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Deputados e lideranças políticas falam sobre operação


Por Renato Salles

04/03/2016 às 15h19- Atualizada 04/03/2016 às 15h56

[Relaciondas_post] Tão logo as primeiras notícias da mais recente etapa da operação Lava jato, que culminou na condução coercitiva do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva para prestar depoimento à Policia Federal em uma sala do Aeroporto de Congonhas, em São Paulo, militantes do PT, de movimentos de esquerdas e de outros partidos alinhados com as gestões petistas se mobilizaram em defesa de Lula. As redes sociais foram o primeiro canal para as manifestações, inclusive com a adesão de lideranças políticas locais. “A condução coercitiva do presidente Lula, de membros da sua família e da direção do Instituto Lula é uma afronta à sociedade brasileira. É um golpe nas instituições democráticas. É um tapa na nossa cara. Isto nós não vamos aceitar”, afirmou a deputada federal Margarida Salomão em vídeo postado no Facebook.

Margarida Salomão: "Não faz sentido promover esse constrangimento a um ex-presidente da República que é o maior líder popular da história do Brasil por conta de ilações, nenhuma delas substanciais. Por isso, denunciamos: é golpe, e nós não vamos aceitar."
Margarida Salomão: “Não faz sentido promover esse constrangimento a um ex-presidente da República que é o maior líder popular da história do Brasil por conta de ilações, nenhuma delas substanciais. Por isso, denunciamos: é golpe, e nós não vamos aceitar.”

Margarida, que está em Juiz de Fora, está reunida com outros militantes alinhados com a política do ex-presidente em reunião no Sindicato dos Bancários, na tarde desta sexta-feira (4). O grupo estuda a realização de um ato público nas ruas centrais da cidade em defesa de Lula, o que pode acontecer ainda hoje, às 17h, em frente à Câmara. “Não faz sentido promover esse constrangimento a um ex-presidente da República que é o maior líder popular da história do Brasil por conta de ilações, nenhuma delas substanciais. Por isso, denunciamos: é golpe, e nós não vamos aceitar. Convoco nossos companheiros de luta em defesa da democracia do Brasil”, reforçou a petista em sua publicação na rede social.

Wadson Ribeiro: "Não aceitaremos nenhum tipo de golpe seja ele à força ou um golpe branco como tem se tentado fazer"
Wadson Ribeiro: “Não aceitaremos nenhum tipo de golpe seja ele à força ou um golpe branco como tem se tentado fazer”

Também deputado federal, o juiz-forano Wadson Ribeiro (PCdoB) também manifestou apoio a Lula. Inclusive, esteve presente no Aeroporto de Congonhas, acompanhado de outros parlamentares do PCdoB, durante as mais de três horas de depoimento do ex-presidente. O parlamentar também classificou a condução coercitiva como um esforço político para desgastar a imagem do ex-presidente. Estamos aqui para prestar o nosso apoio e nossa solidariedade e, mais do que isso, para denunciar essa tentativa de golpe contra o estado de direito, a democracia e as conquistas alcançadas desde o primeiro mandato do presidente Lula. Não aceitaremos nenhum tipo de golpe seja ele à força ou um golpe branco como tem se tentado fazer”, considerou Wadson, também pelo Facebook.

lula wadson 2

Em nota, o diretório municipal do PT declarou que o dia de hoje entrará para a história “por representar um duro golpe ao Estado Democrático de Direito”. O texto assinado pelo jornalista e presidente do braço local da sigla, Giliard Tenório, reforça o pensamento de que não há razões para a operação deflagrada na manhã de hoje, atestando que o ex-presidente nunca se resignou a prestar qualquer tipo de informação à Justiça. “Mais do que nunca, fica agora escancarado que o que se tem em curso é um arranjo entre operadores da elite do país, que tem como único objetivo destruir a imagem do ex-presidente Lula e levar por terra o Partido dos Trabalhadores e o governo da presidenta Dilma Rousseff.”

 

Pestana defende ordem constitucional

Entre as lideranças locais que atuam na oposição ao Governo federal e ao PT, o deputado federal Marcus Pestana (PSDB) classificou a atual crise política pela qual passa o país como um “momento gravíssimo”. Em postagem também no Facebook, o tucano afirmou que o momento é de preservar a ordem constitucional, as instituições democráticas e a ética. Apesar de declarar que ninguém está acima da lei e de a ampla defesa e presunção da inocência são princípios democráticos, Pestana lembrou de outros momentos de instabilidade do país, como o período que antecedeu o processo de impeachment e a consequente renúncia do ex-presidente e atual senado Fernando Collor (PTB). “O PT foi além dos limites no uso do poder. Mistura sem precedentes entre espaços público, privado e partidário resultou no maior escândalo da nossa história. Não há retorno. é preciso apurar e punir.”

Marcus Pestana:  "O PT foi além dos limites no uso do poder."
Marcus Pestana: “O PT foi além dos limites no uso do poder.”

Outro parlamentar juiz-forano na bancada de oposição do Congresso Nacional, o deputado Júlio Delgado (PSB) ainda não havia feito qualquer tipo de comentários sobre o depoimento do ex-presidente Lula até o início da tarde. Entretanto, postou um link onde era possível acompanhar em tempo real os desdobramentos do caso.

 

Preocupação

Por outro lado, o ex-prefeito Tarcísio Delgado (PSB) mostrou preocupação com a forma que as investigações da Lava Jato possam estar sendo conduzidas. “Não quero defender Lula, não aceito desrespeito aos direitos humanos de qualquer pessoa. Se não houver uma forma de controle do Judiciário, com sua instrumentalização (…), não haverá mais respeito às garantias constitucionais do cidadão. O desrespeito ao direito e suas instituições está igual ao período da ditadura. Não há qualquer garantia processual. Vale tudo contra todos. Estou gravemente preocupado”, afirmou o veterano político local também no Facebook.