PSB e MDB se aproximam em torno de candidatura de Márcio Lacerda

Partidos podem formar composição para apoiar candidatura de ex-prefeito de Belo Horizonte ao Governo de Minas Gerais; MDB pode indicar o vice


Por Renato Salles

25/07/2018 às 21h12

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Adalclever Lopes (MDB) seria o indicado para chapa com Márcio Lacerda (Foto: Guilherme Bergamini/ALMG/TM)

Após as especulações ganharem força nos últimos dias, PSB e MDB parecem mais próximos de um acordo para uma composição em torno da possível candidatura do ex-prefeito de Belo Horizonte, Marcio Lacerda (PSB), ao Governo de Minas Gerais. Segundo fontes da capital mineira, a aproximação é dada como certa, mas ainda há algumas pendências para uma oficialização. As costuras passam pelas definições dos nomes a serem indicados como candidatos a vice-governador e ao Senado.

A aproximação com o MDB deve atrair outros partidos que podem consolidar o nome de Marcio Lacerda como uma terceira via à polarização protagonizada por PT, que vai lançar o governador Fernando Pimentel (PT), e PSDB, que disputa a corrida pelo Governo de Minas Gerais com o senador Antonio Anastasia (PSDB). Outras siglas que já estão próximas de Lacerda são PDT e PROS.

Com grande capilaridade no estado, o MDB deve ter a prerrogativa de escolher se deseja indicar o candidato a vice-governador ou ao Senado. Dificilmente, porém, a sigla deverá encampar as duas vagas. Em um primeiro momento, as especulações dão conta de que o favorito dos emedebistas para compor a chapa seria o presidente da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), o deputado estadual Adalclever Lopes (MDB).
Os nomes dos deputados federal Fábio Ramalho, Leonardo Quintão e Saraiva Felipe, que preside a comissão provisória do MDB em Minas, também são ventilados como possíveis indicados pelo MDB. Por outro lado, caso o MDB não opte pela vaga de vice-governador, a composição na chapa pode ser ocupada por quadros de outros partidos, e os nomes do deputado estadual Fábio Cherem (PDT) e do deputado federal Jaime Martins (PROS) pareceriam como opções neste cenário.

Apesar de fontes de Belo Horizonte classificarem as conversas entre PSB e MDB como avançadas, a composição sofreu resistência de um grupo de pré-candidatos do PSB à ALMG e à Câmara dos Deputados que, na última terça-feira (24), encaminhou um documento à executiva nacional da legenda, em que considerou que a aliança seria prejudicial a intenção da sigla em formar bancadas parlamentares fortes em Minas Gerais.

Entre aqueles que se declaram contrários à aproximação, destaca-se o deputado federal juiz-forano Júlio Delgado (PSB). Uma fonte do MDB da Zona da Mata apresentou entendimento similar e afirmou que o acordo de emedebistas e socialistas ainda pode esbarrar no desconforto provocado entre postulantes a cadeiras parlamentares.

Assim, os desdobramentos das negociações devem se estender pela próxima semana. A convenção do PSB para a definição de candidatos está agendada para o dia 4 de agosto. Um dia depois será a vez do MDB se reunir para definir seu futuro nas eleições de outubro no âmbito estadual. A Tribuna tentou ouvir os presidentes dos diretórios estaduais das duas legendas para um posicionamento oficial das siglas, mas não conseguiu contato

Não agressão

Matéria publicada pelo jornal o Tempo nesta quarta-feira (25) especulou ainda que o nome a ser indicado pelo grupo que orbita a pré-candidatura de Marcio Lacerda pode passar por conversas com o governador Fernando Pimentel, que devem acontecer até esta quinta. O informativo de Belo Horizonte chegou a afirmar ainda que as partes podem trabalhar em um acordo de não agressão durante a campanha eleitoral, o que permitiria uma aproximação das duas candidaturas caso uma das partes seja alijada do segundo turno da contenda eleitoral que irá definir o futuro Governo de Minas Gerais.

Pimentel rebate críticas de Anastasia

Também postulantes ao Governo de Minas Gerais nas eleições de outubro, o governador Fernando Pimentel (PT) e o senador Antonio Anastasia (PSDB) trocaram farpas publicamente sobre a gestão do Estado. Um dia após o tucano fazer duras críticas ao petista, citando o atraso de pagamento aos servidores e a decisão de fechar o Palácio Tiradentes, na Cidade Administrativa – medida anunciada em fevereiro para a contenção de despesas, Pimentel rebateu o adversário político em vídeo divulgado pelo site do diretório estadual do PT. “Só de ar-condicionado gastamos R$ 10 milhões por mês”, disparou o governador.

O petista ainda afirmou que recebeu dos governos dos senadores Aécio Neves (que foi governador entre 2003 e 2010) e de Anastasia (2010 a 2014) um déficit financeiro de R$ 8 bilhões. Pimentel comentou a alegação de Anastasia de que as gestões tucanas teriam colocado em marcha um plano de desenvolvimento para a Região Norte, o chamado Vetor Norte. “O que ele chama de plano de desenvolvimento (eu chamo) de especulação imobiliária. O que eles fizeram ali foi enfiar R$ 2 bilhões, a preços de hoje, em uma obra absolutamente desnecessária, faraônica, que dá um custo absurdo de manutenção ao Estado”, afirmou.