Eleições ditam mudanças em Minas
Mesmo com as intempéries dos últimos dias, que forçaram a mudança de agenda do governador Antonio Anastasia (PSDB), a reforma no primeiro escalão do Governo de Minas é aguardada ainda para este mês. As mudanças devem reconduzir o deputado estadual Lafayette Andrada (PSDB), atualmente à frente da Secretaria de Defesa Social, à Assembleia. Ele é apontado como o melhor nome para assumir a liderança governista na Casa, atualmente a cargo do deputado Luiz Humberto Carneiro (PSDB), que deve concorrer à Prefeitura de Uberlândia. Também com pretensões eleitorais, o secretário de Estado Desenvolvimento dos Vales do Jequitinhonha, Mucuri e Norte de Minas, deputado estadual Gil Pereira (PP), e o secretário de Trabalho e Emprego, deputado estadual Carlos Pimenta (PDT), devem retornar ao Parlamento mineiro. Os dois aparecem como pré-candidatos à Prefeitura de Montes Claros. Apenas a secretária de Educação, Ana Lúcia Gazzola, e o secretário de Transportes e Obras Públicas, deputado federal Carlos Melles (DEM), podem deixar suas funções por motivo que não tenha caráter eleitoral.
No caso de Gazolla, sua eventual saída é atribuída à greve de 114 dias dos professores da rede estadual. A avaliação da cúpula governista é de que faltou experiência política à secretária para tratar a questão. Ela mesmo teria relatado o desgaste em reunião do secretário no final do ano passado. A aposta é de que alguém com perfil mais político assuma a pasta. Carlos Melles, por sua vez, aparece com um pé fora do Governo devido ao baixo desempenho. O próprio Anastasia teria feito críticas duras ao modelo de gestão do secretário. Para seu lugar, à frente da cobiçada Secretaria de Transportes e Obras Públicas, é cotado o atual secretário Extraordinário de Estado de Gestão Metropolitana, o deputado federal Alexandre Silveira (PSD). Com oito deputados estaduais e dividindo com o PMDB o posto de terceira maior bancada da Assembleia, o PSD quer lugar de destaque na Cidade Administrativa. Além de Silveira, o deputado federal Marcos Monte (PSD) também trabalha para ser indicado.
Suplência
Entre as mudanças forçadas por circunstâncias eleitorais, a expectativa é de que as substituições mantenham acordos para manter os suplentes na Assembleia e na Câmara. Os retornos de Lafayette Andrada e Gil Pereira, por exemplo, implicariam na perda de mandato de Jayro Lessa (DEM) e Ana Maria Resende (PSDB). Para evitar o efeito cascata, a reforma do secretariado deve levar novos deputados para a Cidade Administrativa ou mesmo contemplar alguns suplentes. Em relação à representatividade de Juiz de Fora junto ao Governo, caso seja comprovada a saída de Lafayette, ficariam o secretário de Saúde, Antônio Jorge Marques (PPS) e o presidente da Cemig, Djalma Morais. Na Assembleia, por sua vez, o deputado Bruno Siqueira (PMDB) deixaria de ser o representante único da cidade. Já as chances de o vereador Rodrigo Mattos (PSDB), atual primeiro suplente da coligação PP-DEM-PSDB, assumir uma cadeira na Assembleia a partir da reforma são consideradas remotas.
Embora não comente a possibilidade, Lafayette sabe que seu retorno à Assembleia deve alçá-lo à condição de líder do Governo. Luiz Humberto, atualmente na função, deve ir para a disputa municipal em Uberlândia. Fora isso, seu desempenho durante as negociações envolvendo a greve dos professores da rede estadual foi considerado baixo. Na ocasião, coube ao secretário de Governo, Danilo de Castro, assumir as conversas com professores e deputados oposicionistas para colocar fim no movimento. A avaliação do Palácio da Liberdade foi de que, mesmo com ampla base, o deputado estadual Rogério Correia (PT) acabou comandando a agenda da Assembleia durante a greve de 114 dias. Nesse sentido, o entendimento é de que Lafayette é o nome mais bem preparado para lidar com setores da oposição no período eleitoral.
Reforma em JF fica para abril
As eleições deste ano também devem implicar em mudanças na equipe do prefeito Custódio Mattos (PSDB). Vítor Valverde (PDT), secretário de Administração e Recursos Humanos, Sueli Reis (PSDB), secretária de Atividades Urbanas, Eduardo Schröder (PSDB), do Procon Juiz de Fora, e Aristóteles Faria (DEM), da Agenda JF, revelaram interesse de entrar na disputa por uma cadeira na Câmara Municipal. Caso suas pretensões sejam mantidas, devem se desincompatibilizar em abril. O diretor-presidente da Cesama, Claúdio Horta (PP), que permanece cotado para figurar como candidato a vice-prefeito, se quiser vir mesmo para o páreo, deve deixar a função em junho. Se o vice-prefeito Eduardo Freitas (PDT) resolver retornar à vereança, como se especula, também deverá renunciar em abril.
Exceção feita a Valverde, os demais secretários são considerados candidatíssimos. Quanto ao secretário de Administração e Recursos Humanos, a situação está longe de uma definição. Internamente no PDT, ele trabalhar para reconduzir Freitas à Câmara e herdar a candidatura de vice na chapa de reeleição de Custódio. A movimentação, no entanto, não agradaria os tucanos, que mantêm o propósito de repetir a dobradinha de 2008. O próprio Freitas tem deixado claro sua preferência em continuar no Executivo. Cláudio Horta, que seria outra opção de segundo nome na chapa do PSDB, tem se distanciado cada vez mais da hipótese. Contra ele e também Valverde pesa ainda uma superstição tucana. Nas três últimas vezes que disputou as eleições municipais, Custódio sempre concorreu com um médico como vice. Em 1992, com Ivan Barbosa, em 2004, com Antônio Almas, e em 2008, com Eduardo Freitas.








