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Política em foco


Por Eugênio Giglio, professor titular e pesquisardor da ESPM-RJ

03/09/2014 às 06h00- Atualizada 03/09/2014 às 12h42

E chegamos ao meio da campanha de 2014 com todos aguardando o que trazem os novos números das pesquisas de intenção de votos, que agora insistem em desmontar os prognósticos baseados na pesquisa anterior.

Se nas eleições presidenciais deste ano a prudência, e a total imprevisibilidade, não permite a indicação clara de um(a) vencedor(a), por certo já temos o grande perdedor. Já podemos reconhecer que, nesta eleição, naufragaram os magos, os bruxos e os gurus. Para aqueles que não são iniciados nos processos eleitorais, estes nada mais são do que os responsáveis pela coordenação da comunicação das candidaturas, que, nos últimos anos, tiveram a sua importância amplificada pela sua previsão do futuro.

Hoje, todas as atenções estão voltadas para os dois elementos mais importantes. O primeiro deles, e o grande responsável por esse cenário imprevisível, o fato. Ou “sua excelência o fato”, como sempre falava o dr. Ulysses Guimarães. O segundo, mas não menos importante: o eleitor, cujas opiniões são captadas pelas pesquisas de opinião e intenção de votos.

Devemos analisar os resultados das pesquisas de opinião e as que medem a intenção de votos com especial atenção. Elas, nesse momento, medem os efeitos e não as causas. Elas são o termômetro. Não a causa da febre. Nesta eleição, estamos observando, mais do que antes, que elas contagiam o debate das ideias, pautam a imprensa e, pior, dirigem os discursos das candidaturas.

As pesquisas de opinião e intenção de votos já fazem parte da paisagem do processo eleitoral brasileiro. Agora a discussão que se faz necessária, pelo menos para os atores diretamente envolvidos, é a forma de sua utilização. Qual o papel que ela desempenhou nestas recentes e bruscas “mudanças de opinião” do eleitor? Estamos saindo do obscurantismo das soluções mágicas dos marqueteiros para cair em outra panaceia? Serão elas – as pesquisas – os novos gurus da opinião pública?

Ainda é cedo para discutir qual o papel que elas terão. Estamos ainda no calor dos fortes acontecimentos. Elas vieram para ficar ou são uma nova onda?

A prudência recomenda observar este processo com calma antes de se proferirem os prognósticos. E como já nos alertava a, sempre oportuna, canção de Lulu Santos: “Nada do que foi será. De novo do jeito que já foi um dia. Tudo passa. Tudo sempre passará”.