PSL foi o partido mais votado em Juiz de Fora

Com o maior número de candidatos, sigla teve o melhor desempenho na cidade nas disputas por vagas na ALMG e na Câmara dos Deputados


Por Renato Salles

25/10/2018 às 07h00- Atualizada 25/10/2018 às 08h33

eleiçoes 2018novaO bom desempenho eleitoral do deputado federal Jair Bolsonaro (PSL) no primeiro turno das eleições presidenciais provocou um efeito cascata que beneficiou diversos candidatos a outros cargos Brasil afora. Bolsonaro obteve 49.276.990 votos (46,03%) da votação válida e disputa o segundo turno contra Fernando Haddad (PT), que registrou 31.342.005 votos (29,28%). Em uma análise inicial, considera-se que a onda Bolsonaro impulsionou o resultado de candidaturas aos governos estaduais, como a de Romeu Zema (Novo), que avançou também ao segundo turno com 4.138.967 votos (42,73% dos votos válidos) e vai enfrentar Antonio Anastasia (PSDB), que teve 2.814.704 votos (29,06%). Tal efeito também repercutiu nas eleições proporcionais. Tanto que, em Minas, mesmo correndo sozinho, sem coligação, o PSL conseguiu eleger seis deputados estaduais e seis estaduais. Em Juiz de Fora, a legenda foi quem mais recebeu votos na disputa proporcional, totalizando 111.548 votos, ficando mais de 14 mil votos à frente do PT, segundo colocado.

Para a aferição do desempenho dos partidos nas eleições proporcionais, a Tribuna somou todos os votos nominais recebidos por candidatos a deputado estadual e a deputado federal de cada sigla em Juiz de Fora, além dos votos em legenda de cada agremiação partidária nas duas disputas. Assim além do efeito Bolsonaro, também pesou para a boa votação do PSL o fato de o partido ter corrido sozinho e apresentado o maior número de candidatos a cadeiras parlamentares no estado. Ao todo, a sigla de Bolsonaro contou com 176 candidaturas. Foram 98 postulantes a uma cadeira na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) e 78 a Câmara dos dos Deputados. Para se ter uma ideia, o PT, que foi o segundo partido com o melhor desempenho eleitoral na cidade no recorte feito pela reportagem, com 97.173 votos nos pleitos proporcionais, concorreu com 61 candidatos — 34 à ALMG e 27 para o Congresso Nacional.

Desta forma, os candidatos do PT tiveram uma melhor votação na “média”. Considerando o número de concorrentes, os petistas tiveram o melhor desempenho na cidade, computando uma relação de cerca de 1.593 votos por candidato. Neste quesito, outros três partidos ficaram à frente do PSL, que teve uma média de aproximadamente 634 votos por candidato: PRB (média de 888 votos por candidato); MDB (média de 660 votos por candidato) e PSB (635 votos por candidato).

Polarização
Curiosamente, os resultados locais replicaram a polarização entre PSL e PT, que marca a disputa pela Presidência da República. Além de serem as mais votadas na cidade nas disputas proporcionais, as duas legendas também foram as que mais elegeram deputados na cidade. Dos sete nomes com domicílio eleitoral na cidade que saíram vitoriosos das urnas no último dia 7 de outubro, dois são do PSL e dois são do PT. Para a Câmara dos Deputados, as legendas elegeram Margarida Salomão (PT) e Charlles Evangelista (PSL). Para a ALMG, o mesmo cenário, com o sucesso eleitoral de Sheila Oliveira (PSL) e Roberto Cupolillo (Betão, PT).

Os dois partidos também tiveram os candidatos mais votados em Juiz de Fora nas duas disputas, com protagonismo para as mulheres. Margarida foi a candidata a deputado federal com o melhor desempenho nas urnas juiz-foranas, computando 47.172 votos. Entre os concorrentes à Assembleia, Sheila foi a mais votada, com o apoio de 44.175 eleitores com domicílio eleitoral em Juiz de Fora.

 

Bom desempenho é puxado por quadros locais

Outros resultados percebidos no levantamento feito pela Tribuna mostram que o bom desempenho eleitoral dos partidos em Juiz de Fora nas eleições proporcionais parece atrelado a candidaturas fortes no âmbito local. Dos quatro partidos mais bem votados nas urnas juiz-foranas nas disputas pela Assembleia e pela Câmara dos deputados, todos elegeram pelo menos um deputado. Além do PSL — que elegeu Charlles e Sheila — e do PT —  que garantiu mandatos com Margarida e Betão —, o PSB foi o terceiro mais bem votado no município e reelegeu o deputado federal Júlio Delgado (PSB); e o PSC foi o quarto, também reelegendo do deputado estadual Noraldino Júnior (PSC).

