UFMG pede desculpas por uso de cadáveres do Hospital Colônia em aulas de anatomia
Universidade reconhece prática adotada no século XX e anuncia ações de memória em parceria com grupos da luta antimanicomial
A Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) pediu desculpas publicamente à sociedade brasileira por ter adquirido, no século XX, cadáveres provenientes do Hospital Colônia de Barbacena para atividades de ensino. Em declaração assinada em 18 de março, a instituição reconhece a gravidade da prática e informa que vai adotar ações de memória em parceria com grupos da luta antimanicomial.
Segundo a universidade, além do pedido público de desculpas, serão desenvolvidas medidas no campo do ensino e da preservação da memória, em consonância com recomendações da Procuradoria Regional dos Direitos do Cidadão do Ministério Público Federal. Entre as ações anunciadas estão a restauração do livro histórico de registro de cadáveres e a inclusão do tema em disciplinas de anatomia da Faculdade de Medicina.
No texto, a então reitora Sandra Goulart Almeida reconhece que o “Hospital Colônia de Barbacena e outras instituições psiquiátricas de Minas Gerais foram palco de uma das mais cruéis violações de direitos humanos já praticadas no Brasil: a internação de pessoas de todas as idades por supostos transtornos mentais”. A declaração também destaca que, após a morte, muitas dessas pessoas foram enterradas como indigentes ou tiveram os corpos destinados a uma das 17 instituições de ensino médico para viabilizar o aulas de anatomia.
A manifestação pública da UFMG afirma que, em respeito ao direito à verdade, à justiça e à memória, a instituição “pede desculpas à sociedade brasileira por essa prática que aviltou os corpos e a dignidade de pessoas falecidas no Hospital Colônia de Barbacena”.
A universidade informou ainda que as medidas anunciadas foram construídas em diálogo com grupos da luta antimanicomial. A proposta é tratar o episódio não apenas como parte da história institucional, mas também como um marco de violações de direitos humanos que precisa ser reconhecido e debatido no ambiente acadêmico.
De acordo com a UFMG, desde 1999 a instituição mantém um programa de doação de corpos para estudo de anatomia. O modelo atual, segundo a universidade, funciona de forma voluntária e consentida, dentro de parâmetros legais e éticos e alinhado a padrões internacionais.
Ao tornar pública a declaração, a universidade associa o pedido de desculpas a um compromisso com a memória das vítimas e com a revisão crítica de práticas adotadas no passado. A iniciativa também busca ampliar a discussão sobre o uso de corpos humanos no ensino médico e sobre a necessidade de garantir que procedimentos acadêmicos estejam vinculados ao respeito à dignidade humana. Leia a declaração completa aqui.
Texto reescrito com o auxílio do Chat GPT e revisado por nossa equipe
Tópicos: hospital colônia / UFMG









