Palavra do candidato
A segunda maior rede de ensino básico do país exibe contrastes que chamam a atenção. Longe das estatísticas educacionais, a radiografia da educação mineira parece remeter às regiões mais pobres do Brasil. Enquanto no Norte de Minas há salas sem paredes, no Centro-Oeste, instituições exibem até sala de cinema. Estudantes de projetos como o da escola em tempo integral recebem merendas diferenciadas. Em Juiz de Fora, havia crian-ças comendo em pé por falta de bancos. No Sul de Minas, adolescentes assistem às aulas em prédio novo e arejado, enquanto os do ensino fundamental estudam em galpão batizado de “paiol” pelos próprios alunos. Para agravar o quadro, a violência expulsa professores da sala de aula. Como resgatar o valor da escola e oferecer educação de qualidade?
Daniela Arbex, repórter
Fernando Pimentel
Tenho percorrido Minas e ouvido de perto as demandas de cada um dos nossos alunos, de nossas professoras e professores. Há, realmente, uma disparidade entre regiões e municípios. E isso precisa ser corrigido, a partir de uma gestão regionalizada, que leve em consideração a realidade, a potencialidade e a dificuldade de cada uma. É preciso valorizar os professores, pagar o piso nacional e cumprir a exigência constitucional de investir, no mínimo, 25% do orçamento na educação, o que não ocorreu nos últimos 12 anos. Vamos romper com essa lógica instalada de que a educação é “geração de despesas”. Não é. É investimento nas pessoas, na formação de novas gerações de cidadãos
Fidelis Alcântara
Quem dá sentido à escola
são os atores que a compõem. Professores e funcionários são massacra-
dos e desvalorizados e têm que se submeter ao trabalho em vários turnos. Para resgatar o valor da escola, é necessário que se reconheça professores como sujeitos, que se lhes dê formação permanente, que se pague o piso nacional e que se ofereça boas condições de trabalho, com recursos materiais e espaço físico apropriado. Os atores que compõem a escola precisam encontrar sentido em seu trabalho e receber tratamento digno e humanizado
Pimenta da Veiga
Depois de ser o primeiro estado a colocar as crianças aos seis anos na escola, Minas tem hoje a melhor educação básica do Brasil. Nossos alunos são, pela sétima vez consecutiva, campeões da Olimpíada de Matemática. O estado entregou mais de mil veículos para na zona rural. Se eleito, vou lançar o “Minas educa mais”, em três frentes: a partir de janeiro, toda escola será construída para funcionar em tempo integral. Vou ampliar a oferta de ensino profissionalizante e valorizar os professores. Vou aumentar a remuneração inicial da carreira e rever o atual modelo de promoção. Assim que o professor concluir mestrado ou doutorado, será imediatamente promovido. E vou criar o adicional de dedicação exclusiva, por adesão voluntária
Tarcísio Delgado
A primeira ação será, com certeza, o resgate do magistério mineiro. É impossível falar em qualidade de educação em um governo que não paga nem mesmo o piso salarial aos professores. Vamos corrigir essa situação, buscando a valorização do magistério, para que a escola mineira seja reerguida. Também investiremos na escola de tempo integral e no ensino técnico para os jovens. Tudo, sempre, em parceria com os municípios e com o Governo federal
Túlio Lopes
Minas não tem a melhor educação do Brasil. O Governo estadual não investe o mínimo que a Constituição determina na educação. Segundo o SindUTE-MG, 633 escolas não possuem rede de esgoto, 1.991 não possuem refeitório, 1.984 não possuem quadra de esporte coberta, 2.475 não possuem laboratório de ciências. Docentes da UEMG e da Unimontes estão em greve pela garantia de seus direitos previdenciários, plano de carreira, melhores salários e condições de trabalho. Precisamos fortalecer a luta dos estudantes e dos trabalhadores. Nós, do PCB, temos compromisso com a educação e iremos, através de um conselho popular, superar as contradições mencionadas









