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‘Mineiros on the beach’


Por JULIANA NETTO

24/10/2015 às 07h00- Atualizada 26/10/2015 às 12h59

Maurício e Léo treinam  diariamente na AABBFERNANDO PRIAM0

Maurício e Léo treinam diariamente na AABBFERNANDO PRIAM0

No currículo, parcerias com jogadores como Cláudio Adão, Renato Gaúcho e Romário. No dia a dia, futevôlei de manhã e à noite. Num primeiro momento, você poderia estar pensando em tratar-se de tarimbados boleiros Zona Sul. Mas não. Eles são juiz-foranos, estão a cerca de 180km da praia mais próxima e levam uma vida bem diferente daqueles que moram ou frequentam as badaladas orlas cariocas. No entanto, a partir de hoje, a dupla Maurício/Léo invade as areias de Copacabana para a disputa do Campeonato Brasileiro de Futevôlei, umas das principais competições da modalidade em 2015.

Sem as sonhadas praias juiz-foranas, os parceiros fazem da AABB, no Bairro Cascatinha, o Centro de Treinamento Futevôlei JF, que, além de treinos, oferece aulas para interessados em se aventurar pelo esporte. Para Maurício Carvalho, 27 anos, esta será a segunda participação na competição (a primeira foi em 2013). Já o veterano Léo Campos prova que nunca é tarde para começar e, aos 42, faz sua estreia no torneio. Os dois atletas serão os únicos representantes de Minas Gerais entre as 24 duplas participantes.

Há cerca de um ano atuando juntos, e há seis meses se preparando para a competição, Maurício e Léo intensificaram a rotina de treinamentos, que chega a totalizar 15h de atividades semanais, entre treinos específicos, jogos e musculação. “Recebemos o convite a partir da nossa participação no Campeonato Carioca, em agosto. Não conseguimos a classificação de forma direta, mas jogamos bem e acabamos sendo convidados pelo presidente da Liga Novo Futevôlei Brasil”, afirma Léo.

Nada de pombas

Amadores, Léo e Maurício têm que atuar dentro e fora das quatro linhas, como a maioria dos atletas locais. Enquanto Maurício se sustenta como professor de educação física e personal trainer, o implandontista Léo passa boas horas dentro de seu consultório odontológico. “Assim que termina o treino da manhã, por volta das 8h, tomo um banho rápido, pego minha moto e desço para o trabalho”, explica o ex-goleiro, que abandonou o posto de arqueiro em função das constantes lesões, que acabavam prejudicando-o no ofício futebolístico.

“Mesmo com horários mais flexíveis, há dias em que 23h ainda estou dentro de uma academia, acompanhando algum aluno, o que, infelizmente, acaba influenciando um pouco na vida de atleta”, revela Maurício. Atualmente, ele é o único da parceria que conta com apoios empresariais, da VitaSports, Neurolab e Amplitud Studio de Fisioterapia. “Por terem uma estrutura melhor e por terem fechado alguns patrocínios, acredito que os favoritos serão os atletas de São Fidélis (cidade do norte-fluminense), além dos próprios cariocas”, aposta Maurício.

Futevôlei como esporte olímpico

Há 15 anos no mundo do futevôlei, Léo acumula bagagem nas dificuldades enfrentadas pelo esporte, ao mesmo tempo em que aponta a evolução dos atletas ao longo do tempo. “Já joguei contra e com Renato Gaúcho, Romário e algumas figuras consideradas ícones do futevôlei. Hoje, por mais que tenham sido craques nos gramados, o nível deles já não é parâmetro para a modalidade. Dentro do próprio futevôlei temos atletas mais evoluídos e completos do que eles.”

Para Léo, o caminho que pode profissionalizar o esporte passa curiosamente pelo próprio Romário, que, agora no posto de senador da República, busca transformar o futevôlei em modalidade olímpica. “Entrando para as Olimpíadas, o esporte passará a atrair público e mídia, além de exigir uma maior profissionalização das federações, hoje ainda muito desorganizadas.”

A arena do Campeonato Brasileiro de Futevôlei estará montada hoje e amanhã, no Posto 5, em Copacabana. A entrada para o evento é gratuita.