Nada no balaio: vergonha na cara
Estreei no Engenhão. Foi na quinta-feira, no show do Roger Waters. Dei uma pausa no repertório caipira para finalmente me surpreender com o álbum The Wall, lançado pelo Pink Floyd há 30 anos. Havia 50 mil pessoas no Engenhão. Não sei se todas, mas muita gente consumiu cerveja antes, durante e depois do show, que, por sinal, durou bem mais que uma partida de futebol. Na sexta-feira, lendo os jornais, observei que não houve briga. Como também não me lembro de nenhuma confusão no Mário Heleno motivada por consumo de cerveja. Pelo menos desde 1995, quando estreei lá.
Nos jogos da Copa de 2014, quando, por intermédio e graça da Fifa, voltarmos a beber cerveja nos estádios, também não haverá problema. Talvez até lá alguém de direito perceba que a solução para o problema não é demonizar a cervejinha, mas priorizar a segurança com efetivo e inteligência. Os integrantes da torcida organizada Galoucura acusados de espancar até a morte um cruzeirense, em novembro de 2010, agiram na Avenida Nossa Senhora do Carmo, bem longe do Mineirão. Ali, sim, vendia-se e vende-se de tudo. Até cerveja.
Não é preciso ir longe. O palmeirense morto na semana passada estava em via pública. A polícia esteve na sede da maior torcida corintiana em busca de culpados. Acharam de tudo, mas nem uma latinha de cerveja. Em Belo Horizonte, onde não se pode nem pensar em cerveja, a situação ainda assim continua tensa. A última medida para inibir a violência foi proibir a torcida do Atlético de exibir a faixa com os dizeres vergonha na cara. O próximo passo vai ser vetar ofensas ao trio de arbitragem. Então, lembraremos com saudade do tempo em que ir aos estádios implicava, entre outros prazeres, em um momento para extravasar.









