Professores da UFJF param a partir de segunda

Greve foi aprovada em assembleia na quarta
Atualizada às 14h52
A partir de segunda-feira (21), mais de 23 mil estudantes de instituições federais, entre alunos da UFJF, do Colégio de Aplicação João XXIII e do Instituto Federal de Educação do Sudeste de Minas (IF-Sudeste), poderão ficar sem aulas em virtude do início da greve dos professores federais. A decisão foi tomada pela categoria durante assembleia realizada, na manhã desta quarta-feira (16), na sede da Associação dos Professores do Ensino Superior de Juiz de Fora (Apes-JF), no campus da UFJF e acompanha uma movimentação nacional.
De acordo com a assessoria de comunicação da Apes, até sexta-feira (18), reuniões periódicas acontecerão, sempre às 15h, afim de garantir a adesão dos quase 1.600 professores efetivos. Na segunda, o comando de greve local será formado. Uma nova assembleia foi marcada para a próxima quarta-feira (23), às 9h, no auditório da entidade, quando os rumos do movimento grevista, bem como os pontos de negociação, serão novamente debatidos. Por meio de nota, a direção da UFJF afirma que, "assim como em outras ocasiões, respeita a mobilização de todos os segmentos representativos da instituição – alunos, professores e técnico-administrativos em educação (TAEs)".
O indicativo de greve é aprovado dois dias depois de o Governo federal ter anunciado um aumento de 4% aos docentes. "A questão desta medida provisória e do reajuste é uma matéria que jamais nos contentou, desde o anúncio do projeto de lei no ano passado. É uma medida que não repõe nenhuma perda sofrida pela categoria durante anos", afirma o professor e presidente da Apes, Rubens Luiz Rodrigues. Os aumentos de salário e mudanças nas estruturas dos cargos já haviam sido propostos pelo Governo, no ano passado, por meio de um projeto de lei. Porém, como o Congresso ainda não aprovou a matéria e alguns reajustes deveriam ter entrado em vigor em março, a saída foi editar uma medida provisória (MP). Assim, as alterações passaram a vigorar na segunda (14). O cálculo do acréscimo nos rendimentos dos docentes será retroativo a março.
Ainda de acordo com Rubens, entre as principais reivindicações da categoria estão a criação de uma carreira única com incorporação das gratificações em 13 níveis remuneratórios, variação de 5% entre níveis a partir do piso para regime de 20 horas, correspondente ao salário mínimo do Dieese (atualmente calculado em R$ 2.329,35), e percentuais de acréscimo relativos à titulação e ao regime de trabalho. Os professores também requerem o atendimento das reivindicações específicas de cada instituição, a partir das pautas elaboradas localmente. Estas pautas foram acordadas com o Governo em 2011. "O que nós queremos é uma valorização da profissão, através de um plano de carreira que espelhe a grande expansão pela qual a instituição está passando."
A última paralisação geral dos professores da UFJF aconteceu em agosto de 2005, quando os docentes acompanharam um movimento nacional dos servidores federais e permaneceram de braços cruzados por aproximadamente 100 dias.
Movimentação nacional
Em todo o país, docentes estão se organizando, e movimentos grevistas começam a surgir em vários estados. De acordo com o Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (Andes-SN), ainda não há como precisar quantas instituições federais aderiram ao movimento nacional. Em Minas, há informações de que o Centro Federal de Educação Federal Tecnológica de Minas Gerais (Cefet-MG), com sede em Belo Horizonte, e a Universidade Federal de São João del-Rey (UFSJ) entram em greve amanhã. Também estão paralisados os professores da Universidade Federal do Vale do São Francisco, no Norte do estado, e da Federal de Uberlândia, no Triângulo.
As universidades federais de Campina Grande e João Pessoa (PB), do Pará (UFPA), do Paraná (UFPR) e a Universidade Tecnológica Federal deste estado, Mato Grosso (UFMT), Alagoas (UFAL), Amazonas (UFAM), Piauí (UFPI), Espírito Santo (UFES) e Unifesp (SP) devem parar até amanhã. A Universidade Federal Fluminense (UFF) deve aderir à greve na segunda. Ainda não há números oficiais de quantas universidades irão aderir ao movimento, mas a previsão é de que mais de 20 instituições entrem em greve. Ainda hoje, está prevista a formação de um Comando Nacional de Greve.








