Eduardo Jorge defende renegociação do teto de gastos
Candidato a vice de Marina, o ex-deputado federal defende responsabilidade fiscal no governo. Ele cumpriu agenda eleitoral neste sábado (25) em Juiz de Fora


Postulante à presidência da República ainda em 2014, o médico sanitarista defende, desde então, ajustes fiscais no orçamento governamental, proposta econômica contemplada também pelo atual programa da coligação “Unidos para transformar o Brasil”. Questionado sobre a Emenda Constitucional nº 95 – PEC do Teto dos Gastos Públicos -, Eduardo pontuou que “remédios dados em doses exageradas matam os pacientes”. “Realmente, temos que colocar ordem na casa por conta do descalabro que a Dilma fez, mas também não podemos matar as políticas de saúde, educação, saneamento etc. Vamos ter que renegociar. Teremos que mexer na PEC do Teto, mas temos que sinalizar que é um governo responsável, que as reformas fiscais, tributárias e da previdência vão andar.”


Enquanto um dos responsáveis pela elaboração da Constituição, Eduardo afirmou que, à época, junto a “conservadores, liberais e socialistas pensava em descentralizar a república federalista”, uma vez que a postura do regime militar era contrária. A respeito de uma possível recepção de Marina Silva à renegociação da dívida dos estados com a União, o ambientalista acenou positivamente. “Os estados do Brasil precisam fazer uma revolução federalista. Passados 30 anos (da Assembleia constituinte), Brasília continuou macrocéfala, pesada. Concentra todos os recursos em suas mãos. E os estados e municípios ficam como pedintes. O que nós precisamos para avançar a democracia no Brasil, entre outras reformas importantes, é rediscutir a divisão federalista.”
Perguntado sobre a aliança entre a Rede Sustentabilidade e o Partido Verde, o ambientalista a atribuiu à crise da democracia brasileira. “A união com a Marina, do PV com a Rede, é uma coisa muito boa porque sinaliza que nós temos uma candidata com experiência, passado, história e capacidade de diálogo – inclusive com as forças conservadores, liberais e socialistas – para reunificar o país. A Marina é a única candidata que tem condições de reunificar o país.” Em 2011, Marina Silva deixou o PV após crise interna protagonizada pelo então presidente da legenda e deputado federal, José Luiz Penna (PV); em 2014, disputou as eleições presidenciais pelo PSB após o registro da Rede ser indeferido pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Na ocasião, Eduardo Jorge pleiteou a Presidência pelo PV.
Alternativa aos líderes
Ex-secretário de Saúde de São Paulo durante as gestões Luiza Erundina (1989-1993) e Marta Suplicy (2001-2005) – ambas, à época, filiadas ao PT -, Eduardo, ao passo que endossa a ex-senadora Marina Silva (Rede) como opção de reunificação política do país, critica a polarização entre as candidaturas de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Jair Bolsonaro (PSL), ambos à frente da coligação Rede Sustentabilidade e Partido Verde nas pesquisas de intenções de voto. “Nós precisamos escolher um rumo de reunificação e reconstrução do Brasil. Não vai ser nem na extrema-direita, nem na extrema-esquerda, que nós vamos conseguir reunificar o país. Se Bolsonaro, na extrema-direita, ou Lula, na extrema-esquerda – ou quem ele vai sugerir -, ganhar a eleição, vamos ter mais quatro anos de briga na rua. De desunião.”
Embora critique Lula em razão das escolhas de Dilma Rousseff (PT) e Fernando Haddad (PT) para, respectivamente, concorrerem à Presidência e à Prefeitura de São Paulo, o ambientalista crê que “a turma do Lula tem força ainda e é muito provável que vá para o segundo turno”. “A gente tem que ter a tática de colocar no segundo turno alguém que tenha capacidade para reunificar o Brasil e enfrentar o Lula com sucesso”, diz Eduardo Jorge. “O nosso programa é popular, preocupado com as famílias de trabalhadores, agricultores e pequenos comerciantes. Eu peço a vocês, principalmente às mulheres, que conheçam a história da Marina.”
Pedro Leitão
Ex-secretário de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Pedro Leitão (PV) disputará, pela chapa “Minas para todos” – coligação MDB, PDT, PSB, PV e PRB -, uma vaga na Câmara dos Deputados. Leitão é um dos administradores da Rede de Ensino Doctum. “O meu vínculo com Juiz de Fora é muito grande, porque a maior unidade da nossa rede de ensino está aqui. Há mais de 15 anos nós investimos na cidade e a gente é testemunha de que é uma cidade que precisa de mais representação política.” O empresário tem “mais de 20 anos de experiência na área de gestão pública”; atuou em sua cidade natal, Caratinga, Região Metropolitana do Vale do Aço, como secretário de Educação e, também, de Desenvolvimento Econômico.
Na última sexta-feira (24), o PV assumiu relevante posição na corrida ao Palácio da Liberdade. O candidato a governador Adalclever Lopes (MDB) anunciou a publicitária Adriana Buzelin (PV) como candidata a vice-governadora na chapa, cuja trajetória foi ressaltada por Leitão. “É uma pessoa que defende pessoas com deficiência, mas também defende idosos, animais e igualdade. É importante porque mostra que o PV está ocupando espaço e, nesse sentido, acreditamos que isso pode se configurar como uma terceira via em Minas Gerais.” Presidente do Partido Verde em Juiz de Fora, o vereador José Márcio Garotinho fez-se presente no evento.










