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Ideologia de gênero volta à pauta


Por Tribuna

20/06/2015 às 04h00

A discussão sobre a ideologia de gênero voltou ontem à pauta da reunião da Câmara Municipal. O vereador José Fiorilo (PDT) subiu à tribuna para abordar o tema, apresentando projetos em tramitação do Plano Nacional da Educação (PNE) na Câmara dos Deputados e no Senado. Ele alegou haver imposição do Governo federal na ênfase da promoção da igualdade racial, regional, de gênero e de origem sexual. Além de expor as diferentes terminologias que constavam nas versões enviadas e modificadas pelo Legislativo, o parlamentar se posicionou contra a ideologia de gênero.

“Aceito as mudanças, mas conservo meus princípios. Sou conservador em algumas coisas e abro mão em outras. Não tenho absolutamente nada contra homoafetivos, mas falar com meu neto que ele não é homem ou mulher, não. Não sou obrigado a engolir o que dizem aqui aos gritos”, disse. Em resposta, o vereador Roberto Cupolillo (PT), que havia explanado, no dia anterior, a versão do PNE aprovada pelo Congresso em 2014, chamou a atenção do colega. “O senhor está fazendo uma tremenda confusão. O plano traz o texto para a promoção da cidadania e na erradicação de todas as formas de discriminação. Não está sendo feita nenhuma discussão de ideologia de gênero. Vamos deixar para discutir isso quando o plano municipal vier para a Câmara”, sugeriu.

A discussão sobre a inserção das práticas contra a discriminação contra a ideologia de gênero no plano de educação foi iniciada no Legislativo, após a iniciativa do arcebispo de Juiz de Fora, Dom Gil Antônio Moreira, de usar a tribuna livre na última quinta, a fim de tratar sobre o tema. Diante da decisão, grupos que discutem a questão de gênero se mobilizaram para acompanhar o depoimento do representante da Igreja no plenário. Dom Gil enviou carta ao presidente da Câmara, Rodrigo Mattos (PSDB), cancelando sua participação. O arcebispo alegou que alguns desses grupos afirmavam, nas redes sociais, que estavam dispostos a atitudes agressivas.

Previsto para ser encaminhado ao Legislativo até 24 de junho, o Plano Municipal de Educação teve ontem a primeira reunião do fórum de discussão. De acordo com a assessoria de comunicação da Secretaria de Educação, participaram diversas entidades ligadas à questão da educação e membros da sociedade civil. A proposta é votar o regimento do fórum na próxima reunião, agendada para quinta-feira, às 14h, na Secretaria de Educação. Segundo a assessoria, o fórum foi criado em caráter permanente, a fim de discutir os temas durante a criação e após a sanção do plano.

Política para as mulheres

Causou nova polêmica também o debate sobre o pedido de vista à mensagem do Executivo que cria o Plano Municipal de Política para as Mulheres de Juiz de Fora. O vereador André Mariano (PMDB) voltou a questionar a contrariedade ao seu pedido de vista da proposta para analisar o teor do projeto. Após a manifestação, Betão cobrou clareza para o impedimento da votação e listou uma série de grupos e entidades que assinam o plano municipal, esclarecendo que o texto foi debatido em diferentes instâncias e que já poderia ser colocado em votação. André rebateu o parlamentar. “O senhor falou inúmeros grupos, mas nenhum deles teve o cuidado de atender ao meu segmento e os meus princípios. Existe uma parte que precisa ser ouvida”.

Tendo votado contra o pedido de vista na reunião de quinta-feira, por se tratar de uma mensagem do Governo, o líder Luiz Otávio (Pardal-PTC) se posicionou a favor, retirando o projeto. “Por orientação da Secretaria de Governo, peço aos pares um entendimento, para dar uma oportunidade para que o vereador possa avaliar e tenhamos mais tranquilidade para votar.”