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Unidos na mesma pista


Por Tribuna

31/12/2011 às 07h00

Já é tradição. Hoje, antes da contagem regressiva e do espocar das champanhes em comemoração ao Ano Novo, o Brasil para diante da telinha para acompanhar o gran finale da temporada esportiva brasileira na Corrida Internacional de São Silvestre, disputada em pontos históricos da cidade de São Paulo. Em sua 87ª edição, a principal corrida de rua do país fecha 2011 com números recordes e terá um total de 25 mil atletas. Para superar os 15 km de prova, os competidores terão que cumprir um novo percurso, passando pelo Estádio do Pacaembu, monumento Duque de Caxias, Theatro Municipal, Viaduto do Chá e Largo São Francisco, até a linha de chegada, no Obelisco do Ibirapuera. A expectativa é de que cerca de 120 atletas juiz-foranos estejam no meio da multidão que larga logo mais, às 17h30.

A legião juiz-forana tem atletas com as características mais distintas possíveis. Talvez, a maior emoção será vivenciada por aqueles que se admitem marinheiros de primeira viagem, e vão viver a primeira experiência na São Silvestre. É o caso do agente de viagens Márcio Menezes. Aos 46 anos, encara a prova como um triunfo particular. O esporte entrou em minha história como forma de buscar uma melhor qualidade de vida. Há cinco anos, pesava 120 kg. De lá para cá, perdi 40 kg. Já morei em São Paulo e era acostumado a assistir a prova. Para mim, aquilo era algo impossível. Agora, volto a cidade e o sentimento é de vitória, independente de qualquer resultado.

Também em sua primeira São Silvestre, a jornalista Valéria Martins, 46, vai realizar um anseio antigo. A corredora iniciou no esporte há sete anos, por acaso, quando foi assistir a uma prova em Matias Barbosa. É uma expectativa muito grande. Corro por hobby há sete anos e disputar esta corrida sempre foi uma meta para mim. Por várias vezes, não pude ir por conta de outros compromissos. Esse ano, as coisas foram favoráveis e, finalmente, irei realizar este sonho.

Apesar de estar se recuperando de uma lesão, Valéria garante que irá completar a prova. Para ela, competir é sempre o objetivo maior. Levei um tombo recentemente e estou com um dos joelhos um pouco comprometido. Mas correr é mais do que um esporte. É um dos pilares da minha vida. A São Silvestre vai ser um marco da minha relação com o esporte. Quero fazer a prova, dar o meu melhor, sem preocupação com resultados.

Em família

A professora Maria Clara de Oliveira, 45, vai para sua segunda participação e é só alegria. Estou animadíssima. Já com minha mala pronta, e com minha roupa de corrida e meu tênis separados desde o começo da semana. Maria Clara, que também começou em busca de uma melhor qualidade de vida, não abre mão de passar o réveillon em família. Comecei a correr em 2009, com minha irmã. Este ano, vamos nós duas. O clima é de fechamento de ano. A gente corre agradecendo a Deus por tudo e pedindo por coisas boas no ano que esta chegando.

Atletas de ponta e os seus sonhos

Enquanto boa parte dos 25 mil atletas que largam na São Silvestre objetiva aliar saúde, atividade física e confraternizar a chegada do novo ano, no grupo juiz-forano também estão atletas que esperam superar seus limites e buscam bons resultados na corrida. É o caso de Flávio Carvalho Stumpf (Camorra Tennis), 24, que irá largar no bloco principal, a elite A, entre os 100 melhores corredores do país e as estrelas internacionais convidadas para o evento. Estou treinando muito forte desde novembro para esta prova. Pelo ritmo de treinamentos, espero conseguir chegar até entre os cinco primeiros colocados. Minha estratégia é tentar acompanhar desde o início o ritmo dos favoritos e manter essa pegada até a linha de chegada.

Dez metros atrás, Waldir José da Silva (Sesi/Becton Dickinson/Academia Vida & Saúde), 41, larga no segundo pelotão, a elite B. Será a 21ª vez que irei participar. Embora não seja muito o meu tipo de prova, estou indo em busca de um bom resultado. A meta é ficar entre os 100 primeiros colocados e, quem sabe, até chegar entre os 50 melhores.

Outro que busca um bom desempenho é Whelliton Douglas Nascimento Franco, 22. Ano passado, cheguei na 230ª colocação. Agora, quero ficar pelo menos entre os 200 primeiros colocados. Sei que é algo difícil, já que vou largar no meio do povão.

Entre as mulheres, os destaques da delegação local que disputa a São Silvestre logo mais são Andriléia do Carmo e Ivani Gomes.