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Adelio teria ligação com o PCC, aponta investigação da PF

Segundo jornal O Tempo, a organização criminosa estaria auxiliando Adelio. Defesa nega relação com a facção.

Por Tribuna

19/10/2018 às 08h29

A principal linha de investigação, adotada pela Polícia Federal (PF), no caso do atentado contra o candidato à presidência Jair Bolsonaro (PSL), ocorrido no dia 6 de setembro no Centro de Juiz de Fora, é que o autor da facada, Adelio Bispo, teria ligações com o PCC, maior facção criminosa do país. A informação foi publicada pelo jornal O Tempo de Belo Horizonte na noite desta quinta-feira (18). Segundo a reportagem, pessoas próximas do inquérito 503/2018, que apura se Adelio foi ou está sendo ajudado, afirmam que há “fortíssimos” indícios que a organização criminosa esteja dando auxílio a ele. Entre os indícios, há vínculos de amizades entre Adelio e membros da facção, as ações dos advogados que atendem o réu, o histórico de personagens envolvidos e até mesmo o discurso adotado por Jair Bolsonaro.

Uma das principais suspeitas dos investigadores – comandados pelo delegado Rodrigo Morais – recai sobre Klayton Ramos de Souza, conhecido como “Veim”, que seria integrante do PCC e amigo de Adelio. Os dois teriam se conhecido em Montes Claros (MG), onde ambos nasceram e cresceram. Até este ano, ainda mantinham contato por meio de redes sociais, conforme as investigações. “Veim” tem passagens por homicídio e já cumpriu pena no Presídio Regional de Montes Claros.

Três unidades prisionais em Minas Gerais abrigam membros do PCC: a Nelson Hungria, em Contagem, o Presídio Professor Jacy de Assis, em Uberlândia, e o de Montes Claros. Atualmente, “Veim” vive em Campinas (SP), cidade apontada como um dos centros de comando da facção.

Nova investigação iniciada em outubro

Conforme O Tempo, a investigação foi iniciada no começo deste mês. Antes, um outro inquérito foi aberto no dia do atentado, em setembro. Nele, a PF concluiu que Adelio agiu sozinho no momento do atentado. Dezenas de imagens e denúncias enviadas por internautas foram analisadas, inclusive, com a participação da inteligência do Exército. Depois disso, uma nova apuração foi aberta pela equipe para verificar se há, de fato, uma organização atuando junto do criminoso.

No dia do atentado, uma cena teria chamado a atenção dos investigadores: quando Adelio chegou à delegacia, após ser preso em flagrante, o advogado Pedro Augusto de Lima Felipe e Possa já se encontrava nas dependências da unidade. Inicialmente, Adelio teria se recusado a ser atendido pelo defensor, mas Possa chegou a tentar convencê-lo que havia sido enviado pela mãe de Adelio. Porém, o autor da faca teria rido, já que sua genitora morreu em 2012. Testemunhas disseram que, depois que os dois se reuniram em particular, Possa passou a atuar como defensor no caso.

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O interesse dos outros advogados que integram a defesa de Adelio também intriga a PF, segundo a publicação do jornal. Um interlocutor ligado à apuração disse que trata-se de uma banca muito cara, que tem feito uma defesa exemplar de Adelio. O grupo estaria, inclusive, custeando o acompanhamento psiquiátrico para o seu cliente. Os quatro advogados foram intimados pela investigação, mas nenhum compareceu.

Os defensores

Além de Possa, a defesa de Adelio Bispo é composta por Zanone Manuel de Oliveira Júnior, Marcelo Manoel da Costa e Fernando Costa Oliveira Magalhães. O histórico de clientes de Magalhães é curioso e é citado na investigação. De acordo com a reportagem, ele teria defendido, nos últimos anos, pelo menos três membros do PCC que foram condenados em Minas: Anderson Francisco Ferreira Pereira, André Luiz Pereira, conhecido como “Dezinho”, e José Geraldo Soares dos Santos Júnior, o “Vá”.

O principal defensor de Adelio é Zanone Manuel de Oliveira Júnior, conhecido por atuar em casos de repercussão, como por exemplo, Marcos Aparecido dos Santos, o Bola, amigo do goleiro Bruno, que foi condenado pelo envolvimento no assassinato de Eliza Samudio. De acordo com dados da Receita Federal, o advogado é dono de duas empresas que estão na mira da investigação: um hotel e uma locadora de veículos em Contagem (MG). No entanto, não há indícios de crimes nos estabelecimentos, mas esse tipo de comércio, segundo especialistas ouvidos pelo O Tempo, aparece com frequência em casos de lavagem de dinheiro.

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Banca nega ligação com PCC

A banca que compõe a defesa de Adelio foi procurada pelo jornal de Belo Horizonte. O advogado Fernando Magalhães disse que as suspeitas são absurdas, já que os três clientes citados nem sequer sabem da existência um do outro. Inclusive nenhum deles conhece Adelio e negaram ser integrantes de qualquer facção. Magalhães ainda negou ser advogado do PCC e afirmou que “eventualmente” atende a “clientes ditos de facção”.

Já Zanone Júnior negou irregularidades em suas empresas e disse que espera que sua vida seja revirada “de cabeça pra baixo”, por estar defendendo Adelio. Zanone afirmou, também, que o não comparecimento dos advogados à PF foi por ordem da OAB. “A intimação era para saber quem estava pagando a gente. A OAB não deixou a gente ir, porque é um código de ética, a OAB ameaçou abrir um processo ético-disciplinar caso a gente revelasse alguma coisa”, explicou ao O Tempo. A reportagem do jornal não conseguiu contato com Pedro Possa.

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