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Greve dos funcionários dos Correios pode terminar nesta quarta em JF

Tribunal Superior do Trabalho divulgou decisão de alterar as regras do plano de saúde


Por Gracielle Nocelli

13/03/2018 às 17h36- Atualizada 13/03/2018 às 19h18

Após a decisão dada na segunda-feira (12) pelo Tribunal Superior do Trabalho (TST) de alterar as regras do plano de saúde dos Correios, autorizando a cobrança de mensalidades para funcionários e dependentes, a expectativa é que a greve dos trabalhadores da estatal termine nesta quarta-feira (14). De acordo com o Sindicato dos Trabalhadores em Empresas de Comunicação Postal, Telegráfica e Similares de Juiz de Fora e Região (Sintect/JFA), a proposta principal da mobilização era lutar para garantir o benefício nos moldes como foi definido em acordo coletivo, mas diante da determinação do Tribunal, o movimento foi enfraquecido.

Na avaliação do presidente do sindicato, João Ricardo Guedes, as alterações no plano de saúde foram “mais um ônus” à categoria. “A decisão prejudica ainda mais a situação enfrentada pelos funcionários, principalmente os carteiros, que sentem os impactos diretos do sucateamento da empresa.” Ele estima que o déficit da estatal em Juiz de Fora e região chegue a 300 trabalhadores. “Por conta disso, o trabalho de entrega ficou humanamente difícil.”

Em dois dias de greve, ele explica que as agências locais mantiveram o funcionamento. “O serviço de captação se manteve normalmente. A entrega ficou mais comprometida.” João Ricardo explica que a categoria ainda aguarda a definição sobre outras questões que foram pontuadas durante o movimento como a possibilidade de alterações no Plano de Cargos, Carreiras e Salários (PCCS), a terceirização na área de tratamento, a privatização da empresa, a suspensão das férias dos trabalhadores, a extinção do diferencial de mercado e a redução do salário da área administrativa. Os trabalhadores reivindicam novas contratações via concurso público e o fim dos planos de demissão.

A greve foi convocada pela Federação Nacional dos Trabalhadores em Empresas de Correios e Telégrafos e Similares (Fentect) e teve adesão em 22 estados e Distrito Federal. Sobre a decisão do TST, a entidade considerou “um verdadeiro ataque aos direitos dos trabalhadores, que rasgou até mesmo a jurisdição da casa e agrediu um direito histórico da categoria”. A Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos não se manifestou sobre a decisão.

Privatização
Mesmo após a decisão do TST, o Governo não descartou a possibilidade de privatizar os Correios. “Sei que é muito difícil cortar direitos dos trabalhadores. Mais triste é você fechar uma empresa porque ela está insolvente”, disse o ministro da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, Gilberto Kassab, nesta terça-feira (13). “O Governo brasileiro, diante da conjuntura econômica muito difícil, tem deixado claro que o Tesouro não colocará recursos nos Correios.” Segundo ele, a direção da empresa avalia qual será a nova realidade diante da decisão do TST. “Ou os Correios diminuem suas despesas ou vão passar por um processo de privatização.”