Professor é detido em protesto de estudante

André é imobilizado durante interrupção de tráfego
O professor André Nogueira, 27 anos, foi detido na manhã de ontem quando acompanhava a manifestação dos estudantes da rede pública estadual em apoio à greve dos professores. Ele foi imobilizado e algemado por policiais militares na altura do cruzamento da Avenida Rio Branco com a Rua Halfeld sob alegação de desacato à autoridade. Levado para a 1ª Delegacia Regional de Polícia Civil, foi liberado após prestar depoimento. O Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação (Sind-UTE) e Sindicato dos Professores de Juiz de Fora (Sinpro) repudiaram o episódio e mantiveram o propósito de seguirem com as manifestações. A Secretaria de Estado da Educação alegou ainda não ter tomado conhecimento do assunto de forma oficial e, por isso, não iria se pronunciar. Os representantes dos estudantes também lamentaram o ocorrido.
Professores, policiais e agentes de trânsito acompanhavam a movimentação dos estudantes que se iniciou por volta das 9h em frente ao Instituto Estadual de Educação (Escola Normal). Os manifestantes seguiram em passeata passando pela Avenida Independência e pela Avenida Rio Branco com destino às escadarias da Câmara de Juiz de Fora. Os estudantes detiveram-se, no entanto, no cruzamento da Avenida Rio Branco com a Rua Halfeld, obstruindo o tráfego nas três pistas. Nesse momento, segundo relatou André, um agente de trânsito da Secretaria de Transportes e Trânsito (Settra) tentou passar pelo local com uma motocicleta. Foi quando o professor colocou-se à sua frente e impediu a passagem. Policiais militares presentes no local, então, pediram para o educador se retirar. Frente à sua recusa, foi dada voz de prisão (ver quadro).

André considerou a atitude dos policiais e do agente de trânsito como lamentáveis e desnecessárias. "Estava com medo de que a motocicleta atingisse um estudante. Falei isso com os policiais e com o agente. Não podia deixar a motocicleta passar para não machucar ninguém." As explicações não impediram que o professor fosse detido. Toda ação foi filmada por um aluno por meio de um aparelho de celular. Para André, o mais grave foi o fato de os estudantes presenciarem e registrarem um professor sendo imobilizado e algemado. "Isso não contribui em nada para a educação desses adolescentes. É um desserviço por parte de agentes do estado." O educador contou ainda que, ao chegar na delegacia, os policiais tentaram justificar a ação repetida vezes. "A sensação era de que eles sabiam do excesso cometido."
Assessora de comunicação organizacional do 2º Batalhão da PM, capitão Kátia Moraes, informou não ter recebido, até o fim da tarde de ontem, qualquer reclamação quanto ao comportamento dos policiais durante a manifestação dos estudantes. Segundo ela, a presença da Polícia Militar era para resguardar a integridade dos estudantes e das pessoas nas proximidades da manifestação. Quanto à detenção do professor, ela afirmou que, caso surja algum problema, o episódio será devidamente apurado. A assessoria da Prefeitura de Juiz de Fora informou que o agente de trânsito aproximou-se dos manifestantes com a motocicleta no intuito de criar uma barreira para evitar o avanço de carros.
Greve
Os professores da rede pública estadual, representados pelo Sind-UTE, e as secretarias de Planejamento e Gestão, Renata Vilhena, e de Educação, Ana Lúcia Gazzola, voltam à mesa de negociação hoje para tentar colocar fim à greve da categoria que chega ao seu 86º dia. Na manhã de ontem, o sindicato se reuniu com o procurador-geral de Justiça, Alceu Torres Marques em uma tentativa para solucionar o impasse. Os representantes dos docentes reiteraram a necessidade de o Governo apresentar uma tabela com aplicação do piso salarial no vencimento básico. O Ministério Público chegou a propor a suspensão da greve independentemente de uma nova proposta governista, o que o sindicato deixou claro é que não seria possível.








