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Os pés pelas mãos


Por RENATO SALLES

30/12/2011 às 07h00

Eterno recomeço

O Ano-Novo está aí, chegando mais forte que zagueiro brucutu marcando atacante de cabelo estiloso nos gramados esburacados da várzea da vida. Mais importante que se vestir de branco dos pés à cabeça e usar a cueca da sorte para receber o 2012, é saber se despir do ano que passou. Sabedoria é saber andar sempre em frente e deixar para trás também as coisas boas. E como foi formidável o 2011 do improvável Tupi, campeão brasileiro. Vai ser difícil esquecer a conquista heróica tão desejada, que possibilitou ao torcedor carijó soltar gritos e palavrões há tantos anos silenciados. Mas uma equipe vencedora se constrói na abnegação. A vitória de ontem não importa, só a de amanhã. Para diretoria, jogadores e torcida, o pôster do título não pode representar nada além de uma lembrança pendurada na parede da memória, o quadro que dói mais. Por tudo que representa. Mas o tempo de comemorações se esvai como a última folha do calendário.

Virada a mais bela página do livro carijó, acho muito legal perceber que o pensamento da diretoria, de forma velada ou não, é escrever um novo capítulo no ano do centenário alvinegro. A Série D teve seu ponto final. O lápis do destino agora rabisca a sorte juiz-forana na Terceirona. É bom ver um dirigente afirmar com todas as letras que a meta da temporada é subir mais uma vez, como me confidenciou essa semana o vice-presidente de futebol, José Roberto Maranhas.

A cartolagem carijó ainda bate na tecla de que os campeonatos Mineiro e Brasileiro serão tratados de forma igual. Mas acho – opinião pessoal – que é mero discurso. Os esforços – talvez, até as economias – estão voltados para a Série B. E é assim que tem que ser. Chegar à Segundona fará com que o Tupi finalmente sente na mesma mesa que os principais clubes do país. Sempre há de se pensar grande. Em silêncio, o Galo Carijó está preparando seu mais alto voo.

A grande vitória é a continuidade. O acúmulo de trabalho e experiências. Isso é a única coisa que devemos levar de um ano para o outro. Só assim continuamos crescendo. Vencendo. O triunfo carijó está sendo construído desde 2008. É hora de continuar pavimentado o caminho. A Série C não é o limite. O céu é o limite. Feliz ano velho! Feliz Ano-Novo!