Professores da rede municipal começam greve hoje
A exemplo dos professores da rede estadual de ensino, em greve há 70 dias, os docentes municipais cruzam os braços por tempo indeterminado a partir de hoje, a fim de intensificar a campanha em prol do piso nacional para o magistério no valor de R$ 1.597, defendido pela Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE). A greve foi decidida na semana passada, sob o argumento de que a Prefeitura descumpriu o acordo firmado com o Sindicato dos Professores (Sinpro) para negociar a adequação do plano de carreira dos educadores à lei federal 11.738, que estabeleceu o pagamento mínimo para a categoria.
O Executivo, por sua vez, afirma que cumpre o piso proporcionalmente à carga horária do magistério, uma vez que a legislação fixa o valor de R$ 1.187 para uma jornada de até 40 horas semanais, enquanto, em Juiz de Fora, a maior parte da carga horária é de 20 horas. Entretanto, o Sinpro, a CNTE e as demais entidades representativas dos professores em todo o Brasil – inclusive o Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação de Minas Gerais (Sind-UTE/MG), que responde pela rede estadual – entendem que a norma não prevê a aplicação da proporcionalidade.
Os professores municipais em greve farão uma assembleia nesta tarde, às 15h, no Pró-Música, para estabelecer as ações que conduzirão o movimento. De acordo com o vereador e coordenador-geral do Sinpro, Roberto Cupolillo (Betão, PT), a expectativa é de que os trabalhadores lotem o teatro, em função do grande descontentamento da categoria. A reunião também faz parte do calendário de mobilização nacional a favor da aplicação do piso.
Rede estadual
Também hoje, os professores estaduais se reúnem no pátio da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) para mais uma manifestação. Apesar do corte de ponto e do anúncio da contratação, pelo Governo mineiro, de três mil temporários para suprir a falta de aulas no terceiro ano do Ensino Médio, a direção do Sind-UTE é enfática na decisão de não recuar do movimento grevista enquanto não houver proposta de adequação do vencimento básico ao piso nacional. Nesta manhã, às 10h, representantes do sindicato têm mais um encontro com o Ministério Público Estadual (MPE) e as secretárias de Estado de Educação e de Planejamento, Ana Lúcia Gazzola e Renata Vilhena. Na última semana, o MPE instaurou um inquérito civil para apurar a questão salarial dos professores estaduais e esclarecer o impasse entre Executivo e Sind-UTE com relação ao pagamento mínimo para a categoria.








