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Wadson Ribeiro deixa Ministério do Esporte


Por Ricardo Miranda

15/11/2011 às 06h00

Wadson Ribeiro (PCdoB) não responde mais pela Secretaria Nacional de Esporte, Educação, Lazer e Inclusão Social do Ministério do Esporte. Sua saída do cargo foi anunciada ontem pelo ministro Aldo Rebelo (PCdoB) e deve ser publicada na edição desta terça-feira (15) do Diário Oficial da União. Assume em seu lugar o vice-almirante reformado Afonso Barbosa, afastado da Marinha desde 2007. Também deixaram suas funções o atual secretário-executivo da pasta, Waldemar Souza, e a chefe da Assessoria Internacional, Ana Prestes. Para seus lugares assumem, respectivamente, a economista Paula Pini e o diplomata Carlos Henrique Cardim. Dos três substituídos, apenas Wadson não seguirá no ministério. Conforme antecipou Aldo, o juiz-forano atuará no fortalecimento do PCdoB em Minas. As mudanças, segundo o ministro, atenderam a critérios técnicos, políticos, administrativos e também pessoais.

A decisão de deixar o ministério foi recebida por Wadson com tranquilidade. Conversamos com muita serenidade e ficou decidido que o melhor era sairmos. Não há nenhum problema quanto a isso. Volto para Minas com o compromisso de fortalecer o partido no estado. Ele não comentou os motivos de sua saída e nem fez qualquer menção às denúncias que rondam o Ministério do Esporte. Estamos em uma disputa política e é lamentável que as coisas tenham ganhado esse rumo. Quanto à sua permanência como pré-candidato à Prefeitura de Juiz de Fora, Wadson afirmou que o propósito do PCdoB de construir uma representatividade no município e contribuir para manter a unidade da base de apoio da presidente Dilma Rousseff está mantido.

A presidente estadual do PCdoB, deputada federal Jô Moraes, também referendou a proposta de fortalecimento do partido em Juiz de Fora. Para ela, Wadson segue como todas as credenciais para concorrer ao cargo de prefeito. Isso não altera em nada (os rumos da legenda em Juiz de Fora). Toda investigação é bem-vinda. Tenho vergonha apenas desse estágio da disputa eleitoral, mas o PCdoB tem projeto e não vai abaixar a cabeça. O presidente do diretório local, Geraldeli Rufino, considerou as denúncias que passam pelo partido como de natureza política e cobrou apuração. Tem que apurar e se houver culpado vai ter que pagar pelo que fez. Quanto à sucessão municipal, ele afirmou que nada muda.

A saída de Wadson foi sacramentada no último sábado durante reunião com Aldo Rebelo em Brasília. A denúncia de favorecimento envolvendo a organização não governamental (ONG) Instituto Cidade, que é dirigida por um filiado do PCdoB e recebeu R$ 9,5 milhões em repasses durante a estada de Wadson na secretaria-executiva do ministério, acabou deixando inviável sua permanência na função. Como não bastasse, na última semana a Polícia Federal cumpriu mandado de busca e apreensão de documentos na sede da entidade a pedido do Controladoria Geral da União (CGU). O órgão fiscalizador do Governo federal realiza auditoria especial em todos os contratos firmados com ONGs relativos ao Programa Segundo Tempo. Uma semana antes, o diretório do PSDB de Belo Horizonte havia pedido investigação pelo Ministério Público Federal dos repasses às entidades ligadas a políticos do PCdoB e do PT.