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Nomes de vices ainda indefinidos


Por RICARDO MIRANDA

01/04/2012 às 06h00

A indefinição envolvendo os futuros adversários do prefeito Custódio Mattos (PSDB) nas eleições deste ano, além de inviabilizar a articulação de alianças para o primeiro turno, tem também impedido a construção de candidaturas a vice-prefeito. PT, PMDB e PSB confirmam conversas em todas as direções, mesmo com os nomes da ex-reitora da UFJF Margarida Salomão (PT), do deputado estadual Bruno Siqueira (PMDB) e do deputado federal Júlio Delgado (PSB) cada vez mais consolidados como pré-candidatos à Prefeitura. Por ora, nenhum deles sinaliza com a possibilidade de deixar a disputa, mas também preferem não finalizar a composição de suas chapas majoritárias antes de uma decisão de caráter definitivo dos outros. Ao mesmo tempo, todos seguem atentos às movimentações alheias. A recomendação do ex-prefeito Tarcísio Delgado (PMDB), na última semana, a favor de um entendimento entre Júlio e Bruno, por exemplo, arrefeceu a ala petista entusiasta de um acordo imediato com PMDB ou PSB.

A proximidade entre PT e PMDB, defendida desde o ano passado pelo diretório petista local, chegou a avançar em Brasília, mas sem repercussão em Belo Horizonte ou em Juiz de Fora. As conversas na cúpula nacional das duas legendas, que contou com a participação de caciques locais, não produziram o efeito desejado ou, pelo menos, no tempo desejado. O avanço da candidatura de Bruno e a escolha de Tarcísio como interlocutor do PT, mesmo com seu filho no páreo, acabaram comprometendo um acerto para o primeiro turno. A própria Margarida chegou a se encontrar com Júlio e Bruno, mas o tema da composição não teve espaço na pauta. As conversas continuam, mas o foco passou para a unidade no segundo turno. Com isso, crescem as chances do diretor de Fomento e Promoção da Cultura Afro-brasileira da Fundação Cultural Palmares, Martvs das Chagas, ser o segundo nome em uma chapa pura do PT.

Cada vez mais distantes de um entendimento com o PT, peemedebistas e os socialistas começaram a se entreolhar em busca de nomes viáveis para a candidatura a vice. Caso consiga manter a cabeça da chapa com Bruno e ainda trazer o PSB para a composição, o PMDB tem nome e sobrenome para ocupar a vaga de vice: Érica Delgado. Herdeira de Tarcísio, a irmã de Júlio está filiada ao PSB. Sua entrada no páreo, segundo peemedebistas favoráveis à candidatura própria, seria a coroação de uma das melhores costuras do processo sucessório. O entendimento do grupo é de que dificilmente outra conjuntura sinalize tão bem a unidade entre a ala tarcisista do PMDB e o PSB com a candidatura de Bruno. Essa articulação, no entanto, ainda não foi levada a Tarcísio ou a Júlio.

Em uma situação inversa, com o PSB emplacando Júlio como candidato e trazendo consigo o PMDB, os socialistas também veem no aliado bons nomes para vice. Um dos mais cotados é o médico e pré-candidato a vereador Antônio Aguiar (PMDB). O problema é demovê-lo da corrida pela Câmara Municipal, onde aparece com certo favoritismo. Ainda assim seu nome é mencionado com frequencia como aposta no discurso da renovação. O vereador José Sóter de Figueirôa Neto (PMDB), com bom trânsito entre o grupos de Tarcísio e Bruno, também é citado. Ele e Antônio Aguiar são amigos de Júlio. A ordem, tanto no PMDB quanto no PSB, é para colocar os nomes na mesa apenas no caso de a proposta de dobradinha entre os dois partidos avançar.

Não havendo acordo entre PT, PSB e PMDB, quem tem boa chance de aparecer como segundo nome de qualquer uma das três siglas é o PCdoB, do ex-secretário-executivo do Ministério do Esporte, Wadson Ribeiro. Tradicional parceiro dos petistas, a legenda conversa com todos os partidos da base aliada da presidente Dilma Rousseff. Quem também não esconde o desejo de aparecer como vice em uma chapa é o pastor Aloizio Penido (PTB). Mesmo com seu partido hoje na base do prefeito Custódio Mattos, seu nome começou a frequentar as conversas internas do PMDB.

Tucanos devem repetir dobradinha

Mesmo com a possibilidade de o secretário de Administração e Recursos Humanos, Vítor Valverde (PDT), assumir a condição de vice na chapa do prefeito Custódio Mattos (PSDB) ter frequentado as articulações sucessórias até bem pouco tempo, o entendimento pela manutenção do atual vice, Eduardo de Freitas (PDT), no páreo deve permanecer. Com prestígio em alta junto aos tucanos, Vítor é considerado um dos principais coordenadores da campanha, sendo desaconselhado, nesse contexto, tê-lo como candidato. Ao mesmo tempo, Eduardo não fez nenhuma sinalização no sentido de retomar a vida parlamentar. Sua discrição em relação ao assunto foi tanta que em nenhum momento os dois vereadores da bancada do PDT – José Fiorilo e Ana Rosignoli – ensaiaram qualquer tipo de reação à possível concorrência.

Os governistas consideram ainda uma mudança dessa envergadura como risco de uma nova crise na extensa base. E não é para menos. A recente volta do vereador Rodrigo Mattos (PSDB) para a disputa por um novo mandato na Câmara Municipal fez elevar os ânimos de várias bancadas aliadas. O PSC, do líder governista Noraldino Júnior e de José Emanuel, já não fala mais a mesma língua. Na última semana, Antônio Martins (Tico-Tico, PP) e Chico Evangelista (PP) elevaram o tom das críticas ao Executivo. Longe do Palácio Barbosa Lima, a repercussão do retorno do herdeiro de Custódio ao páreo também não foi das melhores. A possível desistência da secretária de Atividades Urbanas, Sueli Reis (PSDB), de concorrer ao Legislativo para apoiar Rodrigo, assustou outros tucanos da chapa proporcional. Em muitos partidos, a apreensão é quanto a debandada de pré-candidatos que foram ex-cabos eleitorais de Rodrigo.

A agitação da base, na avaliação do Governo, é natural. A aposta é de que com o deslanchar de algumas obras e inaugurações de outras o clima de tranquilidade volte. Para alguns tucanos, o comportamento do PPS e do PV, que são ligados ao secretário e Estado de Saúde, Antônio Jorge, é motivo de fato para preocupação. Mesmo com sinalização favorável em relação aos dois partidos vindas de Belo Horizonte, o sentimento de desconfiança quanto às legendas ainda é visível no ninho tucano. Além disso, o PSDB não conseguiu equacionar como vai resolver a necessidade de atrair PSB ou PMDB em um eventual segundo turno. A principal aposta, mais uma vez, reside na capacidade de articulação do senador Aécio Neves (PSDB), que, dessa vez, não poderá contar com o ex-presidente Itamar Franco.