Professores em greve impedem designação

Ato aconteceu em colégio no Cerâmica, Zona Norte
Sob tumulto, acirrado pela agitação dos alunos, professores em greve conseguiram impedir, na tarde de ontem, a designação de substitutos na Escola Estadual Maria Elba Braga, no Bairro Cerâmica. As designações fazem parte de um pacote de medidas do Governo de Minas para tentar minimizar os efeitos da paralisação de docentes, que completa hoje 109 dias. Sete candidatos se apresentaram para pleitear duas vagas para português, uma para história e uma para geografia, esta última para substituir o professor André Nogueira, preso no dia 30 de agosto durante uma manifestação de estudantes e educadores na Avenida Rio Branco na altura da Rua Halfeld. Apenas um candidato foi designado, para uma vaga de português, enquanto os outros seis desistiram durante o processo após a pressão.
Representantes do comando de greve do Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação (Sind-UTE) alegaram que as designações na escola estariam ocorrendo de forma ilegal, uma vez que, segundo eles, o calendário de reposição apresentado pela escola não foi aprovado pelo colegiado, que reúne a Superintendência Regional de Ensino, os professores da instituição e os pais dos alunos. "Não existe reposição, porque não foi encerrada a greve", argumentou a professora Maria José Dias Fontes. Eles também afirmaram que um dos sete candidatos que se apresentaram chegou dez minutos após o horário previsto no edital, o que invalidaria sua designação.
O Sind-UTE acionou a Polícia Militar, mas os policiais só chegaram ao local por volta de 16h, duas horas depois do primeiro telefonema, após a direção da escola também convocar a PM. Pouco antes, a Tribuna foi impedida de entrar na instituição (embora houvesse outros jornalistas no pátio), o que aumentou o tumulto provocado pelos adolescentes no pátio, que aproveitaram a confusão para gritar palavras de ordem contra uma professora. A gritaria, contudo, esfriou rapidamente, e a reportagem da Tribuna foi autorizada a entrar cerca de meia hora depois de ter chegado ao portão. A instituição não registrou ocorrência, mas os grevistas fizeram um boletim contra as designações.
O diretor da Escola Maria Elba Braga, Clésio Martins, justificou que está apenas cumprindo a determinação da Secretaria de Estado de Educação, que autorizou a contração de professores para substituir os grevistas. "Como as designações são em caráter emergencial, elas podem ser feitas mesmo sem a aprovação do calendário pelo colegiado", afirmou. O vice-diretor, Miguel Henrique, completou: "Temos responsabilidade também com a comunidade. Temos que dar andamento à escola". Sobre a demora na liberação da entrada da Tribuna, o vice-diretor disse que foi apenas para evitar ainda mais tumulto.
Em nota, a Secretaria de Estado de Educação ressaltou que "a paralisação dos professores da rede estadual foi decretada abusiva pelo Tribunal de Justiça de Minas Gerais" e que "o mesmo Tribunal já negou três pedidos do sindicato para que as designações fossem interrompidas e assegurou à Secretaria o direito de contratar professores substitutos". Segundo a nota, "a Secretaria lamenta a postura dos sindicalistas que estiveram hoje na Escola Maria Elba Braga, pois além de contrariar decisões judiciais, eles prejudicaram o direito dos estudantes de retomar a rotina de aulas e dos profissionais de trabalhar".








