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Cesama deve rever planos de contingência


Por Tribuna

24/02/2016 às 07h00- Atualizada 24/02/2016 às 09h41

Motivada pelas preocupações surgidas a partir do rompimento da barragem de rejeitos da mineradora Samarco, em Mariana, em novembro do ano passado, a Câmara discutiu ontem a situação de quatro reservatórios de água e dois depósitos de resíduos existentes em Juiz de Fora. O encontro foi solicitado a partir de requerimento assinado pelos vereadores José Márcio (PV) e José Laerte (PSDB). Motivados por questionamentos dos parlamentares, representantes do Grupo Votorantim e da Cesama explanaram sobre suas ações de monitoramento e de planos de contingência existentes para as barragens. Os debates levaram à sugestão da criação de uma comissão para acompanhar a situação das estruturas, da mesma forma que o diretor-presidente da Cesama, André Borges, sinalizou que o órgão irá se aprofundar na elaboração de planos de contingência específicos para as represas de São Pedro, Chapéu D’Uvas e de João Penido. “Hoje, temos um planejamento geral.”

Apesar de admitir uma possível adequação do atual plano de contingência, André Borges afirmou que as três represas são constantemente monitoradas. Entretanto, o mandatário da Cesama afirmou que há preocupações pelo fato de as barragens utilizadas pelo órgão estarem próximas a comunidades. “Não existe risco zero”, ressaltou. Da mesma forma, o Grupo Votorantim, responsável pelas barragens de rejeito “do Peixe” (fora de operação) e “da Pedra” e do reservatório de água da “Usina da Picada”, afirmou que as unidades são alvo de inspeção regulares e que possuem “índice de condição de segurança” satisfatório. “Este é o maior nível”, explica Sérgio Alencar de Souza, um dos representantes da empresa presentes ao encontro.

A sugestão da criação de uma comissão surgiu a partir de sugestão feita pelo engenheiro de segurança em barragem Marcos Guerra. Na opinião do especialista, o colegiado deveria contar com a participação da sociedade, do Poder Público e dos responsáveis pelas estruturas para acompanhar os trabalhos de manutenção e a elaboração de planos de contingência. “As barragens são como seres vivos, em que ocorrem as atuações de agentes físicos, químicos e biológicos. Se não houver um correto monitoramento e instrumentação, há riscos para seu funcionamento.” A criação do grupo também foi defendida pelo diretor-presidente da Cesama e pelo vereador José Laerte, na fala que encerrou a audiência.

Seis unidades

Antes das discussões, o vereador José Márcio fez uma apresentação destacando as características de cada uma das seis barragens abordadas durante o debate. “Temos, por exemplo, uma barragem de terra, em que há a necessidade de um acompanhamento constante”, lembrou o parlamentar, citando a Represa de João Penido, que tem capacidade aproximada de 16 bilhões de litros. Material levantado pelo gabinete do parlamentar levantou ainda detalhes sobre as barragens de resíduos de responsabilidade da Votorantim, que recebem material oriundo de explorações metalúrgicas. Fora de operação, a Barragem dos Peixes acumula 950 mil metros cúbicos; enquanto a Barragem das Pedras, ainda em atividade, tem capacidade de 1,5 milhão de metros cúbicos.