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Pimentel e Dilma: desafios distintos


Por RENATO SALLES

01/01/2015 às 07h00

Eleito ainda no primeiro turno, Pimentel pretende regionalizar gestão em Minas. Presidente, que prometeu honrar vitória, irá enfrentar vigilância permanente da oposição
Eleito ainda no primeiro turno, Pimentel pretende regionalizar gestão em Minas. Presidente, que prometeu honrar vitória, irá enfrentar vigilância permanente da oposição

Quando Alberto Pinto Coelho (PP) transferir o cargo para o governador eleito Fernando Pimentel (PT) hoje na Assembleia Legislativa, um novo ciclo político terá início em Minas Gerais. A posse do petista coloca fim a um período de 12 anos em que o Palácio Tiradentes esteve nas mãos do grupo político encabeçado pelo senador Aécio Neves (PSDB) – com duas gestões de Aécio, uma de Antônio Anastasia (PSDB) e nove meses de comando de Alberto Pinto Coelho. De certa forma, o novo recorte estadual coloca Juiz de Fora sob as administrações da dobradinha formada por PT e PMDB nas três esferas de poder, já que Antônio Andrade (PMDB) assume como vice-governador; a presidente Dilma Rousseff (PT) e o vice-presidente Michel Temer (PMDB) tomam posse para um segundo mandato; e o prefeito Bruno Siqueira (PMDB), embora sofra uma ferrenha oposição petista na esfera municipal, inicia seu terceiro ano à frente do Município.

Na esfera estadual, o PT terá o desafio de comandar Minas Gerais, terceiro maior Produto Interno Bruto (PIB) do país, pela primeira vez. Com a missão de descentralizar a gestão estadual e obter avanços em áreas como saúde, educação e segurança pública, Pimentel terá quatro anos para tirar do papel um leque de propostas apresentadas à população que o elegeu com 52,98% dos votos válidos ainda no primeiro turno. Neste sentido, a primeira ação do novo governador deverá ser instrumentalizar a criação de fóruns regionais que terão autonomia para debater as prioridades das diversas regiões do estado.

A partir daí, o petista terá que arregaçar as mangas para concretizar promessas como a entrega de nove hospitais regionais – entre eles, o de Juiz de Fora – e a construção de 77 centros de especialidades médicas. No campo educacional, os principais desafios serão sanar os questionamentos dos docentes acerca do cumprimento da Lei do Piso. Para reduzir os índices de violência, crescentes em regiões como a Zona da Mata, Pimentel promete incrementar o efetivo policial com a incorporação de 12 mil policiais.

Equipe

Com a promessa da oposição de manter vigilância ferrenha do novo Governo, o que pode dificultar a aprovação de projetos governistas no Congresso, Dilma Rousseff terá o desafio de recuperar a economia nacional em seu segundo mandato. Reeleita com 51,6% dos votos válidos no segundo turno, a petista precisará controlar os impulsos de autoridade e dar liberdade ao novo ministro da Fazenda, Joaquim Levy. O novo titular da pasta recebeu a incumbência de realizar um severo ajuste fiscal, alcançar superávit e manter a inflação no centro da meta de 4,5% ao ano. A maior dificuldade, entretanto, deverá ser os questionamentos internos de alas descontentes do PT, que critica sua ligação com o mercado financeiro.

No lado político, a formação da equipe ministerial mostra um perfil mais “dilmista” no quarto mandato do PT à frente do Palácio do Planalto. Ao contrário do que aconteceu em sua primeira gestão, Dilma parece mais independente de Lula. Entretanto, apesar de o maior controle nas escolhas, a presidente terá que aplacar críticas a nomes de seu primeiro escalão, como as ponderações feitas a escolha de George Hilton (PRB) para o Ministério do Esporte, que enfrenta resistência de esportistas, e de Kátia Abreu para o Ministério de Agricultura, criticada pelo setor produtivo e movimentos sociais.

