Pré-candidatos do PSB recorrem a Executiva nacional contra conversas com MDB

Defensores de candidatura de Márcio Lacerda ao Governo tentam entendimento com emedebistas. Possível coligação é rechaçada por lideranças como o deputado federal juiz-forano Júlio Delgado


Por Renato Salles

24/07/2018 às 21h07

eleições 2018Um grupo de cerca de 40 pré-candidatos a deputados estaduais e federais e membros da executiva estadual do PSB em Minas Gerais encaminharam ao presidente nacional da sigla, Carlos Siqueira, um ofício em que rejeitam uma possível aliança com o MDB no estado. A coligação estaria sendo aventada pelo atual comando do PSB mineiro. Um acordo com emedebistas é trabalhado por defensores da pré-candidatura do ex-prefeito de Belo Horizonte, o empresário Márcio Lacerda (PSB), ao Governo de Minas.

marcio lacerda fernando
Ex-prefeito de Belo Horizonte é o nome defendido pela possível coligação (Foto: Fernando Priamo)

“Refutamos veementemente a intenção de coligação com o MDB manifestada publicamente pela presidência do partido em Minas e pela pré-campanha majoritária (de Lacerda). Também nos colocamos contrários à coligação com o PROS ou com o PDT porque elas implicariam em uma redução significativa de mandatos federais e estaduais do PSB em relação aos resultados obtidos em 2014”, afirma o documento. O texto leva a assinatura do único deputado federal da legenda por Minas Gerais, o juiz-forano Júlio Delgado (PSB).

Os signatários do documento defendem a necessidade de articulações com partidos que ajudem ao PSB mineiro a eleger bancadas fortes tanto na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) como na Câmara dos Deputados. “Dos cerca de 50 pré-candidatos presentes, saiu um documento com 46 assinaturas, dizendo que temos que fazer uma coligação que possa ser vantajosa para a chapa de candidatos a deputados federal e estadual. Nem que, para isto, tenhamos que comprometer a candidatura majoritária”, afirma Júlio.

Outro detentor de mandato do PSB com domicílio eleitoral em Juiz de Fora, o vereador Cido Reis (PSB), que vai disputar uma cadeira na ALMG, também discorda de uma possível aliança com o MDB, articulada por lideranças partidárias próximas a Márcio Lacerda. “Temos que buscar uma composição que não venha para nos esmagar, mas que nos dê condições de disputar as eleições e aumentar a bancada do PSB no Estado. Temos a certeza de que o partido irá ser um dos que mais vai crescer nas eleições de outubro. Isto não pode ser diferente em Minas “, considerou o parlamentar municipal juiz-forano.

Outro lado

Um dos principais articuladores da pré-campanha de Lacerda ao Governo, o advogado Vítor Valverde classificou o encontro da última segunda-feira como produtivo. “Foi uma reunião muito boa, até porque foi a minha primeira no partido”, afirmou. Valverde se filiou este ano à sigla pela qual pode sair candidato a deputado estadual. Ex-secretário municipal na Prefeitura de Juiz de Fora, durante a última gestão do ex-prefeito Custódio Mattos (PSDB), da Prefeitura de Belo Horizonte, quando se aproximou de Márcio Lacerda, ele minimizou os questionamentos encaminhados pelo grupo de pré-candidatos à ALMG e à Câmara dos Deputados e admitiu a existência de conversas com o MDB.

“Temos hoje 169 pré-candidatos a deputado e um pequeno grupo se posicionou contra. Estamos conversando com outros partidos. A candidatura (de Lacerda ao Governo) está consolidada.” Valverde ainda refutou insinuações feitas pelo deputado federal Júlio Delgado de que apoiaria a candidatura do também deputado federal juiz-forano, Marcus Pestana (PSDB). A reportagem também tentou contato com o pré-candidato do PSB ao Governo, Márcio Lacerda, mas não havia conseguido um posicionamento do ex-prefeito de Belo Horizonte até a edição deste texto.

