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Marina não descarta apoio tucano no 2º turno


Por RENATO SALLES

27/09/2014 às 06h00

Ao lado de Tarcísio e Júlio, Marina fez comício em palanque na esquina das ruas Batista com Halfeld

Ao lado de Tarcísio e Júlio, Marina fez comício em palanque na esquina das ruas Batista com Halfeld

Candidata à Presidência foi assediada por eleitores

Candidata à Presidência foi assediada por eleitores

A candidata à Presidência Marina Silva (PSB) não confirma e nem descarta a possibilidade de aceitar apoio do presidenciável Aécio Neves (PSDB), caso as tendências de momento mostradas pelas pesquisas de opinião, que apontam um segundo turno entre a ex-senadora e a presidente Dilma Rousseff (PT), se confirmem. Durante visita a Juiz de Fora, no início da noite de ontem, Marina evitou debater o assunto e garantiu que nunca tratou nenhuma outra candidatura como se fosse uma linha auxiliar de seu objetivo de chegar ao Palácio do Planalto. “Estamos em uma eleição de dois turnos, e todas as candidaturas são legítimas. Segundo turno a gente discute no segundo turno. No primeiro turno, a gente deve discutir nossas propostas, principalmente, na forma de um programa, o que, infelizmente, nossos adversários ainda não apresentaram”, atacou.

Marina voltou a ser evasiva quando perguntada se os recentes ataques feitos à sua candidatura por Aécio, terceiro colocado nas pesquisas de intenção de voto, poderiam ser um empecilho para uma possível aproximação com o intuito de derrotar o PT, que mantém a hegemonia do Governo federal há 12 anos. “Segundo turno nos discutimos no segundo turno”, reforçou, taxativa. Alheia às conjecturas de apoios futuros, a presidenciável defendeu uma vez mais que sua candidatura faz parte de uma aliança entre o PSB e Rede Sustentabilidade e as demais legendas da coligação, deixando transparecer que o intuito de fundar sua própria sigla permanece vivo.

“Fizemos uma aliança entre dois partidos. O Eduardo (Campos, ex-candidato à Presidência, vítima de acidente aéreo no último dia 13 de agosto) ofereceu uma forma para que pudesse participar do processo político, que foi o expediente da filiação administrativa temporária, que era muito usado no período da ditadura, quando os partidos de esquerda não tinha registros e se filiavam ao MDB. Isso nunca foi nenhum problema entre nós, Rede e PSB, nem para os partidos da aliança. Sou candidata dos partidos da aliança. Vou governar com os partidos da aliança, com os melhores do outros partidos e com os melhores da academia, dos movimentos sociais e do funcionalismo publico.”

Propostas

Durante entrevista com a imprensa no Aeroporto Francisco Álvares de Assis (Serrinha), Marina voltou a defender algumas de suas propostas de governo, como a alocação de 10% da arrecadação bruta no atendimento da saúde e a utilização dos 10% da educação para a implementação da educação de tempo integral em todo o país. A candidata prometeu ainda trabalhar pela revisão do chamado fator previdenciário. “O fator previdenciário, que foi uma criação do Governo do PSDB e mantido no Governo do PT, tem prejudicado a vida dos trabalhadores, principalmente dos aposentados. Então, assumimos o compromisso que vamos revisitar essa questão e buscar a melhor forma de reparar as injustiças que vem sendo praticadas.”

A presidenciável declarou ainda que pretende fazer alterações na política externa nacional. “Ter relação com a África, com a Ásia e com o nosso bloco no contexto da América Latina é muito importante. Agora, estabelecer parcerias com essas regiões, não significa deixar de fazer parceria bilaterais com outros países, como os europeus e os Estados Unidos. E tantos outros que poderíamos estar buscando parcerias importantes, o que, infelizmente, não vem sendo feito.”

PSB faz dois comícios em dois dias

A visita de ontem foi a segunda passagem de Marina por Juiz de Fora durante a atual campanha eleitoral. Há exatos dois meses, no dia 26 de julho, a presidenciável esteve na cidade na condição de candidata à vice-presidente em companhia de Eduardo Campos, então cabeça de chapa do PSB. Ao lado do deputado federal Júlio Delgado (PSB), que tenta a reeleição, e de Tarcísio Delgado (PSB), que disputa o Governo de Minas, a ambientalista participou de um comício no cruzamento das ruas Halfeld e Batista de Oliveira, na maior movimentação de candidatos em solo juiz-forano desde o início do período eleitoral. Um dia antes, na quinta-feira, o PSB já havia realizado a primeira ação similar no município, quando, acompanhados por Romário – ex-jogador e candidato ao Senado pelo Rio de Janeiro – Tarcísio e Júlio realizaram um comício na praça do Bairro Santa Luzia.

Após desembarcar no Aeroporto da Serrinha às 18h05, Marina subiu no palanque armado em um trio elétrico no Calçadão da Rua Halfeld às 18h50. Tarcísio Delgado foi o primeiro a falar. “É um momento de emoção profunda. Estou diante do meu povo.”, afirmou o ex-prefeito de Juiz de Fora, antes de criticar a política tributária do Governo tucano em Minas e falar em esvaziamento econômico da cidade e região. Em seguida, a candidata à Presidência voltou a defender uma mudança nos rumos do país. “Nossa campanha está sendo feita espontaneamente por pessoas comprometidas com a mudança. Eu e Beto (Albuquerque, PSB, candidato a vice-presidente) assumimos a responsabilidade de não desistir do Brasil. No país inteiro, as pessoas querem mudança”, discursou.

Pedido e ataque

Para a reta final de campanha – as eleições acontecem no próximo domingo, dia 5 -, Marina conclamou a militância a arregaçar as mangas e pediu que o presentes lhe fizessem uma doação. “Fiquem tranquilos que não é dinheiro. Peço o bem mais precioso de você, que é o tempo. Peço que vocês nos ajudem e ajudem à candidatura de Tarcísio nas redes sociais, já que a campanha de Dilma (Rousseff, presidente e candidata à reeleição) tem 20 mil pessoas pagas atuando na internet. São os ‘mensaletes'”, atacou. Como nem Dilma e nem Aécio Neves (PSDB) visitaram Juiz de Fora, Marina foi a segunda presidenciável a passar pela cidade na atual campanha eleitoral. O primeiro foi justamente seu antecessor na cabeça da chapa do PSB, Eduardo Campos.