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Partidos lançam pré-candidatos à Prefeitura


Por RICARDO MIRANDA

23/10/2011 às 08h00

Com o prazo para filiações de possíveis candidatos nas eleições municipais do próximo ano encerrado no último dia 7, inicia-se a temporada das pré-candidaturas à Prefeitura de Juiz de Fora. O primeiro a ser lançado oficialmente como postulante ao Executivo será o vereador Isauro Calais (PMN). Dirigentes dos diretórios estadual e nacional do seu partido desembarcam amanhã na cidade para confirmar sua condição de pré-candidato. Ainda nesta semana, o PSTU inicia as conversas para tentar emplacar a coordenadora regional do Sindicato Único dos Trabalhadores de Minas Gerais (Sind-UTE/MG), Victória de Fátima Mello, na disputa majoritária como concorrente das legendas de esquerda. Os deputados Bruno Siqueira (PMDB) e Júlio Delgado (PSB) também colocam seus blocos nas ruas nos próximos dias. O prefeito Custódio Mattos (PSDB) e a ex-reitora da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) Margarida Salomão (PT) são considerados certos no páreo desde o segundo turno de 2008. Incerta é a situação de Wadson Ribeiro (PCdoB), apontado nas denúncias de corrupção no Ministério do Esporte. Fechando a lista dos pretensos concorrentes à Prefeitura, aparece o ex-prefeito Alberto Bejani (PSL), que ainda carrega muita incerteza quanto à viabilidade legal de uma nova candidatura.

A entrada de Isauro Calais na disputa era aguardada e, até certo ponto, considerada uma ambição justa. Há dois anos, quando ficou com a primeira suplência do seu partido na disputa para deputado estadual, seu nome começou a ser mencionado com frequência nas articulações na condição de candidato a vice-prefeito. Ele mesmo, no entanto, tratou de afastar a possibilidade. "Não serei candidato a vice (prefeito) nem na hipótese de haver uma candidatura única." Sua aposta em ser opção na disputa para prefeito reside na busca do eleitorado pela novidade. "Custódio, Bejani e Tarcísio (Delgado, ex-prefeito) deram suas contribuições. Agora vamos apresentar as nossas propostas." Mesmo com discurso afiado e visível entusiasmo, nem mesmo seus assessores mais próximos arriscam afirmar que a candidatura chegará ao dia 30 de junho, quando se encerram as convenções. Com chances de assumir uma cadeira na Assembleia em janeiro de 2013, com a possível eleição para prefeito de dois deputados de sua legenda, Isauro ainda aparece na lista de seus companheiros da Câmara Municipal como candidato a mais um mandato pela Casa.

A candidatura de Victória Mello pelo PSTU caminha para ser outra novidade para as eleições do próximo ano. Com duas participações seguidas no processo sucessório municipal – em 2004, com Fabrício Linhares, e, em 2008, com Víctor Pontes -, o partido quer tornar-se, mais uma vez, alternativa para o chamado eleitor de esquerda. Para isso, vai iniciar uma série de conversas e tentar atrair o PSOL e o PCB. Qualquer aliança com as candidaturas ditas burguesas não será aceita. A ideia é tentar, dessa forma, atrair o voto dos trabalhadores e da juventude por meio de suas entidades representativas. Juntos nas eleições de 2008, PSTU, PCB e PSOL obtiveram 11.143 com as candidaturas de Victor Pontes pelo PSTU e Rafael Pimenta pela coligação PCB/PSOL. Quatro anos antes, na disputa de 2004, Fabrício Linhares obteve 5.816 votos. Embora o percentual tenho sido menor em relação ao somatório obtido pelas siglas de esquerda nas últimas eleições, o fato de o concorrente do PSTU ter superado o candidato Josemar Silva, que disputou pelo PMN, foi motivo de comemoração pelo grupo.

No caso de Wadson Ribeiro, apesar da crise, a demonstração é de tranquilidade. "O PCdoB terá chapa própria de vereadores. Sobre a minha pré-candidatura à Prefeitura, tem muita água ainda para rolar. Estou no Ministério do Esporte, e temos uma agenda muito intensa. Para me candidatar, teria que me desincompatibilizar em abril. O que defendemos é uma união, em Juiz de Fora, da base da presidenta Dilma. Se permanecer a diluição, o PCdoB trabalha com candidatura própria, e a gente se encontra no segundo turno."

Fechando a lista dos possíveis marinheiros de primeira viagem na disputa para prefeito estão Bruno Siqueira e Júlio Delgado. Aliados e correligionários de ambos garantem que suas candidaturas à Prefeitura são irreversíveis. "Sempre ouvi no PMDB a máxima de que time que não entra em campo não ganha campeonato e nem tem torcida, então, vamos para a disputa", afirmou o vereador Júlio Gasparette (PMDB). Para ele, as votações obtidas por Bruno nas disputas para vereador em 2008, quando foi o mais votado com 6.483 votos, e para deputado em 2010, credenciam seu nome para concorrer a Prefeitura. O deputado ainda não fala na condição de candidato até para não atropelar a direção do partido, mas faz questão de mostrar a resolução da direção estadual peemedebista determinando o lançamento de candidaturas próprias em todos os municípios mineiros. "Posso ser candidato, mas ainda é cedo. O que existe hoje é uma determinação da direção do PMDB para que tenhamos nome próprio na disputa."