Candidatura à Presidência

Assim como feito durante a reunião da última segunda-feira, Júlio voltou a afirmar que, caso uma aliança com o MDB seja imposta aos pré-candidatos a deputados federais e estaduais, ele pode até mesmo reforçar as especulações em torno de um projeto de candidatura própria do PSB à Presidência da República, em um cenário em que seu nome foi recentemente cogitado como opção pela imprensa nacional. “Não existe qualquer possibilidade de uma coligação como esta. Para coligar com o MDB, que tem sete deputados federais e 13 estaduais, não vamos eleger ninguém. Para fazer este papelão, prefiro ser candidato à Presidência. Já que é para perder, melhor sair para perder como candidato à presidente com o apoio de Pernambuco e de São Paulo”, sentenciou.

Júlio ainda revelou desconforto com a possibilidade de alinhamento entre PSB e MDB em Minas Gerais por conta de sua atuação parlamentar crítica ao Governo emedebista encabeçado pelo presidente Michel Temer (MDB). “Como vou defender na rua que estou na mesma coligação dos candidatos do Temer?”, questionou. O juiz-forano afirma que agora aguarda um posicionamento do diretório nacional “o mais rápido possível”.
Curiosamente, o nome de Márcio Lacerda também é cogitado para se envolver em disputa de nível nacional. Correntes internas do PSB defendem uma aproximação da candidatura do ex-governador do Ceará, Ciro Gomes (PDT), à Presidência da República. Em um possível entendimento entre pedetistas e socialistas, o nome de Lacerda é considerado um dos favoritos para uma possível indicação à vaga de vice-presidente na chapa encabeçada por Ciro.

Anastasia recebe apoio do PMN

Pré-candidato ao Governo de Minas, o senador Antonio Anastasia (PSDB) recebeu o apoio de mais um partido político em sua empreitada eleitoral para retornar ao Palácio da Liberdade. Durante a convenção do PTB, realizada na última segunda-feira (23), o PMN anunciou que caminhará ao lado do tucano. “Sempre fomos da base do Anastasia em Minas, mas, nos últimos meses, estávamos caminhando com o atual governador (Fernando Pimentel, do PT)”, afirmou a presidente do diretório estadual do PMN, Juliana Galindo Moura.

Com a decisão, o PMN é o sexto partido a declarar apoio a Anastasia e se junta a PTB, PSD, PSC, Solidariedade e PPS. Anastasia participou do encontro do PTB nesta segunda, quando também se fez presente em evento promovido pelo PSD nesta segunda, em Santa Luzia, na região metropolitana de Belo Horizonte, quando se reuniu com o ministro da Ciência, Tecnologia, Inovação e Comunicações, Gilberto Kassab (PSD). O PSD ainda postula a indicação para a vaga de vice-governador na chapa encabeçada por Anastasia, em vaga que poderia ser ocupado pelo deputado federal Marcos Montes (PSD).

Pimentel aguarda decisão de Josué Gomes

Inicialmente prevista para acontecer nesta terça-feira (14), uma reunião entre o governador de Minas Gerais, Fernando Pimentel (PT), e o empresário Josué Gomes (PR), acabou adiada. O nome do empresário é cotado para compor a chapa a ser encabeçada por Pimentel, que deve tentar a reeleição para o Governo estadual. Filho do ex-presidente da República, José de Alencar, o nome de Josué também chegou a ser cogitado para vice-presidente na chapa do ex-governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), candidato tucano à Presidência da República. Ainda nesta terça, começaram a circular informações de que ele teria recusado caminhar ao lado de Alckmin, o que foi negado pela executiva nacional do PR.
Por meio de nota divulgada pelo jornal O Tempo, de Belo Horizonte, a assessoria da campanha de Pimentel informou que Josué preferiu consultar a família antes de tomar qualquer decisão definitiva. Em 2014, o empresário chegou a disputar uma cadeira no Senado pelo MDB, em coligação que integrou a campanha vitoriosa de Pimentel nas últimas eleições estaduais. Na ocasião, apenas uma cadeira estava em disputa, e a vaga ficou com o senador Antonio Anastasia (PSDB), que obteve 5.102.987 (56,73% dos votos válidos). Josué registrou o segundo melhor desempenho com o apoio de 3.614.720 (40,18% da votação válida).