Lacerda tem candidatura confirmada em convenção considerada nula

Ex-prefeito de Belo Horizonte recebe apoio de correligionários para disputar o Governo. Validade do encontro é contestada pelo PSB nacional


Por Renato Salles

04/08/2018 às 14h31- Atualizada 04/08/2018 às 18h27

 

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Convenção do PSB foi marcada por tumulto entre filiados (Foto: Alexandre Guzanshe/EM/D.A Press)

Um dos principais atores do cenário de indefinição que tomou conta das articulações partidárias para a escolha dos candidatos ao Governo de Minas, o PSB realizou sua convenção na manhã neste sábado (4). Ou, ao menos, tentou. Longe de ser amistoso, o encontro chegou a ser debatido no âmbito dos tribunais, com manifestações favorável e contrária a sua realização, respectivamente, do Tribunal Regional Eleitoral (TRE) e do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). No ato em si, houve enfrentamentos entre grupos defensores da candidatura Marcio Lacerda (PSB) e daqueles que apoiam decisão nacional que deliberou pela retirada do nome do ex-prefeito de Belo Horizonte da disputa, conforme acordo de neutralidade na disputa nacional firmado com o PT. Em meio ao clima tenso, os congressistas chegaram a ratificar Lacerda como candidato ao Palácio da Liberdade. Porém, em nota pública, a Executiva nacional da legenda se embasou na posição do TSE e cancelou a convenção. Em aberto, o imbróglio deve seguir sendo debatido nas vias judiciais e nos tribunais, uma vez que já há sinalizações de que o ex-prefeito irá tentar registrar sua candidatura no TRE.

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Neste cenário controverso, a convenção – rejeitada pelo comando nacional do partido – aconteceu em um hotel de Belo Horizonte. Inicialmente, o ato foi garantido por liminar do TRE expedida ainda na madrugada. Contudo, outra liminar, contrária à deliberação, foi concedida pelo TSE. Munido de tal decisão, o deputado federal juiz-forano Júlio Delgado (PSB), opositor da candidatura de Lacerda e defensor da tese nacional, compareceu ao encontro para tentar impedir a aprovação do nome do ex-prefeito.

Ao chegar ao local, Júlio foi hostilizado e chamado de “golpista” por defensores de Lacerda. O juiz-forano defendeu a deliberação do comando nacional da legenda. “Estou aqui em nome do PSB de verdade e vou continuar defendendo. Só queria ler a notificação e vou ler a notificação”, afirmou, citando posição do TSE contrária à realização da convenção. A decisão do tribunal confirma deliberação do comando nacional do partido que, na última sexta-feira, destituiu a antiga direção do diretório mineiro da sigla, que apoiava a empreitada de Lacerda, e indicou um novo comando, ligado a Júlio Delgado.

Por outro lado, Lacerda classificou o encontro que aprovou seu nome, considerado nulo pelo PSB nacional, como um momento histórico das discussões políticas em Minas Gerais. “Vocês vieram aqui me ajudar a resistir a uma investida no porão da velha política. Vocês vieram aqui por acreditar que Minas tem jeito e mostrar que o Brasil tem jeito, mostrar que não vão se entregar àqueles que querem destruir a confiança do povo na democracia para apoiar este cidadão que está há quase dois anos rodando essa Minas Gerais para sentir onde há sinal de vida, de esperança, nesse momento trágico que vivemos”, afirmou, em tom de campanha.

 

Disputa pelo Governo vive Dia D

A despeito de o PSB se manter em meio a incertezas na disputa pelo Governo de Minas, o domingo será um dia decisivo para a configuração da disputa pela sucessão estadual. Este domingo, conforme legislação eleitoral vigente, é o prazo final para a realização das convenções partidárias e três partidos que podem lançar candidatura ao Governo fazem suas discussões na data-limite: PT, DEM e MDB.

No caso do PT, a expectativa é da confirmação da candidatura do governador Fernando Pimentel (PT) à reeleição. Já o DEM deve confirmar o nome do deputado Rodrigo Pacheco (DEM) na disputa. Por fim, o MDB tem maiores possibilidades de discussão. Presidente da comissão provisória do partido no estado, o deputado federal Saraiva Felipe (MDB) admitiu que ainda existem conversas com outros partidos.

Assim, há pelo menos dois caminhos a serem seguidos pelos emedebistas. Um deles seria o do lançamento de uma candidatura própria ao Governo. Neste cenário, o nome do deputado estadual e presidente da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), Adalclever Lopes (MDB), aparece como favorito à indicação. A possibilidade de uma reedição da coligação com o PT, vitoriosa nas urnas em 2014, para a reeleição de Pimentel também tem seus defensores dentro do MDB mineiro.

Recentemente, os emedebistas ainda discutiram uma possível aliança com o PSB, em torno do nome de Márcio Lacerda. Os enfrentamentos existentes dentro do diretório do partido em Minas e o posicionamento do comando nacional da sigla contrário à candidatura do ex-prefeito de Belo Horizonte, todavia, aparecem como entrave. Dentre as discussões do MDB, a decisão final também irá definir o destino de uma relevante liderança política de Juiz de Fora, com a indicação do nome do ex-prefeito Bruno Siqueira (MDB), que renunciou a seu segundo mandato exatamente para disputar as eleições de outubro, como candidato ao Senado ou à ALMG.

Além de Lacerda, que tem a indicação de seu nome como candidato ao Governo contestada pelo comando nacional do PSB, além de defecções no âmbito estadual como o deputado Júlio Delgado, outros sete postulantes já foram ratificados por seus partidos: Antonio Anastasia (PSDB), Dirlene Marques (PSOL), Jaime Martins (PROS), João Batista Mares Guia (Rede), Jordano Carvalho (PSTU), Rita Del Bianco (PRTB) e Romeu Zema (Novo).