Júlio Delgado, por sua vez, é bem mais taxativo. "Sou pré-candidato à Prefeitura de Juiz de Fora e, caso meu nome seja confirmado pelo meu partido, em junho do próximo ano (período das convenções partidárias), serei candidato." O deputado disse que comunicou seu propósito às direções estadual e nacional do PSB. Como o partido caminha para reeditar aliança com o PSDB para reeleger o prefeito de Belo Horizonte, Márcio Lacerda (PSB), Júlio também confirmou ter revelado sua disposição de concorrer ao Executivo de Juiz de Fora ao senador Aécio Neves (PSDB). O mesmo assunto foi levado ainda ao governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), que é o principal interlocutor do partido junto ao Governo Dilma Rousseff.

 

PSDB aposta em polarização com o PT

Mesmo monitorando de perto as possíveis candidaturas, o PSDB local aposta em uma nova polarização com o PT na sucessão do próximo ano. Na avaliação dos coordenadores da campanha tucana de 2008, dificilmente o prefeito Custódio Mattos (PSDB) e a ex-reitora da UFJF Margarida Salomão (PT) não figurarão no segundo turno. Para alguns mais otimistas, não vingando as candidaturas de Júlio Delgado (PSB) e Bruno Siqueira (PMDB) e com uma eventual perda dos direitos políticos do ex-prefeito Alberto Bejani (PSL), é possível decidir a disputa já no primeiro turno. Se em um ou dois turnos, tucanos e aliados sabem que, para emplacar a reeleição será preciso, entre outras coisas, tirar obras do papel e rápido. "O município está há algum tempo com demandas por determinadas obras de infraestrutura, e a expectativa e até mesmo a cobrança são naturais, mas elas (obras) virão", avalia o vereador e presidente do PSDB, Rodrigo Mattos.

Por obras entende-se viadutos, mergulhões (trincheiras) e pontes. O conjunto de intervenções viárias prometidas por Custódio na eleição de 2008 e ainda não iniciadas é assunto frequente nas rodas de conversas de seus possíveis adversários em 2012. Na última semana, foram iniciados os processos de desapropriações na Avenida Francisco Bernardino, dando início à viabilização dos empreendimentos. Entretanto, os recursos, que são o mais importante, ainda não vieram. O Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) teria sinalizado propósito de assumir uma parcela das obras e a MRS Logística S.A. entraria com outra parte. "Viabilizando esses projetos e com outros já em andamento, ficará difícil nos enfrentar", avalia um secretário próximo ao prefeito.

Prioridade em Brasília

O PT, por sua vez, prefere não apostar em uma eventual polarização com o PSDB. De olho em uma melhor estrutura de campanha, inclusive com visitas de figurões do partido, como o ex-presidente Lula, o diretório local tem levado a candidatura de Margarida a todas as instâncias partidárias. Na avaliação de um dos membros do diretório nacional, a candidatura própria do partido em Juiz de Fora ganhou status de prioridade em Brasília, o que não aconteceu no primeiro turno das eleições de 2008. "Na última eleição, Juiz de Fora entrou (como prioridade) pela janela, em 2012 será pela porta da frente." Fora dos limites partidários, os petistas locais insistem em uma aliança com o PMDB, aliado de primeira hora da presidente Dilma Rousseff. "Vamos buscar insistentemente o diálogo com os partidos da base de apoio da presidente (Dilma)", avisou o presidente do PT de Juiz de Fora, Rogério Freitas. A ideia é caminhar juntos ainda que apenas no segundo turno.

 

Bejani ainda aguarda sinal verde do TCE

A situação do ex-prefeito Alberto Bejani permanece em aberto. Aos novos e alguns velhos aliados, ele tem insistido que será candidato a prefeito. Sua argumentação quanto à viabilidade da empreitada está no fato de que nenhum dos seus processos transitou em julgado. Fora isso, todos os procedimentos judiciais contra sua pessoa são anteriores à Lei da Ficha Limpa. O mesmo entendimento, segundo o ex-prefeito, vale também para o caso de sua renúncia. Pela nova norma, o político que renunciar para fugir de processo de cassação fica inelegível. Bejani ainda não conseguiu explicar o que vai fazer em relação as prestações de contas de seu mandato referentes ao ano de 2007 que foram rejeitadas pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE). A decisão, caso seja ratificada pelo órgão, também o torna inelegível. O recurso apresentado pela defesa deve ser julgado ainda este ano.

Caso consiga viabilizar sua candidatura, Bejani terá como segundo problema o pequeno tempo no horário eleitoral no rádio e TV. O seu novo partido, o PSL, possui apenas um deputado federal eleito, o que representa pouco mais de um minuto para apresentação de sua plataforma eleitoral. "O que tenho para dizer não precisa de muito tempo", avisa o ex-prefeito em tom de ameaça. Ele também disse que não está preocupado com a debandada de antigos aliados. "É natural que aconteça depois de tudo que passei." Membro de uma igreja evangélica, ele nega propósito de usar a religião para conquistar votos.