‘Quero concentrar minhas forças em JF’

Entrevista/Márcio Santiago, deputado estadual eleito
Deputado estadual eleito com 76.551 votos, Márcio Santiago (PTB), 35 anos, é agente penitenciário e pastor evangélico. Sobrinho do Apóstolo Valdemiro Santiago, fundador da Igreja Mundial do Poder de Deus, Márcio teve na igreja sua principal força para se eleger, visto que a capilaridade proporcionada pela instituição, que atua em mais de 500 cidades, permitiu que ele obtivesse votos em 830 dos 853 municípios mineiros, com uma votação dispersa por todas as regiões do estado. Na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), pretende articular com outros parlamentares para atender a demandas de todas as regiões que o elegeram, mas vai focar sua atuação na Zona da Mata. Líder religioso, não se abstém de tomar posição em questões morais, como na discussão de direitos e políticas para homossexuais, afirmando-se um defensor da família cristã, formada por “homem, mulher e filhos”.
Tribuna – Como sua trajetória pessoal o ajudou a conquistar um mandato?
Márcio Santiago – Eu estou inserido no meio político há pouco tempo, desde 2011. Em 2012, disputei a eleição para vereador, foi minha primeira experiência política. Não fui eleito, fiquei na terceira suplência, numa chapa muito concorrida e pesada. Tive 2.351 votos, com o apoio da nossa igreja e do sistema penitenciário local. Depois disso, passamos a trabalhar e buscar o apoio estadual ao meu nome, uma vez que nossa instituição é estabelecida em mais de 530 municípios mineiros, e de lá para cá foram dois anos de trabalho, luta e visitas. Visitei dez regiões do estado pregando, uma vez que sou pastor evangélico. Nos últimos três meses, da campanha, foi um trabalho mais intenso, junto aos 25 mil servidores do sistema prisional, onde sou servidor de carreira, e à igreja, da qual sou pastor e que tem cerca de cem mil membros no estado. Apesar de eu ser de Juiz de Fora, nascido e criado aqui, eu não fiz um trabalho concentrado.
– Como o senhor pretende trabalhar neste mandato?
– Apesar de eu ter obtido votos em 830 municípios, eu quero concentrar minhas forças políticas e minha atuação política em Juiz de Fora, por ser a minha cidade natal. Pretendo trabalhar junto aos outros deputados eleitos da região para fomentar nosso desenvolvimento, nossa indústria, nosso comércio. Trabalharei junto ao prefeito Bruno Siqueira (PMDB), a quem já deixo o meu mandato à disposição. Juiz de Fora perdeu muito por não ter tipo representatividade e interlocução junto ao estado desde que o Bruno, que era o único deputado estadual da região, foi eleito para o Executivo. Sabemos que o município estagnou, deixou de ser a força econômica que era e vem perdendo espaço para muitas outras cidades, como Uberlândia, Uberaba. Pretendo criar mecanismos para que nós possamos trazer recursos. A redução do ICMS em Minas, que é alto, é uma dessas medidas.
– Mas, para além da questão econômica, que outras carências o senhor vê na Zona da Mata?
– Hoje nós estamos vendo a criminalidade crescer demais. Temos de trabalhar por um efetivo maior da Polícia Militar (PM) e por tirar as crianças de 5, 6, 7 anos das ruas, porque é nesse tipo de situação que começa a criminalidade. Tem que haver o combate preventivo à criminalidade, por meio de políticas sociais, o que, no longo prazo, vai ser revertido em benefício para os cofres públicos e para a sociedade, já que hoje um preso sentenciado custa, para o estado, cerca de R$ 3,5 mil a R$ 4 mil.
– Mas se o seu voto foi disperso, algum compromisso o senhor terá com outras regiões?
– Por nós conhecermos as dificuldades e carências de todas as regiões, nós podemos trabalhar junto aos deputados eleitos por essas regiões, ajudando na interlocução junto ao Governo, para atender às necessidades de cada lugar. Eu tive uma votação expressiva no Triângulo, com quase oito mil votos. Sul de Minas, sete mil. Vale do Aço, cinco mil. Vale do Mucuri, três mil. Jequitinhonha, mais três mil. Zona da Mata, 18 mil votos e Região Metropolitana, 21 mil. Foi bem pulverizado. Para eu dar conta de todas as regiões, preciso trabalhar em parceria com os deputados locais.
– O senhor pretende compor a base ou ser oposição ao Governo de Fernando Pimentel (PT)?
– Ainda não foi definido pelo partido. O PTB apoiou as candidaturas do PSDB, de Aécio Neves à presidência da República e de Pimenta da Veiga (PSDB) ao Governo de Minas Gerais. Nós estávamos na base do Governo. É muito provável que continuemos e façamos a composição com o Pimentel, porque não faz sentido sermos oposição sendo que, hoje, somos quatro deputados no partido, e o governador precisa ter maioria na casa, uma vez que tem apenas 26 deputados, se considerada sua coligação. O presidente do partido já deu início à negociação e é bem provável que nós façamos parte da base do Governo.
– Em todo Legislativo, existem bancadas parlamentares que fazem a defesa de minorias, como mulheres, negros e homossexuais. Que posições o senhor pretende assumir diante de eventuais proposições dessas minorias?
– Como pastor evangélico, pauto meu trabalho pela Bíblia. Eu acredito que homofobia é quando você agride ou deixa de respeitar, de alguma forma, a opinião e a posição do próximo, o que não quer dizer que eu tenha que concordar com essa pessoa. Eu, como pastor, com 34 anos de Evangelho, me pauto pela Bíblia, que diz que a união entre pessoas do mesmo sexo é pecado. Não posso me abster disso, e sou totalmente contra quaisquer medidas que estejam contra os meus princípios. Trabalho em defesa da família cristã, conforme ela foi constituída por Deus: homem, mulher, filhos.
– Já conversou com os demais deputados eleitos, para formar uma bancada que defenda a região?
– A conversa que eu tive foi com o Noraldino Júnior (PSC), ele se mostrou favorável a trabalharmos juntos, sem empecilhos partidários. Pretendo ter essa conversa com a deputada federal Margarida Salomão (PT), e já conversei como deputado federal Júlio Delgado (PSB). Ainda devo conversar com os outros deputados.









