Clima esquenta com aumento de salário
A repercussão negativa nas redes sociais do aumento de 46,5% para os vereadores – que a partir de janeiro de 2013 passam a ganhar salário de R$ 15.031,76 em vez dos atuais R$ 10.260,95 – levou a um bate-boca ontem na Câmara e a uma nova consideração sobre a possibilidade de se extinguir a verba de um décimo do subsídio para cada reunião extraordinária assim como os 13º, 14º e 15º salários. Mas a discussão também descambou, principalmente, para acusações veladas aos sete parlamentares que votaram contrariamente ao reajuste, taxados de demagogos por alguns dos demais. Primeiro a tocar no assunto, Júlio Gasparette (PMDB) questionou a assiduidade e a pontualidade de colegas. Tem vereador para quem um salário mínimo é muito. Vereador que vem aqui, vota contra, mas continua recebendo. Seria uma demagogia muito grande deixar para votar depois da eleição, declarou. Está na hora de a imprensa sair nos bairros e ver que vereador está trabalhando. José Laerte (PSDB) também alfinetou: Na verdade, ninguém votou contra. Já vi votações, como a do IPTU, em que vereadores se retiraram do plenário para obstruir a votação. Nessa ninguém pediu sobrestamento, vistas… Houve o aproveitamento de uma situação. Seu companheiro de partido, Rodrigo Mattos, lembrou que o aumento só vale para a próxima legislatura. Ninguém está beneficiando ninguém neste momento, ressaltou. Sustento minha família com salário de vereador.
No entanto, o clima esquentou mesmo entre Roberto Cupolillo (Betão, PT) e Noraldino Júnior (PSC), depois que o líder do Governo cutucou os pares que votaram contra a proposta. Me questionaram sobre a razão de, apesar de defender o fim do pagamento da reuniões extraordinárias, ter votado a favor do aumento. Se votasse contra, não teria coragem, caso fosse reeleito, de receber um salário contra o qual votei. A provocação foi rebatida pelo petista: Minha posição não é de que não deveria ter aumento, mas que esse fosse apurado da mesma forma que o do trabalhador, que às vezes luta para ganhar o IPCA, destacou. Estão querendo criar dois tipos de vereadores aqui: os que têm muita renda e os que têm pouca, porque, se votou contrário, tem que abrir mão de tudo. Quando votei contrário ao IPTU, meu IPTU ficou congelado? O mandato tem que ter isonomia. Dizendo-se ofendido, Noraldino pediu a palavra como líder e cobrou de Betão a prestação de suas contas, já que, no início do mandato, o parlamentar afirmou que repassaria suas verbas extraordinárias para o movimento sindical. Isso não é novidade, é uma prática dentro do PT, reagiu Betão. Nós vivemos em uma política; o senhor em outro tipo de política.








