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Onde foi que eles erraram?


Por RENATO SALLES

25/12/2012 às 07h00

É Natal, e o torcedor do Tupi não tem nada mais a pedir de presente senão um futuro melhor. O ano de 2012 não termina bem. Há exatos 65 dias, o sonho da Série C ficou entalado na chaminé. Nada de Papai Noel. Quem desceu foi o clube juiz-forano e o futebol da cidade, relegado à Quarta Divisão do futebol nacional em 2013. Ano Novo que começa com uma cara velha, enquanto a diretoria tem dificuldades na formação da equipe que irá disputar o Campeonato Mineiro e a Copa do Brasil no primeiro semestre. Por ora, as nuvens negras não se dissiparam e seguem rondando Santa Terezinha.

Pouco mais de dois meses após o ocaso carijó, dois dos poucos atletas poupados pela torcida alvinegra, o atacante Ademilson e o goleiro Rodrigo, ainda buscam respostas para o fracasso da equipe. Constantes trocas no comando técnico, falhas no planejamento, o assalto ao Estádio Salles de Oliveira – que custou R$ 70 mil aos cofres da agremiação -, um time sem padrão de jogo, um ataque inoperante, entre outros agravantes marcaram 2012, ano de centenário com cara de fim do mundo para o Carijó, com o rebaixamento ofuscando o brilho do título de campeão mineiro do interior ainda no primeiro semestre.

"Um dos grandes problemas foi que alguns jogadores não se adaptaram aos esquemas implantados pelos treinadores que passaram pelo Tupi durante a competição. Tínhamos um bom time, com capacidade de fazer um trabalho bem melhor. A coisa não encaixou", lamentou Ademilson, que também fechou o ano vivendo um drama pessoal, acometido por uma lesão no joelho. "Como exemplo disso, lembro do Fabinho (atacante), que é um jogador rápido e de boa qualidade, que acabou sendo mal aproveitado. Ele não rende bem quando é obrigado a marcar, e acaba chegando ao ataque com menos força."

Apesar da dificuldade de entendimento dentro das quatro linhas, Adê, que segue no Tupi para a temporada 2013, afirma que não havia problemas entre o elenco. "Que eu saiba, não havia panelinhas. É claro que, em todos os grupos, existem alguns jogadores que se aproximam mais por afinidade. É normal. Mas não percebi nada que pudesse prejudicar o desempenho dentro de campo."

 

‘Ano atípico’

 

Já o goleiro Rodrigo, que, com o contrato vencido, não fica em Santa Terezinha para a temporada 2013 e já garantiu um Natal mais gordo em terras paulistas, onde irá defender o Santo André, os problemas que levaram ao rebaixamento foram generalizados. "Foi um ano atípico. A gente viveu a euforia de 2011 (quando o Tupi sagrou-se campeão brasileiro da Série D). Depois, no ano do centenário, a expectativa era de subir. Mas, no meio do caminho, a coisa degringolou tanto dentro como fora de campo. Acho que o time caiu por um somatório de fatores. Teve o roubo, falta de salário. O grupo estava tentando, teve troca de treinador, chegaram novos reforços, mas o time não deu liga."

 

Assalto deflagra a crise

O roubo à sede de Santa Terezinha ocorrido no dia 13 de julho, às vésperas da partida contra o Madureira, pela terceira rodada da Série C, é apontado por Ademilson como o início do pesadelo. "Depois disso, ocorreram alguns problemas, como atrasos de salários. A diretoria sempre correu atrás para resolver. Buscou parceiros financeiros. Mas a gente sabe da dificuldade de se conseguir apoio. Ninguém fez corpo mole. Mas, se alguns jogadores conseguem deixar isso de lado quando entra em campo, outros não mantêm o mesmo foco quando as contas e os problemas começam a aparecer. Não faltou compromisso, mas esta é sempre uma situação muito difícil."

Apesar de todas as adversidades, o camisa 9 revela que acreditou na sobrevivência na Série C até o último momento. "Apesar de tudo, sempre estivemos a poucos pontos de escapar da zona de rebaixamento. Duas vitórias e já estaríamos próximos do pelotão que lutava por uma vaga na fase final. Sempre acreditei. Só quando perdemos para o Oeste (na penúltima rodada da fase de classificação, partida que sacramentou o rebaixamento matemático do Tupi), vi que o sonho tinha acabado. A gente sempre se apega às chances, por menores que elas sejam. No futebol, nada é impossível. Mas, infelizmente, aconteceu aquilo que nós não desejávamos", afirma o atacante que é, até aqui, um dos poucos nomes confirmados para o elenco carijó em 2013 e, talvez ao lado do bom e velho Papai Noel, uma das raras esperanças da torcida de que o pedido de dias melhores seja atendido.