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Nada no balaio – jogo sujo


Por Ricardo Miranda

24/03/2012 às 06h00

Embora a regra seja clara, como insiste o Arnaldo, há coisas no futebol situadas além do bem e do mal. O mais comum dos torcedores talvez nem perceba, mas, entre o início e o fim de uma partida de futebol, pode estar em curso a derrubada de um técnico, o boicote a um jogador e até mesmo a concessão de sobrevida ao adversário. Os incentivos financeiros para um time vencer ou ser derrotado, as chamadas mala preta e mala branca, ganham ares de normalidade perto de outras manobras menos ortodoxas.

Quando o jogo é sujo, o negócio já desanda no início. Em muitos casos, até por orientação de técnicos, a recomendação é bater forte logo nos primeiros minutos da partida. Bater forte, nesse caso, como diria o Abel Braga, é bater no meio do adversário. A ideia é que dificilmente o árbitro vai se valer de um cartão vermelho aos 5 minutos do primeiro tempo. O tal do chegar junto, nesse contexto, funciona como um alerta de perigo.

Depois, com a bola rolando, pode acontecer de o time inteiro ou parte dele querer derrubar o técnico ou mesmo lhe mandar um recado. É quando o goleiro ou o armador pega a bola e não encontra ninguém livre para recebê-la. O movimento de alguns jogadores, nesses casos, é no sentido inverso ao habitual. Ao invés de se deslocarem para terem a preferência, eles escondem-se atrás dos adversários. Para se ter uma ideia, os laterais costumam ir para o meio do campo, onde há mais gente.

Há ainda, em um nível inferior, o jogador estrela, com salário e projeção maiores, que provoca verbalmente os adversários. Enquanto está no corpo a corpo com o adversário à espera da bola, ele começa a vomitar coisas como meu salário é maior, jogar com time pequeno é complicado e outras coisas do gênero. Isso quando a vida pessoal também não é lembrada. Como algumas mulheres têm aptidão por jogadores, também é comum o intercâmbio de informações sobre as mesmas em campo.

Então, quando o time faz um jogo feio em casa, pode simplesmente ter jogado mal mesmo ou há alguma coisa de podre no reino da Dinamarca.