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Estudantes param Campus


Por Tribuna

19/05/2015 às 06h00

Estudantes da UFJF realizaram protesto no campus durante todo o dia de ontem, para chamar a atenção para os cortes orçamentários que atingiram as bolsas de apoio estudantil, por melhorias na infraestrutura da instituição e em defesa dos projetos de pesquisa e extensão. Intitulado “Dia de luta”, o ato também manifestou apoio à luta de técnico-administrativos e professores, que defendem a manutenção do ensino e do serviço público de qualidade. No horário do almoço, houve interdição do Pórtico Norte. Alunos da Faculdade de Serviço Social e do Instituto de Ciências Humanas (ICH) não compareceram às aulas. À noite, em uma reunião convocada pela Reitoria, os alunos apresentaram as pautas ao reitor em exercício, Marcos Chein, e à pró-reitora de Apoio Estudantil e Educação Inclusiva, Joana de Souza Machado. Em uma reunião acalorada, com gritos e vaias à administração, foram propostas a criação de uma comissão para acompanhamento dos trabalhos do apoio estudantil, a implantação de um orçamento participativo e de um fórum permanente de segurança no campus.

O reitor em exercício alegou dificuldades orçamentárias em relação aos repasses do Governo federal, o que ocasionou o descumprimento do pagamento das bolsas de assistência estudantil. “Houve um atraso nos pagamentos que não havia ocorrido até então. O Governo só tem liberado 50% dos repasses. Não pagamos conta de água há muito tempo. Talvez fosse melhor publicizar os problemas que este contingenciamento tem provocado”, desabafou. Um dos pontos de tensão durante a fala do vice-reitor foi quando os alunos contestaram a ausência do reitor Júlio Chebli na reunião. Segundo Chein, ele participa de um congresso acadêmico nos Estados Unidos, com afastamento publicado no Diário Oficial da União. Nova reunião com os estudantes foi agendada para sexta-feira, às 17h, com a presença de reitor.

“Queremos mais. Estamos organizados com os diretórios acadêmicos e temos apoio tanto dos servidores como dos professores. Observando a conjuntura nacional, vemos que os cortes na educação também são cortes de direitos dos estudantes. Lutamos por um reitor mais presente e não saímos da sala de aula para perder tempo”, destacou Jeane Angélica, membro do Diretório Acadêmico da Faculdade de Serviço Social. Segundo o presidente do Centro Acadêmico de Ciências Sociais, Vitor Cezar Rodrigues, o movimento foi articulado por várias lideranças estudantis em reuniões do Conselho de Centros e Diretórios Acadêmicos (Concada).

Até o fechamento desta edição, a reunião não havia terminado.

DCE ainda não tem diretoria definida

Um dos motivos da manifestação, conforme evento no Facebook, foi uma carta enviada pela UFJF ao Concada, em que a instituição reforçou o pedido para que os estudantes indicassem, o mais rápido possível, representantes discentes para que o segmento estudantil volte a ocupar assentos nos órgãos colegiados (Consu, Congrad e outros) da instituição. “A UFJF está sem representação discente nestes órgãos e comissões em função da indefinição acerca da direção do Diretório Central dos Estudantes (DCE). A indicação dos nomes é fundamental para que as discussões avancem”, explica a universidade. Em novembro do ano passado, durante as eleições do DCE, uma suspeita de fraude interrompeu o processo. A denúncia foi divulgada em rede social por uma das chapas participantes. Ficou decidido que um novo processo seria realizado neste ano. Conforme Vitor Cezar, desde então, a comissão eleitoral, do qual ele faz parte, está respondendo pelo diretório, mas não há uma representação oficial.

Indicativo de greve

Em assembleia convocada pelo Sintufejuf, ocorrida na manhã de ontem, servidores da UFJF aprovaram o indicativo de greve para o dia 28 deste mês. Para a mesma data, a Associação Nacional dos Docentes de Ensino Superior (Andes-SN) pretende deflagrar greve nacional, conforme decisão ocorrida no último sábado, em Brasília. Conforme a assessoria da Apes-JF, a situação será novamente discutida na próxima assembleia da categoria, ainda sem data definida. No último encontro, os professores aprovaram um indicativo de greve, com início entre 25 e 29 de maio.