Maior nº de deputados na ALMG
Um dos principais pleitos de entidades empresariais, políticas e sociais da região nos meses que antecederam o primeiro turno do atual processo eleitoral era de que os eleitores locais apoiassem candidatos de Juiz de Fora, de forma a aumentar a representação parlamentar da cidade nos poderes legislativos. Após a apuração das urnas no último domingo é possível afirmar que parte do pedido foi atendido. A partir de janeiro de 2015, cinco deputados estaduais com domicílio eleitoral no município assumirão cadeiras na Assembleia Legislativa: Antônio Jorge (PPS), Isauro Calais (PMN), Missionário Márcio Santiago (PTB), Noraldino Júnior (PSC) e Lafayette Andrada (PSDB), este último reeleito. Com os nomes definidos, a representatividade local crescerá mais de 100%. Em 2010, Lafayette, Leonardo Moreira (PSDB) e Bruno Siqueira (PMDB) foram eleitos por Juiz de Fora. Entretanto, apenas os dois primeiros chegam ao fim do mandato, já que Bruno deixou o Legislativo no final de 2012 para assumir a Prefeitura. Na Câmara dos Deputados, o número não muda, e a cidade continua com três representantes após a reeleição de Júlio Delgado (PSB), Marcus Pestana (PSDB) e Margarida Salomão (PT) .
Há 12 anos Juiz de Fora não elegia um número tão elástico de deputados estaduais. Em 2002, as urnas também consagraram a vitória de cinco nomes com domicílio eleitoral na cidade: Alberto Bejani, Sebastião Helvécio, Gabriel do Santos Rocha (Biel) e George Hilton, além de Leonardo Moreira, que, este ano, não conseguiu se reeleger. Entretanto, apesar de possuírem domicílio eleitoral no município à época, George e Leonardo apresentavam atuações e histórico políticos menos restritos às fronteiras juiz-foranas, sem nunca terem exercido quaisquer funções no Legislativo ou Executivo municipal. Dessa vez, dos cinco nomes vitoriosos, quatro já exerceram mandato na Câmara em pelo menos uma legislatura: Isauro; Noraldino, Antônio Jorge e Lafayette.
Apesar de eleitos pela cidade, três dos futuros deputados tiveram votações diluídas entre vários municípios. É o caso de Márcio Santiago. Nascido em Juiz de Fora, menos de 10% de sua votação foi obtida no município. Sobrinho do apóstolo Valdemiro Santiago, líder da Igreja Mundial do Poder de Deus, o missionário contou com os votos dos eleitores evangélicos. Reeleito para seu terceiro mandato, Lafayette também não obteve uma votação expressiva dos juiz-foranos, dos quais recebeu 4.808 dos 58.088 votos registrados em seu nome. Ex-secretário de Estado de Saúde, Antônio Jorge também apresentou uma votação bem distribuída pelos municípios mineiros. Entretanto, foi lembrado por mais de 21 mil juiz-foranos (veja todos os números na página 4).
Por outro lado, Isauro e Noraldino tiveram votação concentrada em Juiz de Fora: 70% dos votos angariados por cada são originários do eleitorado local. Apesar de desempenhos distintos, o quinteto reforça que irá lutar por melhorias para Juiz de Fora no exercício de seus mandatos na Assembleia.
Mudança de cenário
O aumento da representatividade local na Assembleia Legislativa ocorre em um momento de reconfiguração do parlamento. Antes maioria na Casa, o PSDB de Lafayette perde espaço, caindo de 14 parlamentares na atual legislatura para nove a partir de 2015. Assim, PT e PMDB passam a ser os donos das maiores bancadas da Assembleia, com dez deputados cada. As duas legendas formam a chapa que ira comandar o Governo de Minas, com a eleição de Fernando Pimentel (PT) como governador e de Antônio Andrade (PMDB) vice-governador.
Curiosamente, os cinco nomes eleitos por Juiz de Fora integram partidos que apoiaram o candidato Pimenta da Veiga (PSDB) ao Palácio Tiradentes, em um cenário que pode sinalizar um posicionamento oposicionista da bancada juiz-forana na Assembleia a partir de janeiro. Mesmo com o apoio de 14 siglas – entre elas o PMN, de Isauro Calais; o PPS, de Antônio Jorge; o PSC, de Noraldino Júnior; o PTB, de Márcio Santiago; e o PSDB, de Lafayette Andrada -, Pimenta acabou derrotado ainda no primeiro turno, revés que colocou fim a uma hegemonia de 12 anos do grupo político encabeçado pelos tucanos à frente do Executivo mineiro. Com 26 novos parlamentares e 51 deputados reeleitos, a renovação na ALMG foi de 33,77%.









