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Custódio intensifica aparições públicas no primeiro trimestre


Por Renato Salles

01/05/2012 às 06h00

Coincidência ou não, os primeiros três meses de 2012, ano em que Custódio Mattos (PSDB) irá colocar seu nome para a apreciação do eleitorado em busca de sua primeira reeleição à Prefeitura, têm sido os mais movimentados no que diz respeito às aparições públicas do prefeito na atual gestão, iniciada em 2009. De janeiro a março deste ano, entre inaugurações, visitas e vistorias a obras, reuniões com entidades de classe, lançamentos de projetos, aulas inaugurais e afins, o tucano foi às ruas da cidade ou estabeleceu contatos públicos em pelo menos 50 oportunidades. O número é praticamente o mesmo que o registrado no somatório dos primeiros semestres dos três anos anteriores, quando as aparições de Custódio fora de seu gabinete e de unidades ligadas ao Executivo giraram em torno de 48 (22, em 2011; 12, em 2010; e 14, em 2009). Os números foram obtidos através de uma triagem feita pela Tribuna tendo como base as notícias publicadas pelo portal da PJF na internet (www.pjf.mg.gov.br), mantido pela Secretaria de Comunicação Social.

O Secretário de Governo, Manoel Barbosa rechaça qualquer possibilidade de estratégia eleitoral nas aparições públicas. Segundo ele, o aumento na frequência dos contatos com a população e com entidades de classe é uma evolução natural dos trabalhos da atual gestão, iniciados em 2009. "De maneira alguma há qualquer tipo de viés eleitoral nesta maior presença do prefeito em eventos públicos. A atual gestão pegou a Prefeitura com uma dívida aproximada de R$ 90 milhões, o que não nos permitia sequer ter a certidão negativa necessária para tocar à frente novos projetos. O primeiro ano da atual gestão foi dedicado a arrumar a casa. Nos anos seguintes, partimos para uma etapa onde também eram importantes os trabalhos internos, como a elaboração de projetos e a busca por recursos federais e estaduais para que fossem colocados em prática. Concluído isso, as obras começaram a sair do papel e a presença do prefeito nas ruas, consequentemente, tornou-se maior, para acompanhar, vistoriar e dar sugestões nos trabalhos que estão sendo executados."

Superexposição

No entendimento do cientista político Diogo Tourino, ligado à Universidade de Viçosa (UFV), o fato de ter à máquina administrativa a seu favor pode trazer benefícios a um candidato à reeleição. Por outro lado, a superexposição faz com que os gestores estejam intermitentemente em uma espécie de vitrine, sujeitos a uma avaliação popular contínua. "A máquina é sempre uma vantagem em alguns aspectos e uma desvantagem em outros. Isso porque, o governo pode concentrar suas ações em setores estratégicos na tentativa de ampliar votos. Lembro o caso do ex-governador de Brasília, José Roberto Arruda, que concentrou suas ações no atendimento de grandes áreas pobres do DF, com pavimentação e eletrificação, crescendo, dessa forma, num eleitorado onde ele poderia crescer. Por outro lado, há setores que sempre terão demandas insolúveis, por mais que se faça, como saúde e educação, por exemplo. Nesses setores, ser governo inevitavelmente gera insatisfações."

Ainda conforma Tourino, as ações públicas de um prefeito fazem parte do exercício de seu mandato, independente de que ele seja ou não candidato à reeleição. Assim, de certa forma, devem ser consideradas inerentes ao processo eleitoral. "Como temos eleições de dois em dois anos, temos esse tipo de comportamento mais vezes do que em outras situações da nossa história. Hoje, parece que o momento eleitoral é o único no qual os cidadãos pouco dedicados à política se ocupam dela. Discutindo, criticando, opinando e, por fim, votando. E o fazem pois é nessa época que os governos mais aparecem. Se pensarmos, que eleições municipais, estaduais e federais são interligadas, pois os partidos e atores testam apoios e constroem bases, seria legal imaginarmos que quanto mais eleições tivermos, menos tempo teríamos para que governos concentrassem suas ações apenas em anos eleitorais."

 

Inaugurações autorizadas até o dia 7 de julho

De acordo com o calendário eleitoral, inaugurações de obras públicas são autorizadas até o dia 7 julho, três meses antes do primeiro turno das Eleições 2012. "A partir do momento em que a legislação não permitir a participação do prefeito em alguns eventos, ele sairá de cena. Mas as inaugurações e os trabalhos irão continuar no mesmo ritmo. Isso tudo é fruto não de um projeto eleitoral, mas de um trabalho de quatro anos. Não há nenhuma possibilidade de contaminação ao processo eleitoral. Custódio está cumprindo seu papel de prefeito, não de candidato. A legislação será respeitada", explica o secretário de Governo, Manoel Barbosa.

Com relação ao prazo que veda a participação dos prefeitos em inaugurações dentro dos 90 dias que antecedem o pleito, o cientista político Diogo Tourino avalia a legislação eleitoral como eficiente. "Acho a legislação eleitoral brasileira boa, descuidando, apenas, do tema do financiamento das campanhas – para mim, a grande ‘caixa preta’ a ser aberta se quisermos uma democracia ‘saudável’. " Sobre a aparição dos candidatos à reeleição, Tourino considera ruim a falta de discernimento dos cidadãos em relação ao que os governos fazem. "Por exemplo, as prefeituras organizam festas na cidade todos os anos. Por vezes, consomem boa parte dos recursos que têm sem planejamento, custeando a vinda de um grande artista, e nada se diz. No entanto, pavimentar uma rua, inaugurar um posto de saúde ou coisas parecidas incomoda. Falta discernimento em duas coisas. Primeiro, ver o que é e o que não é uma ação governista bem pensada para o bem de todos, independendo dela ser executada em ano eleitoral. Segundo, analisar se boas ações, como pavimentação ou a construção de postos de saúde, não estão sendo proteladas no sentido de aguardar a eleição, em detrimento do atendimento dos cidadãos."