Vereadores questionam reajuste na conta de água
Vereadores questionaram, durante a reunião ordinária de ontem, o reajuste temporário de 10,12% na conta de água da Cesama, previsto para vigorar entre agosto deste ano a maio de 2016. Além de contestar o repasse à população dos custos da obra de interligação da Represa de Chapéu D’Uvas à Estação de Tratamento de Água (ETA) Marechal Castelo Branco, na Remonta, o vereador Roberto Cupolillo (Betão, PT) reclamou da falta de convite oficial para que o Legislativo participasse da audiência sobre o reajuste. Autorizado pela Agência Reguladora de Serviços de Abastecimento de Minas Gerais (Arsae-MG), o projeto tem custo estimado de R$ 8 milhões e visa a aliviar os efeitos gerados pela escassez hídrica, preservando o reservatório da Represa João Penido. A previsão de arrecadação com o aumento é de R$ 10,2 milhões.
Betão cobrou da companhia esclarecimentos sobre o solução encontrada para reparar os problemas das obras na ETA Walfrido Machado Mendonça (ETA-CDI). Conforme apontado pela Tribuna em abril, a estação que hoje é responsável pelo tratamento da água do Ribeirão do Espírito Santo apresenta rachaduras em decorrência de uma ampliação que vem sendo realizada desde 2010. A obra serviria para que a ETA-CDI também tratasse a água de Chapéu D’Uvas. “Está claro que a população de Juiz de Fora está pagando duas vezes esta conta. As rachaduras aumentaram. E a Cesama apresenta essa alternativa, para resolver o problema. Peço à Mesa Diretora a convocação de uma audiência pública, ainda para julho, para discutirmos junto à população esta situação”, propôs. Jucelio Maria (PSB) e José Emanuel (PSC) engrossaram o coro contra o reajuste.
Em resposta, o vereador José Márcio (Garotinho, PV) justificou a ação da companhia a fim de garantir o abastecimento, explicando a inviabilidade de se aplicar mais recursos para garantir o tratamento no CDI. “Em sã consciência, nenhum engenheiro colocaria dinheiro naquela obra. É uma região com um recalque (situação em que o solo cede) histórico”, explicou. O vereador Luiz Otávio (Pardal,PTC) saiu em defesa do Executivo, responsabilizando a Arsae pelo impacto no bolso do contribuinte. “Quando se fala em reajuste, a Arsae é que possibilitou essas condições. Tenho certeza que se dependesse somente do prefeito e dos diretores da Cesama, isso não estaria acontecendo”, reafirmou.
A Cesama preferiu não se posicionar sobre o reajuste e solicitou que a Arsae fosse procurada. Já a assessoria da Arsae não soube informar se foi feito convite aos vereadores, mas destacou que o regulamento define apenas que seja realizada a audiência para tornar pública a proposta do aumento. “Não existe obrigatoriedade sobre o envio de convites formais às autoridades locais.” A assessoria ressaltou, ainda, que a audiência foi anunciada nos veículos de comunicação.









