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Celso Amorim defende saída das tropas do Haiti


Por Tribuna

03/08/2011 às 07h00

Ex-ministro esteve em conferência na cidade

Ex-ministro esteve em conferência na cidade

O ex-ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, defendeu a saída planejada das tropas brasileiras do Haiti. "Acho que está na hora de se pensar uma estratégia de saída do Haiti. Não pode ser uma coisa irresponsável, mas o Brasil já ficou tempo suficiente", disse ontem, em Juiz de Fora, durante a conferência "Novas dimensões da política externa brasileira" promovida pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). O Brasil lidera a missão de paz da Organização das Nações Unidas (ONU) no Haiti, chamada Minustah, desde de 2004. Cerca de 14 mil militares do Exército, inclusive juiz-foranos, participaram da iniciativa nesse período. Atualmente, o grupo brasileiro na ilha caribenha tem 2.200 militares. Outros 18 países também mantêm efetivo no Haiti. Para Amorim, não há mais motivo para o Brasil exercer o papel que vinha exercendo. O argumento é de que, como houve duas eleições democráticas seguidas desde a chegada da Minustah, o momento seria propício para iniciar uma retirada gradual das forças militares.

O ex-ministro também considerou um sinal de avanço a nomeação da ministra francesa das Finanças, Christine Lagarde, diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI). Mesmo tendo sido favorável à indicação de um representante dos países emergentes, ele disse que o fato de uma mulher assumir a função sinaliza uma mudança. "Seria melhor que fosse alguém das nações emergentes. Isso chegou a ser combinado com o (Dominique) Strauss-Kahn, mas ele acabou não concluindo o seu mandato." O francês Dominique Strauss-Kahn pediu demissão depois de ser acusado pela justiça americana de agressão sexual contra uma camareira em Nova York.

A escolha do brasileiro José Graziano da Silva como novo diretor-geral da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) também seria consequência do novo modelo de relações internacionais brasileiras. Ainda assim, segundo Amorim, a participação dos emergentes no processo decisório internacional ainda é tímida. "Falam, a todo momento, que o crescimento será puxado pelos Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul). Ora, isso deve se refletir no processo decisório".

Por fim, o ex-ministro defendeu o fim da emissão dos passaportes diplomáticos. Regulamentado pelo decreto 5.978/2006, o documento é concedido a presidentes, vices, ministros, parlamentares, chefes de missões diplomáticas, ministros dos tribunais superiores e ex-presidentes. Esse modelo de passaporte ficou conhecido após a notícia de que dois filhos do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva receberam o documento. Para Amorim, o passaporte diplomático é um "anacronismo". "Tentamos acabar com o documento quando estava no ministério, mas sofremos uma resistência muito grande da burocracia."