Governo age e fortalece base
O balanço das filiações dos futuros candidatos nas eleições do próximo ano, encerradas na última sexta-feira, fortalece o projeto de reeleição do prefeito Custódio Mattos (PSDB). Além de conseguir atrair para os partidos da base aliada a ampla maioria dos chamados "puxadores de votos" na disputa proporcional, as articulações tucanas foram responsáveis por baixas significativas nas chapas em formação de PT e PMDB. O bem-sucedido desfecho do processo de aliciamento eleitoral, que tem caráter decisivo principalmente para a disputa pela Câmara Municipal, gerou uma considerável fatura. Muitos dos atuais vereadores acomodados nas siglas governistas, assim como os pretendentes ao cargo na mesma condição, anexaram à ficha de filiação uma lista de reivindicações para seus redutos eleitorais.
Embora tenha ainda em aberto emendas parlamentares prometidas nos últimos dois anos, o Governo assegurou cumprir o compromisso com os novos e velhos aliados. O objetivo é eleger, mais uma vez, ampla maioria na Câmara Municipal, além, é claro, de reeleger Custódio. Pelos cálculos dos dirigentes de legendas governistas, mantendo as atuais 19 cadeiras em disputa, será possível emplacar pelo menos 12. O otimismo da base é contrariado apenas em parte pela oposição. PT e PMDB consideram possível repetir suas bancadas com três vereadores cada. O PMN, com Isauro Calais como um único vereador, fala em dobrar a representatividade. Há ainda entre os oposicionistas a aposta no fortalecimento do PCdoB pelas mãos do secretário de Esporte Educacional, do Ministério do Esporte, Wadson Ribeiro. O ex-prefeito Alberto Bejani (PSL) é outro que quer engrossar a oposição no Legislativo juiz-forano com a eleição de sua esposa, Vanessa Loçasso (PSL).
O problema para o tucanato local, pelo menos em relação à disputa pela Câmara Municipal, não passa tanto pela oposição, mas pelos pretensos aliados. O receio maior é quanto à dimensão do estrago a ser causado na base pelos candidatos de PPS e PV. As duas legendas são vinculadas ao secretário de Estado da Saúde, Antônio Jorge Marques (PPS), que deixou o PSDB após divergências com o grupo do prefeito. O ex-tucano, que na última eleição apoiou o vereador José Laerte (PSDB), tem outras apostas para 2012. Ele tomou para si a missão de organizar a chapa do PPS e escalou o ex-subsecretário de Governo, Edson Fonseca (Edinho), para viabilizar o PV. Com a parceria, cresce a expectativa quanto às chances dos dois partidos emplacarem representantes no Parlamento local.
Outra incógnita é quanto ao PTB. O partido passou por uma reconfiguração após a saída de Vicente de Paula Oliveira (Vicentão) e, recentemente, buscou proximidade com o Governo Custódio. Com poucos candidatos competitivos na disputa por uma cadeira de vereador até a última sexta-feira, os trabalhistas foram brindados no apagar das luzes com a debandada no PSD. Agora com chapa completa, onde figura os ex-vereadores José Geraldo Oliveira, Vanderlei Tomaz e Milton Araújo, o PTB, na condição de novo governista, quer eleger ao menos dois representantes. O PSD, que chegou a figurar como mais um aliado do prefeito tão logo foi homologado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), acabou ganhando cores da oposição, com a proximidade com o deputado e pré-candidato à Prefeitura Júlio Delgado (PSB).
A reviravolta no PSD, que chegou anunciar propósito de entrar na disputa majoritária, aconteceu na noite de quinta-feira com a publicação da comissão provisória local. Por meio de ação do deputado Wilson Batista (PSD), seu irmão, o vereador Luiz Carlos Santos (PTC), acabou assumindo o controle da legenda. Já na manhã da sexta-feira, o antigo grupo vinculado à nova sigla procurava abrigo no PTB. Por outro lado, o vereador Antônio Martins (Tico-Tico) deixava o PP para ingressar na legenda recém-criada. Tanto Tico-Tico quanto Luiz Carlos desconhecem, no entanto, a ação de Júlio Delgado no partido. Os dois trabalhavam na noite de sexta-feira para engrossar a lista de filiados, que deve ser enviada ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE) até o próximo dia 14.
