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Bom, eficiente e barato


Por GUSTAVO PENNA

25/09/2015 às 07h00- Atualizada 25/09/2015 às 08h59

Leston Júnior está cotado para continuar em 2016 (Felipe Couri/Tupi FC)

Leston Júnior está cotado para continuar em 2016 (Felipe Couri/Tupi FC)

O Tupi pode se orgulhar da campanha realizada na Série C até agora. O Carijó esteve no G4 em todas as 17 rodadas. Mesmo com os dois jogos perdidos recentemente, a equipe juiz-forana segue em condições de terminar o grupo B na primeira colocação. Uma caminhada positiva, especialmente se levado em consideração o fato de o Alvinegro possuir um dos mais baixos orçamentos entre os concorrentes no Brasileirão.

Por mês, o Tupi gasta aproximadamente R$ 120 mil para manter o futebol em funcionamento. A Portuguesa, atual terceira colocada, gasta uma média de R$ 220 mil. Já o Tombense, que lutou contra o rebaixamento, tem orçamento de R$ 250 mil por mês. O segredo dessa economia financeira com eficiência em campo está no garimpo cuidadoso por atletas.

“Temos um catálogo de 400 jogadores”, diz o vice-presidente do conselho gestor do Carijó, Cloves Santos, “Todos os treinadores reclamam de montar elenco comigo. Sou o cúmulo da chatice. O jogador tem que ser contratado por três ou quatro situações, não só pelo futebol. A espinha dorsal tem que ser extremamente Tupi. Conseguimos isso no ano passado, mas esse grupo tem mais a cara do clube.”

A intensa busca por desempenho com baixo custo leva à rotina de avaliação de atletas. Um trabalho que se sustenta para driblar a realidade de dificuldade financeira. “Juiz de Fora nunca foi tranquila para patrocínio. A figura do patrocinador master está acabando. Esse ano mesmo tivemos dificuldade para renovar (com a MRS). A Prefeitura (patrocina), por lei. Os clubes estão correndo para o sócio-torcedor. Temos cerca de 250 sócios. Sem esse programa, a tendência é que o futebol da região caia”, analisa Cloves, que já pensa em 2016.

“Vejo o Leston Júnior no longo prazo, independentemente do acesso. Entre aqueles com os quais eu trabalhei, ele e o Léo Condé são os que mais se aproximam do ideal. São treinadores de liderança, tanto no elo com a diretoria quanto com os jogadores, e de uma acessibilidade muito grande. Não adianta ser grande treinador e não saber comandar grupo, ser comandado, conhecer hierarquia e conduzir problemas. Futebol é problema todos os dias.”

Problemas com a Justiça do Trabalho

Mas o Tupi não está imune a erros que se tornaram comuns na maioria dos clubes brasileiros. Atualmente, o Alvinegro enfrenta mais de 20 processos na Justiça do Trabalho, por questões que envolvem, na maioria das vezes, atrasos de salários, verbas rescisórias e Fundo de Garantia. Um problema que teve seu auge na temporada de 2012, após o título da Série D no ano anterior.

“O Tupi parece ter passado por um problema de gestão financeira. Pode ter sido problema com patrocinador, não ter arrecadado como se esperava, mas o certo é que houve um aumento do custo da equipe, e não conseguiram honrar os compromissos”, diz Flávio Nunes, advogado que já representou quase três dezenas de processos contra o Carijó. “Pagamentos em valores inferiores ao pactuado, combinação de direitos de imagem que não são necessariamente ‘direitos de imagem’. Essa é a realidade da maior parte dos clubes brasileiros, que tentam utilizar regras do direito civil para burlar o direito do trabalho.”

A dificuldade enfrentada em 2012 é confirmada por Cloves Santos. “Houve um erro de estratégia, sim. Você não monta equipes de futebol em janeiro e fevereiro, mas em novembro e dezembro. Quando subimos, fizemos um time de acordo com os patrocínios que estavam certos. Mas, em janeiro, três não se concretizaram. Empresas faltaram com a palavra, e a gente monta orçamento em cima disso. Hoje, montamos em relação ao que está assinado.”

Sobre as cobranças judiciais de questões trabalhistas, o dirigente discorda da interpretação dada pelos advogados a respeito dos direitos de imagem. “Quando o jogador acerta com você, ele assina a carteira e o direito de imagem, e concorda com isso. Mesmo assinado em contrato, alguns advogados entendem que isso pode ser incorporado ao salário. Respeito, mas não concordo. É algo do futebol, o Tupi não inventou isso. Houve problemas, sim, não vou negar. Mas o que se pede nessas ações chega a quatro vezes aquilo que é devido”, diz Cloves.

Mesmo em caso de acesso para a Série B esse ano, o dirigente promete pés no chã. “O Tupi não vai fazer folha salarial exorbitante. Monta-se elenco com nomes ou com trabalho. Com nome é fácil: vai no Google e escolhe 30 conhecidos. Com trabalho você pega quem não está na mídia e monta times com patamares menores, que é o trabalho que deve continuar sendo feito.”