Últimos nomes
Ontem, a presidente Dilma anunciou os últimos 14 ministros que integrarão seu primeiro escalão. Entre os nomes, 13 já ocupam ministérios e serão mantidos nos cargos. O único nome escolhido é o do diplomata Mauro Vieira, embaixador do Brasil nos Estados Unidos, que ocupará o Ministério das Relações Exteriores. Os demais quadros anunciados são Luís Inácio Adams (Advocacia-Geral da União), Marcelo Néri (Assuntos Estratégicos), Aloizio Mercadante (Casa Civil), Thomas Traumann (Comunicação Social), Tereza Campello (Desenvolvimento Social), Ideli Salvatti (Direitos Humanos), Jose Elito Siqueira (Gabinete de Segurança Institucional), José Eduardo Cardozo (Justiça), Izabela Teixeira (Meio Ambiente), Guilherme Afif Domingos (Micro e Pequena Empresa), Eleonora Menicucci (Políticas para Mulheres), Arthur Chioro (Saúde) e Manoel Dias (Trabalho).

Mais de 40 líderes estrangeiros estarão em Brasília

O novo governador de Minas Gerais será empossado logo pela manhã. A chegada de Fernando Pimentel e de seu vice, Antônio Andrade, na ALMG está prevista para as 9h, quando deverão passar pelos Dragões da Inconfidência (grupamento de honra da Polícia Militar), antes de serem recepcionados por parlamentares, autoridades e pelo presidente do Legislativo, o deputado estadual Dinis Pinheiro (PP), que ficará responsável pela condução dos trabalhos da posse. Findada a cerimônia, Pimentel e Antônio Andrade deixarão o plenário em direção ao Palácio da Liberdade, onde o atual governador Alberto Pinto Coelho irá realizar a transmissão do cargo. O compromisso está agendado para as 11h.

Já como governador de Minas, Pimentel seguirá para Brasília às 14h, onde irá acompanhar a posse da presidente Dilma Rousseff. O início da cerimônia será marcado por um desfile no Rolls Royce presidencial que levará Dilma até a entrada do Congresso Nacional. No plenário da Câmara, a presidente reeleita faz o juramento, assina o termo de posse e discursa para os presentes. A partida em direção ao Palácio do Planalto será marcada por uma salva de 21 tiros de canhão. A petista sobe a rampa do palácio para fazer um pronunciamento à nação e empossar seus futuros ministros. Em seguida, a partir das 18h30, acontece uma recepção no Palácio do Itamaraty.

Alem do novo governador de Minas Gerais, a posse da presidente terá a presença mais de 40 autoridades estrangeiras. Entre elas, são esperados o vice-presidente dos Estados Unidos, Joe Biden; o vice-presidente da China, Li Yuan Chao; e o secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-Moon. Lideranças sul-americanas também acompanharam a cerimônia. Já confirmaram presença a presidente do Chile, Michelle Bachelet; o presidente da Venezuela; Nicolás Maduro; o líder paraguaio Horácio Cartes; o secretário-geral da União de Nações Sul-Americanas (Unasul), Ernesto Samper; vice-presidente da Colômbia Angelino Garzón; e o vice-presidente da Argentina Amado Boudou. O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva também irá à Brasília para a cerimônia. O petista participará do evento no Palácio do Planalto, mas ainda não há confirmação se ele acompanhará a cerimônia no Congresso.

Segurança

A presença de tantos líderes internacionais requer um esquema de segurança sofisticado, que irá envolver mais de sete mil militares e agentes policiais. O maior efetivo – que não teve seu número divulgado – irá acompanhar a delegação do vice-presidente americano, Joe Biden. Com apenas quatro pessoas, a menor será a do presidente uruguaio, José Mujica. O deslocamento das comitivas internacionais será acompanhado por 220 batedores da Polícia do Exército e monitorados à distância por helicópteros, armados e de vigilância. Durante toda a programação, que se estenderá até a noite, o espaço aéreo da capital federal ficará restrito a voos comerciais.