Avanço de Bruno Siqueira mobiliza tarcisistas
O sinal verde dado pelo presidente nacional do PMDB, senador Valdir Raupp, para a candidatura do deputado estadual Bruno Siqueira (PMDB) à Prefeitura de Juiz de Fora acendeu a luz amarela na ala peemedebista local ligada ao ex-prefeito Tarcísio Delgado (PMDB). Até então atuando apenas como observadores das articulações do único herdeiro político do ex-presidente Itamar Franco em exercício de mandato, os chamados "tarcisistas" querem aproveitar eventos de confraternizações de final de ano para demarcarem território e externarem suas posições. A primeira rodada de conversa está prevista para acontecer na primeira semana de dezembro. Além da hipótese de apoiar a candidatura de Bruno, o grupo trabalha com a possibilidade de fazer aliança com o PT da ex-reitora da UFJF Margarida Salomão ou com o PSB do deputado federal Júlio Delgado (PSB), herdeiro político de Tarcísio.
A contar pelos diretórios do PMDB de Juiz de Fora e de Minas, Bruno tem carta branca para concorrer ao cargo de prefeito no próximo ano. Entre os peemedebistas locais, ele tem amplo apoio de todos futuros candidatos a vereador, bem como dos atuais membros a bancada do partido na Câmara Municipal: Júlio Gasparette, Francisco Canalli e José Sóter de Figueirôa Neto. Em Belo Horizonte, tem trânsito livre com o presidente estadual, deputado federal Antônio Andrade (PMDB), que no passado foi líder do então governador Itamar Franco na Assembleia. Tanto aqui como na capital, Bruno ainda conta a seu favor com todos os discursos favoráveis ao fortalecimento da legenda por meio de candidaturas majoritárias. O próprio deputado ao tratar da possibilidade de ser candidato a prefeito refere-se à hipótese como determinação do PMDB. "O partido quer ter candidato, e estamos conversando quanto a isso."
Alta cúpula
O maior problema de Bruno hoje está em Brasília. É na alta cúpula do partido que Tarcísio tem seu maior trunfo. Amigo pessoal do vice-presidente Michel Temer (PMDB) e com respaldo junto a caciques da estatura do senador Renan Calheiros (PMDB), o ex-prefeito sabe que pode jogar com o fato de cidades com dois turnos serem consideradas estratégicas para sigla e, por isso, são passíveis de interferência de cima. Na avaliação de uma graduado tarcisista, no entanto, tal extremo não será necessário. "O PMDB de Juiz de Fora vai se entender e caminhar junto." Sua avaliação é de que será difícil remover o nome de Bruno da disputa, "caso ele esteja mesmo querendo vencer". O receio é quanto a uma possível vinculação do deputado com o Palácio da Liberdade. Mesmo argumento foi usado por Tarcísio quando falou publicamente sobre a questão durante encontro regional da sigla em agosto. Na ocasião, ele referendou a viabilidade do nome de Bruno, mas pediu cautela quanto à possibilidade de o PMDB ser usado como candidatura auxiliar para favorecer outros concorrentes.
Trocando em miúdos, Tarcísio e seu grupo temem que, pela proximidade de Bruno, do ex-deputado Marcello Siqueira e do presidente da Cemig, Djalma Morais, com o senador Aécio Neves (PSDB), a candidatura do deputado à Prefeitura torne-se um artifício para favorecer a reeleição do prefeito Custódio Mattos (PSDB). Nesse sentido, a saída de André Borges da Cesama, que também é do grupo dos herdeiros de Itamar Franco, foi considerada como uma sinalização de afastamento. Para os tarcistas, entretanto, ainda é preciso deixar o distanciamento com o Palácio da Liberdade mais claro.