Petistas insatisfeitos questionam filiação
Além de conseguir encaixar o maior número de puxadores de votos nos partidos da base, os articuladores da reeleição do prefeito Custódio Mattos (PSDB) comemoram o imbróglio criado no PT com a filiação do ex-vereador Juraci Scheffer. O novo companheiro teve seu nome aprovado, mas com votos contrários de diferentes alas do partido. Não satisfeitos, representantes das tendências contrárias à sua filiação apresentaram recurso junto ao diretório estadual petista alegando incoerência frente à recente filiação e atuação de Juraci no Governo Antonio Anastasia (PSDB). A polêmica serviu para afastar a possibilidade aventada pela direção do partido de filiação da advogada Aidê Galil e do ex-vereador Vanderlei Tomaz. A jornalista Cláudia Figueiredo filiou-se sem maiores contestações.
Mesmo com a filiação de Juraci e a expectativa de mais uma enxurrada de votos de legenda, a situação da chapa proporcional do PT não é vista com muito entusiasmo nos bastidores. O problema é saber como conseguir compensar a votação obtida pelo ex-vereador Gabriel dos Santos Rocha (Biel), que não será mais candidato, e a parceria com o PCdoB, atualmente com reduzidas chances de ser reeditada. A aposta petista está na ascensão de candidatos ligados a movimentos sociais e, principalmente, nos votos de oposição. Nesse sentido, a estratégia é colocar o bloco na rua já nos próximos dias. A ex-reitora da UFJF e pré-candidata à Prefeitura, Margarida Salomão (PT), deve intensificar a presença nas bases. Também na Câmara, os três vereadores – Flávio Cheker, Roberto Cupolillo (Betão) e Wanderson Castelar – vão elevar o tom em questões pontuais, com a infraestrutura viária urbana.
PMDB aposta no voto de legenda
Fora da base, o PMDB foi quem mais sofreu investida dos governistas. Com o propósito de compensar a votação obtida pelo deputado Bruno Siqueira (PMDB) em 2008, que foi eleito vereador com 6.483, o partido aceitou filiar o ex-vereador Oliveira Tresse e o ex-concorrente tucano, Leonardo Bello. A estratégia, no entanto, não resistiu ao assédio das legendas ligadas ao Governo. Sem esquentar posição entre os peemedebistas, Oliveira acabou filiando-se ao PSC, mesmo destino tomado pelo Pastor Marquinhos, até então filiado ao PMDB. Ainda que Leonardo Bello tenha ficado e André Mariano pegado caminho inverso, saindo do PSC para o PMDB, manter as atuais três cadeiras na Câmara Municipal, com Francisco Canalli, José Sóter Figueirôa e Júlio Gasparette, não será tarefa das mais fáceis para o partido.
Mesmo apostando em boas surpresas com seus filiados, os peemedebistas sabem da importância do voto de legenda. Talvez até por isso, nunca tantos defenderam a necessidade de candidatura própria do partido à Prefeitura. Bruno Siqueira aparece como a bola da vez. Sua candidatura ventila como certa pelas bocas dos pré-candidatos a vereador. O próprio deputado tem articulado para viabilizar seu nome. Ele foi responsável pela filiação de Cosme Nogueira, presidente do Sindicato dos Servidores Públicos Municipais (Sinserpu), e por manter outros nomes da chapa proporcional assediados pelos tucanos. Assim como a petista Margarida Salomão, Bruno Siqueira também deve pôr o bloco nas ruas nos próximos dias. Ambos têm como estratégia colocarem-se como contraponto à atual gestão.








