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Professores em greve aprovam novo índice


Por Tribuna

22/08/2015 às 07h00

Em greve há 12 dias, professores da UFJF e do IF Sudeste deliberaram, na manhã de ontem, em assembleia na Faculdade de Direito, pela flexibilização do índice de recomposição salarial, a fim de incentivar maior abertura por parte do Governo federal nas negociações. Os docentes propõem agora um reajuste de 19,7% para pagamento em única parcela no início de 2016. O índice anterior proposto era de 27,3%, mas o Governo ofereceu apenas a recomposição de 21,3% a todos os servidores, com aplicação em quatro parcelas pagas até 2018.

Além do reajuste, os professores aprovaram o encaminhamento de uma carta à Reitoria da UFJF, pedindo esclarecimentos sobre a entrevista concedida pelo pró-reitor de Planejamento, Orçamento e Gestão, Alexandre Zanini, à Tribuna, publicada na edição do dia 19. No texto, questionam o fato de ele minimizar o peso do orçamento na decisão por suspender o calendário acadêmico. Segundo ele, a decisão foi tomada devido à impossibilidade de realização de matrículas por conta da greve dos técnicos-administrativos. Segundo os docentes, Zanini estaria negando publicamente a existência de uma crise orçamentária, em oposição a um e-mail institucional enviado pela Pró-Reitoria de Graduação, que suspende a seleção e o cadastramento de novos bolsistas para os projetos em andamento. Os motivos alegados são “as grandes restrições orçamentárias pelas quais passam as Instituições Federais de Ensino”.

Os professores expõem ainda o cenário que a UFJF enfrenta em relação à incerteza do pagamento de bolsas a técnicos e estudantes e questionam em que termos seria possível garantir “a tranquilidade para fechar o ano”, dito pelo pró-reitor. Para isso, os docentes se valeram ainda de informação anterior, de que a universidade teria recursos para funcionamento por apenas dois meses. Além disso, são também questionados os investimentos e obras da UFJF, sobre a falta de uma consulta à comunidade acadêmica e as “prioridades” em obras como Teleférico, Trenó da Montanha, Planetário, dado o percentual elevado da execução orçamentária, em detrimento de obras acadêmicas essenciais.

Ao fim da reunião, os professores seguiram em grupo até a Reitoria, onde pediram a abertura das contas da UFJF, orientados em relação à iniciativa proposta pelo Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (Andes). Eles entregaram a carta à pró-reitora de Recursos Humanos, Gessilene Zigler Foine, que assume a função do reitor durante a ausência de Júlio Chebli e ao secretário geral da UFJF, Basileu Tavares. Junto a Zanini, Chebli está em Belo Horizonte, cumprindo agenda referente às atividades da UFJF.

Durante a tarde, os professores se reuniram com os técnicos-administrativos e estudantes que integram o movimento Ocupa UFJF na sede do Sintufejuf para uma nova reunião do Comitê em Defesa da UFJF. Durante o encontro, foram apresentadas informações referentes aos movimentos grevistas e também discutida a situação orçamentária e financeira da instituição. Uma agenda de ações também foi definida para dar prosseguimento ao movimento de forma unificada.

A UFJF não se pronunciará sobre as questões levantadas por professores em assembleia. Em nota, reforça que reconhece a autenticidade e a legitimidade do movimento docente, e o reitor Júlio Chebli se mantém disponível para atuar como interlocutor dos servidores junto ao Governo federal. O documento entregue à pró-reitora de Recursos Humanos será analisado e respondido oportunamente.