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Pagot defende manter obra da BR-440


Por Ricardo Miranda

13/07/2011 às 07h00

Pagot presta esclarecimento no Senado sobre suposto esquema de superfaturamento nos Transportes

Pagot presta esclarecimento no Senado sobre suposto esquema de superfaturamento nos Transportes

O diretor afastado do Departamento Nacional de Infraestrutura em Transporte (Dnit), Luiz Antonio Pagot, defendeu a continuidade da obra da BR-440, paralisada por determinação do Tribunal de Contas da União (TCU) em virtude de suspeita de irregularidades graves. "A obra tem um custo gerencial extremamente competitivo. Vale a pena, sim, continuar nesse custo gerencial, porque se eu for parar a obra, relicitá-la, com certeza, ela vai para a praça num novo custo. Então, o ideal é que a empresa que esteja desenvolvendo a obra continue com essa obra." Ele abordou a rodovia que corta a área urbana de Juiz de Fora ao responder questionamento feito pelo senador Aloysio Nunes (PSDB), na manhã de ontem, durante audiência pública das comissões de Infraestrutura (CI) e Fiscalização e Controle (CFC) do Senado.

Pagot foi convidado a prestar esclarecimentos sobre denúncias quanto a um suposto esquema de superfaturamento de obras e recebimento de propina por parte de funcionários do Ministério dos Transportes e de órgãos vinculados à pasta. As denúncias levaram ao afastamento de funcionários do Dnit e ao pedido de exoneração do ministro dos Transportes, Alfredo Nascimento. Na última semana, o deputado Júlio Delgado (PSB) apresentou um relatório feito pelo Dnit mostrando que, embora a obra da BR-440 tenha consumido R$ 35 milhões, apenas 2,16 km estavam concluídos. Para ele, o custo por quilômetro superior a R$ 15 milhões seria um claro indício de superfaturamento. As suspeitas também levaram o vereador José Sóter de Figueirôa Neto (PMDB) a encaminhar pedido de informações aos órgãos federais.

Em sua argumentação aos senadores, Pagot reconheceu a deficiência da empresa e insinuou que, por sua vontade, teria rescindido o contrato. Ainda assim, ele mostrou favorável ao prosseguimento do empreendimento, considerando ser esse o mesmo entendimento do TCU. "Faz um ano e meio que nós assumimos essa obra. Ao assumi-la, procuramos o TCU e fizemos as perguntas necessárias, ou seja, se era interesse do TCU simplesmente que nós encerrássemos a obra naquele momento ou se era interesse do TCU que nós continuássemos a obra." Pagot também deixou claro que se trata de uma obra antiga herdada da Prefeitura de Juiz de Fora e passada ao Dnit por meio de convênio. "Essa obra se arrasta há muitos e muitos anos. Ela foi iniciada praticamente oito anos atrás."

Hoje, Pagot volta ao Congresso, mas para falar com os deputados. Da mesma forma, ele foi convocado, na última semana, para prestar esclarecimentos sobre os escândalos envolvendo o Ministério dos Transportes. Júlio Delgado informou que vai participar da audiência para tentar detalhar ainda mais a questão envolvendo a BR-440. "Quero saber para onde foi tanto dinheiro. Concordo que a obra deve continuar para consertar aquilo que está lá no Bairro São Pedro. Isso é uma questão de responsabilidade." Quanto aos demais trechos do empreendimento, o deputado considera inviável devido às questões ambientais e a ausência de dotação orçamentária.