela Justiça, autonomia econômica e campanhas educativas.”
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