O outro parlamentar eleito com domicílio eleitoral na cidade foi o deputado estadual Lafayette Andrada (PRB), que conseguiu uma vaga na Câmara dos Deputados a partir de 1º de fevereiro de 2019. Seu partido, o PRB, foi o oitavo mais votado na cidade. Tal desempenho também reflete os resultados eleitorais obtidos por Lafayette. No último dia 7, dois anos após ter sido candidato à Prefeitura de Juiz de Fora (PJF), o parlamentar computou apenas 1.634 votos na cidade, tendo sido mais votado em Belo Horizonte, Barbacena, Araguari, Contagem, Santa Luzia, Sabará, Betim e Ribeirão das Neves.

Performance de outras agremiações

Por outro lado, os partidos dos atuais deputados com domicílio eleitoral na cidade, mas que não conseguiram suas reeleições, tiveram desempenhos distintos. Apesar de o deputado estadual Isauro Calais (MDB) não ter conseguido afiançar nas urnas mais quatro anos de mandato, seu partido teve um desempenho razoável na cidade e foi o quinto a computar mais votos nas urnas locais. O número, no entanto, foi bem abaixo do apresentado por PSL e PT e responde por 32.523 eleitores. Sem um candidato a deputado federal com domicílio eleitoral na cidade, tal resultado foi potencializado, basicamente pelas candidaturas à Assembleia de Isauro, que teve 15.555 votos nas urnas locais; e do ex-prefeito Bruno Siqueira (MDB), que somou 12.298 votos.

Já o PPS, partido pelo qual o deputado estadual Antônio Jorge concorreu, também não conseguiu um bom desempenho nas urnas locais, computando apenas 7.497 votos, na 15ª colocação. Destes, 6.268 foram para Antônio Jorge, desempenho insuficiente para impulsionar sua candidatura.

O PSDB do deputado federal Marcus Pestana (PSDB), outro que não conseguiu se reeleger, ficou na 10ª colocação. Os candidatos a deputados tucanos receberam 12.548 votos nas urnas juiz-foranas, sendo que, destes, 7.103 foram destinados para Pestana. Chama atenção o fato de, apesar de estar no comando da PJF pela caneta do prefeito Antônio Almas (PSDB), o partido teve um desempenho inferior ao de legendas como o Novo, estreante em contendas estaduais, o PSOL, e o PHS.

PT lidera votos de legenda

Se o PSL lidera a soma dos votos nominais dados a candidatos a deputados, o PT é o primeiro quando o quesito é o voto de legenda. No último dia 7 de outubro, o partido recebeu 10.891 votos em que eleitor não se manifestou favoravelmente a um candidato específico para ocupar determinada vaga, mas ratifica nas urnas o desejo de que qualquer candidato daquela legenda exerça o cargo em jogo. Na sequência, vieram o PSL, com 6.756 votos; o Novo, com 4.449; o PDT, com 2.865; e o PSDB, com 1.607.

Curiosamente, as cinco siglas mais votadas neste quesito apresentaram uma proposta de país nas eleições do último dia 7, quando levaram ao eleitorado candidaturas próprias à Presidência da República. Além de Jair Bolsonaro (PSL) e Fernando Haddad (PT), que disputam o segundo turno, também foram candidatos pelas siglas citadas anteriormente João Amôedo (Novo), Ciro Gomes (PDT) e Geraldo Alckmin (PSDB).

Cabe lembrar que as novas regras eleitorais que entraram em vigor no atual pleito reduziram a importância do voto de legenda. Isto porque, mesmo que um partido ou coligação conquistasse um determinado número de vagas com a aplicação do quociente eleitoral aplicado sobre sua votação, só poderiam ocupar as cadeiras candidatos que 10% do quociente eleitoral. Caso não haja na chapa postulante com tal desempenho, o partido ou coligação perde as cadeiras em questão, e a vaga é redistribuída entre candidatos que obtiveram a votação mínima estabelecida pela legislação vigente.

No âmbito nacional, por exemplo, o PSL foi o partido que registrou a maior votação, mas acabou afetado pela regra de desempenho citada anteriormente. Em São Paulo, por exemplo, a sigla teve votos suficientes para eleger 17 deputados, no entanto, apenas dez tiveram votação superior à barreira de 10% do quociente eleitoral. Assim, o partido acabou perdendo sete cadeiras. Situação similar ocorreu com Novo, no Rio Grande do Sul, que obteve votação suficiente para eleger dois deputados federais, mas, de fato, garantiu apenas uma vaga.