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Os pés pelas mãos


Por RENATO SALLES

26/10/2012 às 07h00

Chega de mala

Às vésperas das eleições, tudo muito corrido na redação. No fim do dia, toca o telefone da editoria de esportes. Ligação interurbana. Discagem direta a distância, lá de Chapecó. Do outro lado da linha, um colega busca informações sobre o Tupi, adversário da Chapecoense na última rodada da fase de classificação da Série C, a mais melancólica dos 100 anos da história do clube de Juiz de Fora. A informação que circula por lá a semana toda é que os jogadores do Carijó têm a promessa de mala branca de outras equipes interessadas na vitória alvinegra.

Essa é uma daquelas informações que a gente recebe e nem sempre tem como ir muito além, raramente alguém confirma. Não há vício em dar uma força financeira para que atletas busquem a vitória. Mesmo assim é uma prática duvidosa, que abre margens para o outro lado da moeda, quando o dinheiro chega na mala preta, encomendando uma derrota, que nada mais é do que uma manipulação de resultado.

Sinceramente, se fosse jogador não queria sequer escutar sobre mala branca. Ainda mais nesta situação em que o Tupi se encontra, rebaixado e sem vencer uma partida sequer fora de casa. É claro que qualquer grana extra é de bom grado, todavia o que está em jogo é a honra. Não se pode fazer de uma campanha tão pífia algo rentável no apagar das luzes.

Com este burburinho, não queria estar na pele dos jogadores que vão a campo amanhã. Mesmo que estejam alheios ao papo da mala branca, e se esforcem ao máximo para defender seus brios, vão carregar a suspeita de ter corrido um pouco mais por um Natal mais gordo. No final das contas, as artimanhas de outras equipes acabam colocando em xeque qualquer atuação carijó, o que só favorece a própria Chapecoense. É preciso acabar com essa história de malas, brancas ou pretas, pela moralidade de nosso futebol.