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‘Precisamos fazer com que a região saia do empobrecimento’


Por HÉLIO ROCHA

04/11/2014 às 07h00- Atualizada 04/11/2014 às 08h51

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Cerca de 35 telefonistas da empresa Terceiriza, prestadora de serviços para a Prefeitura de Juiz de Fora (PJF), participam de um protesto ontem em frente à Câmara Municipal. As funcionárias reivindicaram o pagamento de reajuste previsto em acordo coletivo. Segundo a Terceiriza, uma tentativa de entendimento no Ministério do Trabalho será realizada hoje. A empresa alega que negocia uma rediscussão do contrato com a PJF. Por outro lado, o Município afirma que o pagamento mensal do acordo vigente entre as partes está regular. “Existe é uma negociação para readequação que está dentro dos prazos. Houve divergências de valores. Pedimos uma justificativa e estamos aguardando resposta. Entretanto, a empresa é responsável pelos funcionários e precisa cumprir o contrato”, explicou a secretária de Administração e Recursos Humanos, Andréia Goreske.

Entrevista/Isauro Calais, vereador e deputado estadual eleito

Deputado estadual eleito para seu primeiro mandato a partir de 2015, o vereador Isauro Calais (PMN) pretende fazer parte a base do Governo Fernando Pimentel (PT). Independente de seu partido ter integrado a chapa que apoiou a candidatura de Pimenta da Veiga (PSDB) ao Executivo estadual, Isauro revela o objetivo de assumir uma opção que lhe proporcione trânsito e influência para lutar por melhorias para a economia, a saúde e a segurança pública na Zona da Mata. Em entrevista à Tribuna, o futuro deputado afirmou que suas principais bandeiras serão a redução do ICMS para empresas mineiras, a conclusão do Hospital Regional e o aumento do efetivo policial em Juiz de Fora. Aos 53 anos, Isauro exerce seu quinto mandato na Câmara e chega ao Legislativo estadual com o apoio do prefeito Bruno Siqueira (PMDB), após quatro tentativas. A conversa com o vereador abre uma série de entrevistas com os parlamentares eleitos por Juiz de Fora que a Tribuna irá publicar nos próximos dias.

Tribuna de Minas – Como foi construída a conquista deste mandato?

Isauro Calais – Foi resultado de muita persistência. Já lutei contra a ditadura e em prol da anistia, pelo MDB. Cheguei a Juiz de Fora e concorri a vereador em 1988 e 1992, pelo PMDB. Depois cheguei à Câmara em 1997, e me reelegi desde então. Fui candidato a deputado em 1998. Foi um fiasco, com pouco mais de 5 mil votos. Não concorri em 2002 e voltei ao pleito em 2006, quando obtive 21 mil votos. Durante a segunda gestão do Custódio na Prefeitura (2008-2012), descobri que eu era o patinho feio da gestão. Por isso, fiz a opção por lançar minha candidatura à Assembleia e deixar o cargo de líder do Governo. Desde então, dei todo apoio à eleição do Bruno. Isso tudo foi uma construção, toda a trajetória que cumpri e que proporcionou a oportunidade de me eleger.

– De que maneira pretende conduzir o seu mandato na Assembleia?

– A minha passagem aqui na Câmara vai ser o espelho da minha atuação na Assembleia. Zelo pela coisa pública, pela coerência e pelo respeito às pessoas. Da mesma forma que fiz aqui, vou exercer a política com ideias. Nós precisamos ter uma agenda com o governador eleito, para que nós possamos fazer com que ele tenha uma agenda para a Zona da Mata.

– Como o senhor acha que o Governo estadual pode dar mais atenção à Zona da Mata?

– Primeiro, o Governo pode reduzir o absurdo ICMS de Minas Gerais. Hoje, perdemos empresas para o Rio de Janeiro e para São Paulo. Temos um ICMS de 18%, enquanto, no Rio, paga-se 6%. É geração de empregos que se perde. Em segundo lugar, temos que rever a política de segurança. Precisamos fazer com que exista um cronograma de trabalho para a Zona da Mata. É preciso 600 policiais a mais, no mínimo. É necessário um planejamento de segurança em Juiz de Fora e região. A Polícia Civil, por exemplo, é praticamente a mesma de vinte anos atrás.

– A solução passa apenas pelo aumento do efetivo policial?

– A política social é fundamental também. É preciso investir em escola de tempo integral, dar melhores condições para o professor, dar melhores opções de cultura e lazer para os jovens. Isso não foi feito na atual gestão. O Hospital Regional não saiu até hoje, por exemplo, e precisa estar funcionando para ontem. Temos que trabalhar por ele. O funcionamento não pode passar de 2015.

– Além do Hospital Regional, o que fazer para melhorar a saúde da região?

– O Governo tem de revitalizar hospitais menores nas cidades da região, para que possam atender melhor às demandas. Que o hospital de Bicas funcione. Que o de São João Nepomuceno funcione. Que outras unidades espalhadas por aí possam receber suporte financeiro para funcionar. É melhor ter um hospital com um ou dois médicos do que colocar um cidadão em um carro para circular pela região. É claro que, para procedimentos mais complicados, a pessoa vai continuar vindo a Juiz de Fora, mas é preciso mais suporte para a saúde na Zona da Mata.

– Qual posicionamento o senhor pretende adotar na ALMG? Será base ou oposição à futura gestão estadual?

– Eu vou conversar com o vice-governador eleito, o Antônio Andrade (PMDB) e com o Fernando Pimentel. Quero discutir todas as possibilidades. Uma coisa é certa: não serei oposição. Pretendo conversar para integrar a base se, obviamente, chegarmos a um entendimento. Nós precisamos somar e fazer com que a nossa região saia deste empobrecimento que está. Não culpo A nem B por esta situação, mas é preciso a atenção de todos. Precisamos do envolvimento do governador.

– Como deputado estadual, sua influência nas eleições municipais tende a ser maior. Que posição o senhor pretende assumir?

Isauro – Serei um “carregador de piano” pela reeleição do Bruno. Sou contra a reeleição, mas, se nós temos hoje esta possibilidade, vamos utilizá-la para que Juiz de Fora possa ganhar. Quando se assume uma gestão com problemas, perde-se muito tempo colocando a casa em ordem. O Bruno vai ter dois anos para fazer uma gestão boa. Agora, ele está colocando as coisas em ordem. De qualquer forma, quem não aprova a gestão do prefeito é porque não está vendo tudo que ele já fez.