Aécio e aliados são alvos de mandados de busca e apreensão da PF

Ao todo são cumpridos mais de 20 mandados nos estados de Minas Gerais, Rio Grande do Norte, Bahia e Distrito Federal


Por Tribuna e Agência Estado

11/12/2018 às 08h24- Atualizada 11/12/2018 às 11h55

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Apartamento de Senador no Rio foi alvo de busca e apreensão na manhã desta terça (Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado)

A Polícia Federal faz buscas nesta terça-feira (11) em endereços ligados ao senador Aécio Neves (PSDB-MG). A investigação está relacionada à delação premiada de executivos do Grupo J&F. Ao todo, a PF cumpre 24 mandados de busca em investigação envolvendo parlamentares na Operação Ross.

A operação foi a um apartamento da família do senador em Ipanema, zona sul do Rio. As buscas alcançam mais cinco parlamentares: os deputados Paulinho da Força (SD-SP), Cristiane Brasil (PTB-RJ), Benito Gama (PTB-BA) e senadores Agripino Maia (DEM-RN) e Antonio Anastasia (PSDB-MG).

O objetivo da ação é investigar o recebimento de vantagens indevidas por parte de três senadores da República e três deputados federais, entre os anos de 2014 e 2017. As vantagens teriam sido solicitadas a um grande grupo empresarial do ramo dos frigoríficos que teria efetuado o pagamento, inclusive para fins da campanha presidencial de 2014. A ação de hoje é um desdobramento da Operação Patmos, deflagrada em maio de 2017.

Os valores investigados, que teriam sido utilizados também para a obtenção de apoio político, ultrapassam os R$ 100 milhões, Suspeita-se que os valores eram recebidos por meio da simulação de serviços que não eram efetivamente prestados e para os quais eram emitidas notas fiscais frias.

Aproximadamente 200 policiais federais dão cumprimento aos mandados expedidos pelo Supremo Tribunal Federal. Eles realizam 48 intimações para oitivas. As medidas estão sendo cumpridas no Distrito Federal e nos Estados de Minas Gerais, São Paulo, Rio de Janeiro, Bahia, Rio Grande do Norte, Mato Grosso do Sul, Tocantins, e Amapá.

São investigados os crimes de corrupção passiva, organização criminosa, lavagem de dinheiro e associação criminosa. Além de São Paulo e Rio de Janeiro, a operação ocorre em Minas Gerais, Rio Grande do Norte, Bahia e Distrito Federal.

O nome da apuração, Ross, faz referência a um explorador britânico que dá nome à maior plataforma de gelo do mundo localizada na Antártida fazendo – numa alusão às notas fiscais frias que estão sob investigação.

Aécio diz estar à disposição da Justiça

Em nota, a defesa do senador Aécio Neves informou que o político sempre esteve à disposição para prestar esclarecimentos e apresentar todos os documentos que fazem necessários às investigações. “O inquérito policial baseia-se nas delações de executivos da JBS que tentam transformar as doações feitas a campanhas do PSDB, e devidamente registradas na Justiça Eleitoral, em algo ilícito para, convenientemente, tentar manter os generosos benefícios de seus acordos de colaboração. A correta e isenta investigação vai apontar a verdade é a legalidade das doações feitas.”

 

O deputado federal Paulinho da Força, presidente nacional do Solidariedade, também se manifestou por meio de nota. “A delação da JBS foi desmoralizada publicamente e a fraude realizada pelos delatores foi comprovada com a prisão dos dois empresários pelo Superior Tribunal Federal (STF). A acusação absurda de compra de apoio do partido Solidariedade para a candidatura à Presidência de Aécio Neves, em 2014, beira o ridículo”, diz a nota. Segundo a assessoria do deputado, ele se colocou à disposição da Justiça para prestar quaisquer esclarecimentos, “desde que lhe seja facultado acesso ao processo previamente”.