Ausência de Itamar muda articulações
E o Itamar? Com quem vai ficar? Questões como essas percorreram as eleições municipais em Juiz de Fora nos últimos 50 anos. Independentemente da sua presença ou não no páreo, o ex-presidente Itamar Franco, morto no último dia 2, exerceu sempre influência extremamente significativa em todas as disputas eleitorais em sua terra natal. Na mais recente disputa local, em 2008, ele foi designado pelo então governador Aécio Neves (PSDB) como condutor do processo em seu nome. Trabalhou pela candidatura e vitória do prefeito Custódio Mattos (PSDB). Em outras pelejas, não tão antigas, venceu também com o ex-prefeito Tarcísio Delgado (PMDB). Mesmo as primeiras articulações para a sucessão do próximo ano já levavam em consideração os possíveis posicionamentos de Itamar. Há uma semana, no entanto, os cenários até então encaminhados desmoronaram-se e começaram a se reerguer sob novos parâmetros e perspectivas.
A principal mudança nas articulações para 2012 com a ausência de Itamar envolve o comportamento do senador Aécio Neves. Aliado de primeiríssima hora do ex-presidente, o tucano, que se tornou uma espécie de estrela solitária da política mineira, ganhou liberdade para ter atuação mais partidária em Juiz de Fora, maior cidade do estado governada por um correligionário seu. O presidente estadual do PSDB, deputado federal Marcus Pestana, colocou o município, ao lado de Betim, na região metropolitana de Belo Horizonte, como prioridades para o partido. Como mostrou estar prestigiado junto ao eleitorado juiz-forano, por ter sido o candidato mais votado no primeiro turno de 2010 na cidade, isso considerando também a votação dos presidenciáveis, Aécio é aguardado com status de decisivo. O que não deve implicar em vida fácil para Custódio na busca pela reeleição. Os tucanos defendem uma ampla aliança com o PSB no estado, o que deixa o deputado federal Júlio Delgado (PSB) também como opção à Prefeitura.A proximidade de Júlio com Aécio, aliás, quase viabilizou a candidatura do primeiro a prefeito ainda em 2008. Itamaristas garantem que, não fosse a interferência do ex-presidente, a história poderia ser outra. Naquela ocasião, Itamar e Tarcísio, que é pai de Júlio, caminhavam em lados opostos, fato que teria levado o ex-presidente a optar pelo nome de Custódio. Para a disputa do próximo ano, o deputado do PSB quer fazer valer o bom trânsito de seu partido junto aos governos estadual e federal. No caso de Júlio, especificamente, bem mais com o Governo de Minas. Visto com certa frequência ao lado de Pestana, ele quer se tornar um problema quase caseiro para o atual prefeito. Em outra frente, o deputado quer melhorar seu trânsito dentro do PMDB de Juiz de Fora e, com isso, ter seu pai, Tarcísio Delgado, como aliado.
Júlio, no entanto, não está sozinho em suas investidas sobre o PMDB e o Governo de Minas. O deputado estadual Bruno Siqueira (PMDB), considerado herdeiro político de Itamar, também aparece como possível candidato à Prefeitura. Ele também quer em seu palanque os peemedebistas juiz-foranos, incluindo Tarcísio, é claro, mas sem descartar a possibilidade de se tornar uma opção para o Palácio da Liberdade na sucessão de Juiz de Fora. A última hipótese, na avaliação de políticos mais experimentados, perde força sem a presença de Itamar. Mas ainda é cedo para saber como vai se comportar a partir de agora o chamado núcleo itamarista na gestão Antônio Anastasia (PSDB). O principal termômetro envolve a permanência de Djalma Morais à frente da Cemig. Ainda no início deste ano, o secretário de Estado de Governo, Danilo de Castro, chegou a ter seu nome cogitado para a função. O antigo titular, no entanto, permaneceu, a pedido de Itamar.
PT pode ganhar apoio de ex-ministro
A ausência de Itamar, em maior ou menor grau, deve afetar outras possíveis candidaturas. O reitor da UFJF, Henrique Duque, caso venha mesmo para páreo, tinha no ex-presidente um bom interlocutor. Também com passagem pela reitoria da UFJF, Margarida Salomão (PT), é quem carrega menos ligação com Itamar. No seu caso, a ausência do ex-presidente pode trazer o grupo do PT ligado a José Dirceu para a campanha. Isso porque Dirceu mantinha uma relação muito próxima com Itamar e, dificilmente, arriscaria um embate frontal com o amigo.
Caso consiga viabilizar uma nova candidatura à Prefeitura, Alberto Bejani (sem partido) vai poder falar que, nas eleições presidenciais de 1989, esteve ao lado de Itamar, que era candidato a vice na chapa de Fernando Collor. Wadson Ribeiro, do Ministério dos Esportes, e o vereador Isauro Calais (PMN) correm por fora na disputa. Nos dois casos, as mudanças com a saída de cena do ex-presidente, em princípio, deixam as articulações do mesmo tamanho. Embora venham tentando viabilizar seus nomes para prefeito, sabem que suas chances são maiores como vices.








